quarta-feira, 11 de setembro de 2013

She


Costumo guardar lixos, coisas inúteis que as pessoas geralmente descartam: cartões antigos, papel de carta, papel de presente, sacolas, contact - aquele plástico adesivo transparente. Sempre acho que terão utilidade e, finalmente, hoje parte dessas coisas teve alguma. Acabo de entrar de férias e já sinto um certo ócio, falta do que fazer. Hoje inventei de encapar duas caixas com papel velho de presente. Pensei em fazer um espaço pra colocar as coisas da minha bebê. Tá chegando a hora e é tão terno e emocionante pensar nela aqui, daqui a pouco. Me dá uma languidez, uma coisa meio inexplicável, uma felicidade simples ... eu lembro do tempo que eu reclamava e invejava as pessoas que tinham alguém - ficante, namorado, rolo, marido, sei-lá - e agora alcancei essa pequena felicidade que se estendeu até ela, nossa filha. Tenho ficado cada vez mais emotiva, mais próxima dela. Minha barriga ondula com tanta movimentação, meu corpo está inchado, feio, me canso fácil e durmo muito, mas é uma experiência realmente única. Acho que todas as mulheres deveriam passar por ela, mesmo as mais militantes do contra. Até a algum tempo atrás, eu não pensava que seria capaz; ainda que não planejado, a gravidez está sendo no mínimo interessante. É um processo muito louco, muito misterioso, muito divino. 
Ela não tem quarto, vai ter um berço em breve, uma banheira. Já tem muitas roupinhas, tem pai e mãe, avós, primos, agregados. Tem um mundo, um nome já escolhido e bordado em toalhinhas e terá gatinhos também - minha Calabresa está prenha de novo. 
Minha emotividade está tão alta e abalada que chorei no final do filme Um lugar chamado Notting Hill. E a música intitula-se She, ela. É pra Lídia também, minha surpresa desse ano, a mais esperada. Bye :)