sábado, 2 de outubro de 2010

Gula

Provo os mais diversos tamanhos

dos mais diversos gostos
de perfumes


todos os tamanhos, todos os tamanhos, ah sim todos eles
e as mais diversas espessuras
ah sim , tudo eu provo e devoro.

Ah, venha e eu te como inteiro
provo do teu veneno que é o meu
provo do teu gosto que se esfrega em minha pele
e me deixa lé


até que é bom o sangue
sim, o sangue, o teu, o meu
ah o teu em mim, o teu
intenso em mim
o ... sangue


vem por o teu no meu
e mistura tudo
ah sim, eu devoro tudo e não te perdoo não.
Vem fazer o que eu quero.

Agora.

Língua


Estranho cansaço interno
parece que estremeço
porque tua língua entra em mim


estranho cansaço tormento
eu me pego vibrando
porque sinto a tua língua lasciva


estranho cansaço raivoso
parece que me tenho ódio
por querer línguas
por querer beijos e descobrir técnicas
e prestar atenção às técnicas alheias...

beijando de olhos abertos pra ver
transando de olhos abertos pra ver
e vendo o outro me tocar
me beijar
me lamber
me chupar
me entrar

estranho cansaço de não ter mais pudores
queria tê-los
queria escrevê-los
e já não os tenho


estranhos impudores se apoderaram de mim
quero tua língua quente e lasciva me deslizando
desejo de luxúria pura
só pra disfarçar o romantismo que espero.


Que espera eterno o amante-cara-metade que não existe,
o amor a cavalo branco que não vem montado
o príncipe perfeito, não-humano certamente
a pessoa que me acariciará com o olhar.


Sem dizer mais nada.
Sem nada dizer.
Nada.