domingo, 29 de janeiro de 2012

Aprendizagem

"Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio" 
(Salmo 90:12)

A música "Oração ao tempo", cantda por Maria Gadú, é belíssima, ganhou uma nova roupagem, como se diz. Aliás, Maria Gadú é ótima, uma voz versátil e espetacular, arrisco dizer. Gosto da nova geração MPB: maria, Ana Carolina, e colocaria Paula Fernandes também, apesar de ser do seguimento sertanejo, mas é outra voz maravilhosa.

O versículo acima me veio à mente hoje. Uma tia me mandou escrito num cartão num aniversário meu, há muito tempo já. Contar os dias, marcar o tempo, há tempo pra tudo, faço um acordo contigo... estamos sempre a dialogar com o tempo, a questionar, a não-entender querendo entender. Sabedoria está associada ao tempo, ao menos segundo a Bíblia Sagrada. Por isso em muitas culturas orientais os mais velhos são altamente respeitados, o que não é muito o caso da nossa cultura brasileira. Sentimos toda a pressão pra viver muito, mas sempre jovens, a pele lisa, olhos brilhantes, órgãos a todo vapor - principalmente o fígado, coitado - folego pra tudo, ânimo pra tudo, vida ativa até mais de 60 anos. Acho que tem uma hora que o corpo cansa mesmo e precisa desse repouso, precisa de respeito por nossa parte e principalmente da sociedade. Não tem como não envelhecer, ficar mais lento, mais dependente, até senil... e daí, faz parte da vida. Tenho medo de envelhecer por causa disso, por causa da falta de respeito, o medo do abandono, as doenças...

Tô dando um tempo, mas tenho medo dele, de que passe rápido demais e eu não acompanhe as mudanças necessárias, ou que passe lento demais e eu queira atropelar as coisas, ah, não sei. Misterioso tempo. Preciso dele, mas não pra ficar parada, só pra pensar, tomar rumos. Sei que estou sempre assim, querendo tomar rumos, mas tem horas de lucidez pura de tudo, como agora, e é nessa hora que eu preciso parar e aproveitar pra fazer o que tiver que fazer. Obedecer a Ele, custe o que custar. Amém.

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Ampulhetando


Mandei consertar o relógio que vovó me deu. Mandei emoldurar minha foto de formatura. Arrumei meu quarto, pus ordem nas caixas, no guarda-roupa, na bagunça toda. Ouvi música alta, escrevi sonetos. Colei a foto do Michael Jackson na porta e do Leonardo DiCaprio na parede ao lado, ambos novinhos ainda - sim, ainda tenho os resquícios da adolescência perdida em mim. Tô baixando a música "You give me something", do James Morrison. Meu dente inchou...

Frases no facebook surtem efeito e uma simples pergunta me rendeu um telefonema. Tentei um encontro pessoal pra uma conversa, mas diante da recusa, tudo foi dito e "explicado" pelo celular mesmo. Histórias antigas que se imbricam no que poderia ser a promessa do novo. Histórias que eu não sou obrigada a entender, e nem o outro a explicar.

Eu choro ainda, não pela perda da promessa ou pela perda de um amor, mas pela perda do respeito, da possível amizade e da lealdade. "Me esquece" eu disse, e apesar da dor e tristeza, senti um profundo orgulho de mim por ter sido firme. Bravo! Só eu sei o quanto isso me custa...

Estou aqui, menos idiotizada, com menos raiva, mais "relax". James Morrison, Jamiroquai, Travis, Train, tudo bem, é assim. Dessa vez não é simples conformação, é auto-conheciemnto e aceitação que vem com as tempestades da vida. Passou a minha "Virtual Insanity", e quero deixar pra lá; não olhar fotos ou perfis.

Ainda há um fato a aacontecer, e não sei quando há de ser, que é o que mais me preocupa. Será? estou na fase da reflexão e desapego, não desapego de não estar nem ai pra nada ou ninguém, mas no desapego daquilo ou de quem eu não devo, ou não posso, simplesmente. Não sei se é certo ou errado não mais insisitir, mas é o meu certo agora.

Tenho dado aulas ruins, e isso precisa mudar. estou sem motivação e preciso encontrá-la por mim mesma. É legal, mas é uma tarefa árdua que sempre tive que encarar nessa vida: encontrar o meu bem-estar, um lugar ao sol, ainda que sombreado, tudo por mim mesma. meus filhos, se os tiver, terão outra vida, mais facilidades, mais regalias, e já sinto inveja deles, sentimento do qual preciso me livrar. Preciso ser melhor: melhor professora, melhor colega de trabalho, melhor amiga, melhor vizinha, melhor comigo mesma.

Recebi um comentário interessante num poema que postei no recantodasletras. A pessoa disse que via q eu, ainda a sofrer, continuava amando. É isso mesmo. Não, não amo especificamente alguém, mas amo porque o amor está em mim, se é que dá pra entender isso que sinto. E é isso mesmo.

"And I won't sleep tonight!" ("Animal" - Neon Trees). Bye!
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