sábado, 5 de maio de 2012

The Reason

"got to find a reason, got to find a reason..."
tenho que achar uma razão, tenho que achar uma razão... 
(David Guetta - Love is Gone)

Tem muitos por quês rondando minha mente. Queria tanto dizer nomes, falar tudo aqui, porque cansei de pedir explicações a eles e a Ele e não obter nenhuma resposta. estive a ponto de explodir ontem, estou no meio-fio do quase total desepero, tentando me controlar para não bater minha própria cabeça na parede. Ontem mesmo me excedi com minha gata, que insistia em miar de madrugada. Dei uns tapas nela e fiquei com esse arranhão aí no dedo, nem sei se dá pra ver direito na foto. 

Tenho tanta fome e tanto medo e tanta vontade de zerar tudo, voltar pra São Paulo e pensar que Viçosa foi apenas um sonho. Ou pesadelo, dos bons. Tenho medo do que vou fazer ou do que vai acontecer todo dia quando acordo. bate uma insegurança, eu oro. Mas parece que Ele não está ouvindo. Preciso estar mais perto e mais atenta. Vou ter que tomar medidas drásticas. Sim, sei que já falei isso pra mim mesma mil vezes e algumas vezes pra alguns amigos, que não sei se me acreditam nem apóiam, mas, enfin, c'est la vie...

Meu grande medo de mulherzinha que sou: chegar aos 40 solteirona. Sim, porque aos 30 já estou praticamente chegando, ano que vem meu bolo terá trinta velinhas, não quero velas em forma de números, quero trinta velas normais, de bolo, fininhas, rosas e azuis, mas tem que ser 30 velas. É, e tem esse medo que é immediate future: chegar ano que vem no meu birthday alone, completely alone, or feeling lonely.

Eu precisava de um tempo. Ah o intercãmbio nessa hora seria uma benção, mas, como né... Poxa, preciso parar pra pensar, sem ninguém dar pitaco, sem influência exterior nem interior, se é que é possível. Precisava sair de mim mesma literalmente, porque às vezes simplesmente não suporto minha própria companhia, sinceramente. Ontem eu queria me bater e acabei batendo na gata. Precisei sangrar um pouco pra perceberque ainda estou aqui, que não sou transparente nem invisível, apesar das constantes ignorações que tenho sofrido. Como a gente consegue amar com uma força descomunal alguém que com a mesma força nos ignora? 

Feriados não me bastam, consultórios psicológicos também não; ano que vem vou dar um tempo em algum lugar. Quem sabe eu volte, quem sabe não. Mas ainda muita coisa vai acontecer nesse ano que mal começou e tem me feito tanto mal... Me pai, frequentemente tenho ficado sem ar, preciso respirar profundamente pra tentar raciocinar, dores de cabeça aqui e ali, céus, estou em crise de desepero, se é que existe isso. 

Sou atriz. Consegui, aos trancos e barrancos hoje, levantar-me às 6h50 e ir trabalhar. Dei as aulas normalmente, fiz as minhas gracinhas de sempre, fiz alunos sorrirem. Até hoje eu não entendi a utilidade da minha vida, o por que de eu estar aqui, o por que de tanta coisa ruim e contrária ao que eu sempre quis pra mim. Mas quando eu ensino, eu aprendo e faço alguém sorrir, relaxar um pouco do medo de se expressar numa lingua desconhecida, do medo de nunca saber inglês, etc, eu acho que estou aqui pra isso e, mesmo que eu tenha nascido somente pra ser ponte, valeu a minha vida. Eu não encontro muito sentido na minha vida, ou muita utilidade, mas talvez pra minha mãe tenha valido a pena me esperar 9 meses e me ver não chorando, mas dormindo, sair de seu ventre. Já vim a esse mundo com preguiça de viver, talvez eu já antevesse tudo. 

Estou aqui em frente ao campo do Itaú e o frio começa a se intensificar. Hora de ir. Hora de decisões sérias, hora de conversar sério com Ele, amém. Bye.

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