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Minha pequena

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Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã... Cotidiano - Chico Buarque Minha filha é linda. Olho pra ela e mal acredito que saiu de mim, tanto pela beleza quanto por minha mentalidade, até ontem eu me debatia num mar de paixões e sem perspectiva de futuro... acho que essa perspectiva ainda não está muito clara, acho que projetei tudo nela, minha vida é ela. Ao menos não estou mais enterrada no passado. Acordo três vezes na madruga, alimento-a, cuido da casa, estou um lixo e feliz. Olho pra ela e me emociono, não a mereço e peço a Deus todos os dias por sua vida.  É tudo tão pequeno nela mas sinto algo gigantesco que não cabe em mim, sai em lágrimas. Às vezes me pego chorando emocionada como se tivesse acabado de parir. É tudo o que dizem, muito inexplicável. Digo que estou um lixo porque mal me cuido, já teve dia de dormir sem banho. Acordo com o cabelo desgrenhado e assim fico o dia todo. A coluna doendo demais por dar banho na Lídia e...

Vida segue

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It's hard But you know it's worth the fight 'Cause you know you've got the truth on your side When the accusations fly Hold tight! Don't be afraid of what they'll say Who cares what cowards think? Anyway, They will understand one day One day Les Jours Tristes - Yann Tiersen Fui à nutricionista hoje, estou com 71kg. Antes da gravidez eu estava com 67 e cheguei ao final com 79, e tudo indica que estou bem. Não fiquei gorda porque sou alta e a barriga só estava bem visível lá pelo oitavo mês. Agora que tenho a bebê nos braços, a barriga ficou, um pneuzinho. Pelo menos já estou usando jeans novamente, só um mais apertado que ainda não fecha. A linha na barriga também permanece. Go...

O parto é punk :)

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A palavra punk sempre me remete à rebeldia, coisas e pessoas fora do convencional, com aparência ... punk mesmo. Me lembro de um seriado/desenho em que a protagonista chamava-se exatamente Punk, a levada da breca - era o título. E no dia 12 desse mês não consegui achar palavra melhor para descrever meu parto: foi punk, ponto. Apesar de tudo que passei, continuo defendendo o parto dito normal, ou vaginal. Eu até partiria para um parto humanizado se tivesse me preparado desde o início, mas não deu. Tive o que ouso chamar de parto semi-humanizado: todo o corpo médico me tratou com profissionalismo típico, aquela coisa meio distante, mas apropriada. Enfim, fui bem tratada no geral. O que vou relatar talvez tenha meu típico tom pessimista, mas sem intenção de assustar. A gente sobrevive e depois se sente preparada pra qualquer coisa na vida. No dia 11 acordei sentindo umas dores. Como tinha consulta marcada, fui tranquilamente até o posto. Após ser examinada, voltei pra casa sabendo ...

Da impossibilidade de sermos românticos

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Não tem amor só o cotidiano que massacra você entrou na minha vida, ela junto to curtindo a ideia só não deu tempo de respirar Não tem mais o nosso tempo tem que fazer a comida, lavar a roupa, isto é, eu tenho que, ainda tenho que trazê-la ao mundo e alimentar Desvio um pouco o olhar e presto atenção nos pássaros que cumprem suas obrigações sem reclamar então me vejo em desanimo e presa na impossibilidade de romance retirado cuidadosamente do cotidiano de cada mortal Achei mesmo que ia escapar dessa vidinha normal de todo mundo. Escapei dela por cinco anos e eis que ela me bate a porta, já que não enriqueci nem saí do país, nem fiz mestrado... virei simples dona de casa entediada, esperando uma filha e esquecida pelos seus. Sim porque aquela lista das coisas que me aconteceram esse ano e me chatearam, tanto quanto outras que me alegraram, não terminou. Tem dia que acordo amarga e isso tem sido frequente. "por que vc reclama de tudo?" diz o namorido. P...

Lira dos trinta anos

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Estou sem meu notebook e agora sem celular, que resolveu simplesmente não mais ligar. Tenho dois números, ai a vida complica. Já estou meio além-mundo faz tempo, desde o início do ano quando descobri a gravidez. Estava vivendo minha vidinha normal até setembro, quando entrei de férias, ai passei a sair somente pra o médico ou pra igreja. Talvez demore pra eu escrever e publicar esse texto usando meu netbook quebra-galhos, misturando teclado normal e virtual. Mas aproveitando os finais - de mês, de gravidez, de ano - tenho coisas a serem ditas, conclusões sobretudo sobre meu estado. A gente fica mais sensível e mais olho aberto. A vontade de armar barraco nas redes sociais é grande, mas como esse espaço é totalmente meu, usá-lo-ei. Não aconteceu nada de grave, são só as coisinhas que vão se juntando aqui e ali. O tom desse texto não é novo, tem aquele velho sabor de decepção com conhecidos e surpresa com pessoas das quais não esperávamos muito; a velha lição que a humanidade nunca ...

Velha Infância

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rito de passagem :) Hoje acordei com 30 anos e... nada, não me sinto nada diferente, mas me peguei pensando no que eu tenho até agora, no que vou ter, em idade, etc. Lembrei de um episódio em que eu estava no camarim - fui ou sou atriz, nem sei - e ai eu perguntava a idade de uma colega ali perto, depois mais gente entrava e não acreditavam na nossa idade "tão avançada". A minha colega dizia ter 32 e eu ainda tava no 29, acho. "Não creio! nem parece!" e brincávamos que dormíamos no formol. Mas hoje fiquei pensando que a faixa que compreende os 27 a 32, 34 anos mais ou menos não é uma idade tão avançada assim, tipo por que se assustam se a gente tem 30, 40? Sei lá, parece que ninguém quer sair da terra do nunca e que passar dos 25 é demais. Como eu disse, não sinto nada de diferente. Só receio que a sociedade vai me cobrar mais, mais postura "adulta" já que vou ser mãe, mais maturidade (seja lá o que isso signifique), me vestir diferente, nada de est...

Expectativas

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Todo ano, seja em outubro ou dezembro, natal, guardo ainda aquela expectativa infantil: a do bolo, do presente, da festa, das pessoas sorrindo, felizes porque eu estou lá, feliz também, por mais um ano, por mais um natal... Guardo ainda a vontade de bolo infantil, brigadeiro, presentes bem embalados, brincadeiras, parabéns, happy birthday, q=com quem será, etc. Vontade reprimida, claro, pois todos quando crescemos somos impelidos a internalizar a criança que ficou pra trás, com traumas e tudo. Ser adulto é receber essa mensagem de si mesmo e dos outros: se vire, supere, continue bem ou mal. Mas a criança anda batendo à minha porta avora, ainda mais porque vou ser mãe: estou fragilizada e lembro da minha infância. Da barbie usada que ganhei já tardiamente, e outros brinquedos usados, uns poucos novos, a expectativa de presentes que nunca vieram, promessa feitas e nunca cumpridas pelos adultos. É bom lembrar disso pra que eu não cometa o mesmo erro. Por mais que cresçamos e superemos...