domingo, 6 de novembro de 2011

O Retrato de Dorian Gray

Ben Barnes, que beleza...

Ontem assisti O Retrato de Dorian Gray. Além do lindo ator no papel principal, a história é intrigante. Dorian é um jovem romântico no início que tem seus valores logo deturpados por seu mais novo amigo Frank. este só não imaginava que havia despertado um demônio no jovem rapaz... e seu outro novo amigo, um pintor, faz um belíssimo quadro de Dorian que torna-se seu maior bem e mal também. Dorian torna-se um sedutor e cai na gandaia mesmo. Me identifiquei... depois ele tenta voltar a ser "bom", pede ajuda a um padre, mas nada consegue, as circusntâncias o impedem de voltar a ser ele mesmo... me identifiquei de novo. Só não quero acabar como ele, destruído. Enquanto se está vivo, tem chance, temos chance, tenho chance...

O filme é muito bem produzido, os atores ótimos, sobretudo Barnes e Collin Firth, que brilhou tbm em "O discurso do Rei". Não vou virar crítica de cinema agora, mas o filme tem uma bela fotografia, aquele clima da velha Londres, as pessoas envelhecendo enquanto Dorian continua belo e jovem, porém o obscuro de sua alma se reflete em seu retrato, que ele mantém trancado no sótão de sua mansão. Todos mantemos coisas no sótão do nosso insconsciente...

Eu queria escrever algo inusitado e importante hoje, queria falar nomes e falar de sentimentos relacionados a esses nomes.. no entanto, como disse Dorian Gray para Frank: "If I told you, I'd have to kill you". É engraçado como nos atamos a certas pessoas quase que involuntariamente, mas muito por querer. Pessoas que fazem enorme falta e diferença na nossa vida, ainda que tenham nos magoado profundamente, ainda que tenham nos pisado e ofendido de muitas maneiras, continuamos lá, por achar que talvez a pessoa valha a pena, ou antes, o nosso sentimento valha a pena, ou, mais a fundo, continuamos lá pra satisfazer o nosso ego - porque ainda que não a tenhamos por completo, é melhor um pouco de gostar do que o vazio, a sensação de não-pertença a ninguém, esse pouco que nos satisfaz a alma, dá uma sensação boa, mesmo que momentãnea. Na verdade, eu sou totalmente dependente dessa sensação de pertença, ainda que ilusória; dessa sensação de que alguém me quer, me deseja, me quer bem - ou me quer de alguma forma, já indo pra um lado mais doentio do negócio.

Enquanto assistia o filme, pensei que talvez eu tivesse tendências de ser um Dorian Gray pós-retrato: amante das mulheres, dos homens, das orgias, de masoquismo, de assassinatos... sempre penso coisas talvez altas e talvez baixas demais a meu respeito, e tenho a sensação de que não sou nada disso e também um pouco disso. Mistura.

Todos somos uns Dorain Gray. Não tão belos, por certo.... bye.



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