sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Trangressões

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É preciso transgredir às vezes
desafiar as leis divinas e dos homens
ser você
ser puramente você, se é que isso é possível...
puramente eu não sou
estou fumando na minha janela
no quarto onde há menos de um mês
mamãe esteve
formatura...
eu fumo na minha janela
um instante, um free, queria um black
eu só to fumando por fumar
eu só to fumando pra transgredir, brincar
a gente acha, por um segundo, que pode tudo
mas eu logo volto às minhas amarras
e sinto que fiz algo errado
um peso, uma dor, um peso de amor
over my shoulders
eu faria prosa, sempre vou ao verso
reverso de mim

Eu fumo na minha janela
a minha janela, à minha janela
nada faço por menos
eu só sou eu comigo mesma
crises vêm e vão
a vida, pouca e pequena
eu digo viver
eu digo aproveitar
voltei às 10h30 da manhã de hoje pra casa
ontem uma amiga, eu, um rapaz
depois eu, o rapaz
depois era uma coisa só...
um veneno cor do pecado
as nossas peles indígenas
o sabor de um primeiro beijo pós intervenção ortodôntica
meu sorriso metalizado
o cabelo comprido dele
as nossas peles indígenas... nos encontramos num futuro presente do passado de nossos pais
nos casariamos numa oca
e eu seria eternamente dele
esperando ele voltar da caça...

Uma amiga, eu, ele
tudo é uma caça, uma transgressão
quando uma mulher poderia olhar pra um homem assim
a uns tempos atrás? nunca!
quando um rapaz poderia tocar uma moça sem casar? nunca!
quando nossas peles tão indígenas poderiam se encontrar
e a gente mergulhar num emaranhado de eu, de mais, de gemidos, de suor?
nunca!

Sei que é preciso transgredir
mas não é bem por aí...
minhas crises vêm...
e eu acredito que existe a regra universal. amém...

R. Mel