sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Bom dia


Bom dia com céu cinzento e tudo, porque hoje é sexta, amanhã é sábado de trabalho dia todo, ao menos pra mim, e domingo é dia de leseira, de ficar panguando sem fazer nada e precisando fazer tudo.

Continuo na minha indecisão habitual, esperando que o impulso divino me empurre pra algumm lugar e, ao mesmo tempo, já me conformando e me afeiçoando a essa Viçosa - vai que vou ficando, vou ficando? ai tenho que me acostumar.  É assim que faço sempre, vou me acostumando, me costurando à paisagem do lugar e se tiver que de cá ser arrancada, vai doer. Vai doer porque me costurei a muitas vidas que não se costuraram à minha.

Costura. Eu fui costureira numa confecção de calças sociais, especificamente. Eu fazia mais o cós das calças, bolsos, pequenios detalhes. Errava muito e sempre e daquela confecção ganhei joelhos rangentes, parecem engrenagem velha, precisam de óleo, assim como as máquinas de costura, precisam, de tempos em tempos, ser totalmente desligadas, limpas e oleadas. Praticamente fiz questão de esquecer esse tempo em que trabalhava de segunda a sexta e, ao chegar final de semana, de tanto cansaço, não tinha ânimo pra fazer nada, só dormia, ou ficava deitada na cama pensando o que viria depois. Nada vinha porque eu nada fazia. Mas aí veio a visita da minha avó, o estranhamento dela comigo, a fragilidade dela, uma mulher outrora tão rabugenta e orgulhosa, independente, tornava-se agora frágil, dependente de cuidados médicos constantes. Era a vó chata, oposto da outra, a legal. Eu senti extrema compaixão de minha avó naquele estado frágil, mas não fiz muita coisa, apenas fiquei por perto, me comportando feito criança com medo de levar bronca a qualquer momento. Ela andava, sim, mas se não tomasse cuidado, se desequilibrava e caía com facilidade. Tombou duas vezes no box do banheiro, foi levada ao hospital, não voltou mais. Sua partida foi a alavanca, ou ao menos alavancou os acontecimentos pra que minha vida saísse da pasmaceira e entrasse num novo patamar pra o qual, analisando agora, eu não estava lá muito preparada. Não digo a vida acadêmica, porque a essa todos aprendemos a nos adequar de alguma forma, mas digo à vida lá fora, o social, os homens, os foras, as minhas ilusões e emoções desprezadas e jogadas morro abaixo, ufa, sofri d+. E tudo porque Ele, não sei por que, quis que eu viesse pra cá especificamente. Quis realizar minha vontade de universidade aqui no interior de Minas Gerais. Quis me testar e eu falhei? Ou não? Ou simplesmente atendeu uma vontade que borbulhava dentro de mim chamada por muitos de viver? Viver e quebrar a cara, erros e acertos, vergonhas e dor. E qual foi o saldo? Positivo - tô tentando ser otimista tá - apesar de tudo. E esse tudo é tanta coisa que não da pra contar assim. Quem me conheceu antes, percebe bem a mudança - pra pior ou melhor, que seja. Quem me conhece pós-viçosa, acha que eu sempre fui isso: sexo, drogas e rock'n'roll, feitas as devidas ressalvas. Eu sempre preciso de algo que considero correto em que me agarrar, e por isso me agarro ao fato de não ter graças ao bonissimo Deus, experimentado drogas, salvo por osmose. 

Aprendi tanta coisa útil e tanta inútil que até sinto saudade. Apesar de ainda estar com vinculo academico e estar na mesma cidade, eu me formei e isso é outra fase que muda tudo, estou por fora de todos os rocks, todas as festas, e ficar caçando diversão por uma noite num é mais comigo, apesar de lances aqui e ali. Porque como diz a filosofia atual, "traição é traição, romance é romance, amor é amor, e um lance é um lance". Dorme com um barulho desses, ou melhor, acorda! Bom dia.

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