sexta-feira, 22 de março de 2013

Dentes, Diamantes, Poesia e eu

dentedeleão

Inscrevo-me, concursos, concursos e mais concursos. Concurso do Estado-MG, no aguardo de, quem sabe, ser chamada; concurso literário, no aguardo de, quem sabe, ganhar 50.000!!!; concurso Coluni no aguardo de, quem sabe, ganhar um contrato até o fim desse ano... mas quando se tem uma concorrência que já viajou para os US aí fica difícil né... Enquanto isso, monitoria, trabalho - aulas - e falta de grana, normal. Não sei como certas pessoas conseguem guardar dinheiro, não sei como conseguem ter uma família. Toda vez que vou trabalhar lá pelas 6, vejo crianças saindo de uma escola ali perto, com mochilas bonitinhas, lacinhos e arquinhos na cabeça, tênis novos, uniformes... como fornecer tudo isso a uma criança com míseros dois, três salários mínimos? Sim, míseros, porque viver está ficando cada vez mais caro. Penso em egoísmo: estarei tendo-o por pensar bastante antes de ter um filho ou serei ainda mais egoísta por tê-lo apenas para satisfazer uma vontade pessoal, que dizem que nasce conosco, nós, mulheres? Esperar até quando pra ter "segurança", seja financeira, emocional? 

Não sei ganhar dinheiro, não sou daquelas pessoas empreendedoras ou criativas para finanças. Estou recebendo sempre atualizações de um blog que ensina como ganhar dinheiro com a internet, com seu blog. Vi algumas coisas que posso fazer, mas sei lá, a vida chama a gente pra certos lados para os quais não temos força de dizer não, simplesmente está em nós. Como está em mim escrever. Eu acredito que a gente nasce sabendo nada, mas sinto que de certa forma nasci com a poesia. No início, quando eu escrevia, eu era muito moldada por aquele padrão de rimas, quadras, e nem entendia nada disso, não formalmente. Passei pela graduação e ainda não entendo nada de métrica, não sigo, sigo a minha "musa", que muitas vezes, e na maioria, foi a depressão, ou distimia; outras raras vezes, a alegria adolescente ou mais madura, ainda que fugaz como dente de leão. E agora, beirando a idade dita da maturidade, tenho um sentimento novo despontando que não sei nomear, ou talvez não haja palavra para tal. Maturidade, ponto. 

Só que não. Ainda não consigo facilitar a convivência. Arrumo gatos e etiquetas e coisas. Respondo apenas, nunca inicio conversas. O namo me cobrou hoje sutilmente, perguntando se eu já tinha visto consulta com o psicólogo. Ainda não. Castração pra gata, ainda não. Doação da última gatinha, ainda não. O que espero? Meu espaço. Tenho sentido um cansaço terrível, excesso de sono, excesso de dores... Os livros teóricos sobre poesia? Ainda não. Mestrado? Ainda não. O que espero? Que me leiam aqui e pessoalmente. Que me adivinhem. Tenho preguiça de dizer as palavras, tenho medo, tenho nem-sei-quê... Faço essa cara fechada e blassé e despisto, parece que já superei, que estou nem aí, que deixa pra lá. Mas não, estou muito aí, sempre ligo apesar de não ligar. Brincar com as palavras - escritas - ah! que prazer! ser meio que dona delas, ah, que poder! Saber usá-las, ah, que privilégio! Sei? Poesiando eu sei. Me comunicando, sou uma negação. Lembro que meu tio, nada sutilmente, me disse isso; apaguei da memória as palavras exatas ditas asperamente, mas lembro da comparação com diamante bruto a ser burilado. Palavra feia, prefiro lapidado. Meu vocabulário sempre foi lapidado, limpo, preservado. Nada, jamais palavrões ou mesmo gírias, se bem que ultimamente escapa uma coisa aqui e ali. 

Diamante, dente de leão, o que sou, quem sou? Sempre em busca de identidade, escrevo só e somente só sobre mim, como Álvares de Azevedo escrevia sobre si, para alguns, e sobre sua própria poesia, para outros. Spleen. Porque as árvores somos nozes, caro Álvares. Imagino-o sentado à mesa tal como estou nesse momento, mas à sua frente não um notebook, obviamente, senão papéis, sua pena, tinteiro e o spleen que saía de si, e o pobre AA, sem um charuto real sequer, imaginava-o... E imagino-o imaginando-se fumando, tal qual um bardo, com seu uísque à mão, o rosto jovial embrutecido pelos sofrimentos da vida. Para mim, AA era todo imaginação. 

Meu espaço. Porque eu não estou sozinha nesse apartamento, para nossa alegria, amém. Bye.