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A mulher de trinta - parte I

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Dizem que o ano em que se completa 30 anos, para uma mulher, é um período de muitas mudanças, transformações. Pois bem, este é meu ano e assim está sendo.  A primeira mudança foi ter um namorado. Sim, eu nunca soube o que tal coisa significava até setembro do ano passado. Coincidiu com a época em que tomei uma decisão bem radical de parar de gandaiar e voltar de vez pra igreja. logo em seguida, Bruno apareceu e por isso muita gente deve achar que foi por causa dele que parei, mas não foi. Acho que meu ano Balzaquiano começou naquele setembro. Passei uns 5 anos da vida correndo atrás das pessoas que nunca puderam me dar o que tenho agora: amor e estabilidade emocional. Nesse ínterim, sofri muito, amei sim, de verdade, mas sempre na hora errada. Creio que não eram pessoas tão erradas assim, mas não eram pra mim. Erraram muito comigo e eu com eles nessa busca insaciável de amar. me entreguei as prazeres puramente corporais, e foi só o que consegui. Estou ainda no processo de ...

Das coisas que não esperamos

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É quando não esperamos que mudanças bruscas nos acontecem. Sim, sempre esperamos um milagre que nos arrebate de nossa mera vida mortal e rotineira, mas ao não sermos específicos o bastante sobre que mudanças queremos, ela vem. Nosso pedido é atendido, mas qual é a mudança que é a surpresa. Pode ser tudo... pode ser nada... passar em um concurso, mudar de cidade, sofrer um acidente e ficar tetraplégico, engravidar, perder um ente essencial e querido, comprar uma casa, se casar, morrer, adoecer, pintar um quadro, mandar alguém ou algo pra pqp, raspar a cabeça, fazer uma tattoo, dentre outras coisas que não controlamos. Ou que controlamos em parte.  Ah, sim, sejamos mais específicos me nossos desejos! E ainda que a surpresa seja tão surpreendente que mal sabemos o que sentimos diante do novo, tem-se a escolha, tem-se o lado bom. E tudo fica bem, o silêncio que passa antes e logo após a tempestade. É assim que é, que foi, que está sendo. Boa noite. 

Das ilogicidades da vida

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Pensava sempre, ao digitar aquelas letras embaralhadas de código pra fazer comentários em blogs, qual era a lógica daquilo. Alguns sites que também pediam até diziam: prove que você não é um robô, ou que você é humano. No último, uma palavra em inglês se formou: both . Teria lógica, seria aleatório? O que é aleatório na vida? Ontem andava pela rua e observava as pessoas, como sempre fizera. Mas agora era diferente. parecia estar de certa forma protegida e podia olhar e pensar coisas livremente. Como por exemplo, que aquele carinha ali, se não fosse sua decisão tomada, pegava fácil. Tinha plena segurança de que poderia ficar com qualquer um que quisesse, a não ser que o cara realmente não quisesse. Conquistar eram outros quinhentos, coisas que nunca soube fazer. Que adiantava essa segurança de "pegadora" se não sabia como manter. E, se não tivesse tomado a tal decisão, sabia que ia ficar nisso eternamente, pega, fica, morde, beija, transa, um após o outro. O sabor dis...

They count on me

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Estou com planos de mudança de carreira, mas, a cada turma nova que começo, os alunos "me prendem". Me elogiam, dizem que sou boa professora, vou indo, vou ficando. Acredito, mas sempre acho que poderia ser melhor, saber mais. Já estou sentindo a necessidade de uma reciclagem no inglês, ou mesmo no português, sei lá. A gente nunca aprende tudo, mas com inglês é ainda mais difícil, como saber se tal palavra ou expressão é dita assim ou assado nos EUA, que é grande como o Brasil e com certeza tem seus regionalismos, ou na Inglaterra, ou em tantos outros países que tem inglês como oficial language ? Difícil ter certezas quando não se vive a língua diariamente. Estamos aqui, tão distantes e no entanto tendo contato tão de perto com essa bela e odiada língua inglesa. A maioria das pessoas quer aprender para fins práticos: emprego, currículo, intercâmbio; poucos são os que querem aprender por gosto, tipo eu, sonhadores. Talvez por isso eu ainda não tenha ido para lá. Quando per...

Traditore

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Tão bonito e seguindo uma religião tão estranha. Famosos e seu mundo... "Gosto de adiar meus prazeres", disse Tom Cruise em algum filme. Esqueci o nome do filme e o do personagem, o que é estranho, mas lembro da frase e do sorriso de contentamento na cara de Tom, prestes a saborear mais uma mulher. Pensei, estranhamente naquele momento e até hoje, que sou também assim: adio prazeres, nem sempre estando no controle deles. É como gostar de sofrer, ainda que não se tenha o controle da dor. A imaginação entra como doadora do poder de que se necessita. Finge-se estar no controle da situação para não se ferir mais ainda. Voltei a pensar nesse assunto hoje por uma bobagem: eu terminava de conferir um texto que traduzi, estava agora prestes a terminá-lo, o que me dá uma certa adrenalina, e então desviei a atenção para um jogo de Paciência. Adiei o término, o prazer do trabalho pronto. tenho me revelado versátil ultimamente: professora, revisora, tradutora, tudo com muito esmer...

Cinco meses

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Faltam cinco meses. E eu quero: trinta rosas vermelhas e trinta rosas rosas; trinta trufas de puro chocolate; trinta exemplares de um livro meu; trinta potes de doce de leite Viçosa, nos três sabores; trinta momentos felizes até lá que me façam sorrir de verdade; vencer Paciência trinta vezes seguidas; trinta estouros de fogos de artifício; trinta mergulhos no mar; trinta moedas; trinta livros variados, trinta músicas novas; trinta peças de roupas, dentre vestidos, blusas, calças, shorts e saias, casacos, etc; trinta pares de sapatos: botas, sapatilhas, tênis, rasteirinhas, sandálias, slippers, sneakers, peep toes, sem saltos, por favor!; trinta presentes inusitados no dia, sei lá o que, ... trinta pessoas criativas que não desanimem; trinta inspirações - pessoas, lugares, situações, pinturas, fotos, quadros, natureza, animais, histórias...; trinta abraços, apertos de mão, sorrisos, beijos...; trinta provas de qualquer coisa - português, inglês, a...

Chá, chuva, frio... noite

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Chá, chuva, frio, noite: ela dormira o dia todo, praticamente. Passou mal ao subir o morro, o corpo lasso. Ficou com a calça de dormir de moletom molinho, cinza-escuro (a?) e a camiseta antiga do curso, preta, a primeira que havia comprado. O computador todo com vírus, o namorado falando que ia formatar e levar a gata embora. Estava prenha ou não? A gata, ela? As duas, era um possibilidade. Fora ao banheiro aliviar o intestino que funcionava quando queria. Funcionou, desinchou a barriga. Estaria prenha? A gata ficara fora o dia todo, passeando. Voltava pra comer. A dona pegou a gata, apertou-lhe a barriga: parecia sim mais rechonchuda, mas nem um movimento anormal de gatinhos. Na sua própria barriga também, nada de anormal, a não ser o atraso de ... melhor nem contar quanto tempo, era estranho, sei lá.  Duas professora, ou melhor, ex-professoras, lhe enviaram e-mails, uma dizendo que ela deveria refazer o processo e acrescentar um outro, e a outra dizendo que achou o origina...