terça-feira, 6 de março de 2012

Owl II


Olha não sou daqui
diga onde estou
não há tempo, não há nada
que me faça ser quem sou
mas sem parar pra pensar
sigo estradas, sigo pistas pra me achar...    (Pato Fu - Antes que seja tarde)

Estou acordada feito coruja, mas morrendo de sono. Tem um pessoal aqui atrás de casa que toca e canta moda de viola. E eu tenho saudade de um tempo que não volta. Saudade de quando eu não errava. Ou ao menos só errava em pensamento. Passava horas a fio mergulhada na minha própria imaginação e era um saco aquilo, apesar de ter me rendido tantos poemas. Saudade mesmo de quando eu não bebia, não saía, não.. fazia coisas que agora faço, mas que ainda acho condenáveis. Saudade de não estar em cima do muro, de ter a plena certeza de estar no caminho certo... saudade de só ter a vontade normal de experimentar o mundo, mas não ousar pôr o pé fora da linha. Faltava-me oportunidade de ser o que agora sou, vivida. Em termos. Não sei o por que de muita coisa ter acontecido, mas sei que há um propósito maior. E não sei por que também não consigo voltar a mim, é como se eu tivesse desmaiado, morrido mesmo, e a alma já acordou em outro corpo, outra vida, enquanto parte do meu espírito continua lá, inutilmente dando tapinhas no meu rosto de 22 anos;;; foi quando desmaiei em São Paulo e acordei em Viçosa. Mas ainda não havia morrido até que os acontecimentos me atropelaram e as decisões erradas me obstacularam. E agora me sin to jogada num canto meio sem saber que rumo tomar porque tudo que faço me parece errado, duvidoso, pecado.

Não consigo dizer não à nada; a libertinagem, a bebida, a igreja, a Deus... será? Não há meio-termo, somente dois caminhos. E vivo sob o peso de ter que escolher, escolher de verdade agora que conheço os dois lados. Já escolhi, mas não sigo do jeito que gostaria, do jeito mais correto, mais próximo de Deus, mais certo mesmo. 

E a minha vida espiritual me dá asas pra voar sob os cuidados dEle, mas ainda me iludo com os banquetes infernais. Agnus Dei, valha-me. Amém.

...

Owl

"Odi et amo. Quare id faciam, fortasse requiris. Nescio, sed fieri sentio et excrucior."

"Odeio e amo. Talvez me perguntes por que procedo assim. Não sei, mas sinto isso dentro de mim e me angustio"

Catulo.

Pousou uma coruja na minha janela. Lembrei-me de Poe e seu corvo "nevermore!", lembrei-me dos dizeres de vovó, "Esse bicho agourento!" e fui logo dizendo, mas da boca nada saiu. Olhei-a nos olhos e foi ela quem me disse "Time, tempo, tiempo... nada é por acaso!". A voz era calma e sábia. Ela não ia me bicar nem nada, só vinha me trazer alento à alma, já que naquele momento eu queria sim conversar com alguém, mas alguém não achei que seria uma coruja. lembrei-me da atriz Ana Lúcia Torre, que se parece bem com uma. Pareço-me com que, pensei sem tirar os olhos da coruja parda que pousara em minha janela. "Você", ela disse. Estava me respondendo? Ela deu um giro de 360 com a cabeça e foi embora.

Não sei escrever fábulas e a coruja seria sim uma boa visita... Tenho a sensação de alguma visita por esses dias, não sei. Será que é a sensação de visita próxima ou será que é o que quero? Mas quereria eu visita de quem? Ah, muita gente. Explicações, gostaria. Talvez eu esteja com saudades, e estou, não sei bem do que ou de quem. Tenho saudade de gente: meus sobrinhos, meus amigos que não ficam sempre comigo, família... me deu saudade assim de repente de ter gente por perto. Tenho saudade de tempos: da infancia, da escola, da inocência. Saudade de momentos em que não estava sozinha, momentos raros e caros à minha memória. Queria não lembrar, mas é praticamente impossível. E assim ataca a TPM... quando eu oenso que é ela, até me controlo melhor.

Como doce de leite com coco Viçosa nesse momento. Passo por fases: ontem foi uma pontada de tristeza e saudades, quando comecei a escrever esse texto. Hoje é a fome de doce. Amanhã veremos.

Sonhei com um dos ex-ele. Estávamos conversando sobre a morte iminente do avô dele, e ele falava com a maior naturalidade. Eu disse que não tinha mais meus avós e ele disse problema seu, zombando - coisas de sonho... Depois nos beijamos enquanto ele me pegava no colo e era como se eu estivesse de noiva. Ah sonho!

Consegui contratar o cheque especial, graças a Deus. Otherwise, I would pass starvation. Mais dívida junto ao banco, mas é o jeito. E desse jeito, Canadá? Quem sabe. Não estou me mechendo pra nada, nem pro Canadá, nem pro mestrado, nada. Não sei pra onde atirar e vou levando a minha segunda graduação. Tive aula de latin II hoje, é a única disciplina que estou a fazer. E gostei do verso acima. To querendo mudar o layout, do blog e de mim. Vazio, frio... rumos. Bye.

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