domingo, 31 de julho de 2011

Por muito tempo

e eu vou ouvindo meu CD "Arabian Nights"...

Por muito tempo, eu me achei única, incrível: não saía de casa e, no meu mundo cor de rosa, tinha absoluta certeza que um dia chegaria o meu príncipe, alguém que me tiraria do marasmo e seria tudo pra mim, me mostraria o mundo, o amor, tudo. Não foi assim...

Por muito tempo, minha individualidade me cegou, me achava única: não conhecia ninguém com meu nome, ninguém que escrevesse poemas, ninguém que fosse boa filha e um exemplo de conduta como eu, ninguém que se interessasse por inglês como eu, ninguém que gostasse do Hanson - saindo do meu mundo, encontrei tanta gente assim e muitos melhores do que eu... a gente vive em um mundo de ilusões em certo tempo da vida, no meu caso foi durante a adolescência não-vivida.

Por muito tempo, me iludi pensando que escrevia bem e minha voz era boa, só precisava ser trabalhada, que eu era mulher que todo homem gostaria de encontrar pra casar. Descobri que os homens não querem casar - talvez lá pelos 40, como já me disseram alguns, problema que vão querer as mais novas neh - que eu tenho defeitos que não julgava assim tão graves, mas volta e meia, alguém me acusa deles; gravei minha voz algumas vezes e a odeio desde então, minha prosa é só prosa mesmo... quanto a poesia, essa é o que me sobrou de bom e verdadeiro.

Por muito tempo me achei sem graça, desengonçada e feia, e de certa forma continuo me vendo assim. Por muito tempo, sonhei em me casar puramente de branco, preservando as características que me fizessem digna disso e por mais tempo ainda, escrevi, escrevi tudo que vinha à minha mente, comprava cadernos, escrevia diários, sobretudo poemas, o suficiente para muitos livros... por muito tempo, e até hoje, sonho com um livro meu...

E recentemente ando pensando e matutando e quase tendo a certeza de que ficarei só: tomei os caminhos errados, me afastei dEle, me afastei da igreja, onde possivelmente eu teria alguém, e agora me sinto usada - não experiente, mas usada e, infelizmente, aprendi a fazer o mesmo; aprendi a usar e magoar e ainda, depois de tanto tempo, tenho problemas em pedir desculpas, fazer o que é preciso, falar o que é preciso. Aprendi cama, mas não sei casa; aprendi uma noite, mas não aprendi dia a dia; aprendi ironia, mas não sinceridade; aprendi veneno, mas não antídoto. Aprendi todo o mal possível ao qual não fui apresentada nos meus anos dourados e inocentes e ingênuos da adolescência. Mas me firmo na verdade de fazer o bem sempre que possível e "Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens." (Romanos 12:18). Paz com todos, mas não com os homens...


Por muito tempo, tenho tido DRs de relacionamentos que não existem; aprendi a não confiar, mas meu coração, preservadamente inocente, teima em acreditar e confiar em um ou outro que aparece na minha vida. Já sei machucar, já sei usar, já sei descartar e esquecer, esnobar. Sei me apaixonar e quebrar sempre a cara também. Saberei amar? Amei um dia? Alguém me amou? ... quanta covardia às vezes... não dizemos e não dizem pra nós e vamos vivendo nos desencontros... e eu, supostamente alguém que devia levar a luz, me torno treva com o mundo...

e os ex continuam se arrumando... Bom domingo!!