domingo, 19 de agosto de 2012

Aceito tudo - ou sobre a adrenalina e o tempo


"Ah eu pensei que é indo, caminhando, mas não fui 
para um sonho diferente que se realiza e reproduz
e pensando fui seguindo num caminho estreito cheio de tombo..."

(Di Melo - "Aceito tudo")

Quando eu tinha 15 anos, por aí, parecia que o tempo não passava, que ficaria eternamente na escola, estudando, estudando e não indo a lugar algum, Mas descobri que isso de estudar a vida inteira existe e leva a muitos lugares, depende-se dos rumos e decisões  serem tomados. Eu nunca fui de tomar decisões. Ia pra escola meio sem saber por que; tinha que ir. Tinha que assistir tv, brincar com o bichinho virtual e com os cães e gatos que tinha na época, tinha que brigar com meus irmãos, tinha que ficar olhando pro horizonte á noite, horizonte esse que eu não via. Tudo que via da minha janela - quarto meu e dos irmãos - eram os barracos de madeira construídos sobre o lixão. Eventualmente via ratos passeando pelos telhados, gatos também. Não via futuro. Não sabia o que viria pela frente mas acreditava piamente que Deus ia mudar tudo, dar um jeito em tudo. E assim foi. Pra meu bem ou mal.

Agora parece que o tempo se acelera - acelera-se? - mas sinto que passa no seu normal. Que quando eu me der conta, vou ver a minha pele toda enrugada e não fiz muita coisa. Mas terei feito o que foi possível, o que me foi possível. Não goston de pensar que vou me arrepender por ter feito isso ou aquilo ou por não ter feito. Não vou. Já estou aceitando que sou assim e talvez minha vida não seja pontuada por grandes realizações, não aquelas que saem nos jornais ou no guiness book, mas grandes realizações pessoais, isso tenho certeza que vai ter. Um passo rápido para uma tartaruga é um grande feito. 

Estou no automático, acho. Isto é, estou procurando estar, porque o meu lado emocional é forte e dramático. Ontem estive em um churrasco com pessoas do mestrado de linguística e foi bom, não me senti menos que ninguém, isso porque conhecia a maioria ali, veteranos, calouros e pessoas da minha turma também. Tiramos fotos bobas, falamos bobeiras, rimos. Foi bom. Depois voltei pra casa e no meio do caminho havia uma pedra. Aliás, havia um Camelo e uma Vaca, cruzamento estranho. Foi difícil não olhar e não se importar... havia também um cachorro que me seguia sentindo o cheiro das minhas carnes, isto é, das carnes que eu trazia, sobras do churrasco. Dei-lhe um pedaço que ficou passado demais na esperança de que ele se fosse, mas ele queria mais, o pobre. Duas vezes corri feito louca dele, mas estava mesmo precisando sentir meu coração bater. Depois ainda estiquei a noite nas baladas da vida. Estava elétrica e ainda estou, apesar do cansaço de uma jornada de trabalho de dez horas nesse último sábado. Acho bom às vezes quando tenho muito trabalho porque aí não dá tempo mesmo de pensar muita na minha própria vida. Automático mode on. 

That's all, folks. Bye.