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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Ensaio sobre a pobreza

"Eu só quero é ser feliz andar tranquilamente na favela onde eu nasci e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar"
Sempre declarei em alto e bom som que sou pobre. E o que é ser pobre? Envolve muita coisa, tal como falta de acesso à uma determinada sociedade/cultura que frequenta teatro, desfiles de moda, museus, livrarias renomadas, tardes de autógrafos, cursos gastronômicos, de decoração, de moda, festas badaladas, música erudita, se veste bem (roupas caras das marcas consideradas melhores), mora bem (mansões, de preferência, ou modestas casas recheadas de bom gosto, que seria ter bons móveis do tipo vintage, que agora estão na moda), porta-se bem à mesa, fala inglês fluente e domina seu idioma além de uma ou outra língua, entende de música, lê poesia, pode falar dos mais variados assuntos, dentre outras características. Bom, mas isso tudo acontece do outro lado também, talvez com menos requinte, mas os chamados pobres ou favelados tem tudo isso de sua …

As (im)possibilidades do amor

Raça, classe social: A "neguinha" pobre com o branco rico e letrado. Deu certo na novela...

Classe social: o artista pobre que tira sorte grande indo viajar num luxuoso navio se envolve com a menininha rica, cansada de ser "pau-mandado" da mãe e da sociedade em geral. Deu certo no filme, isso porque ele acaba morrendo...

Classe social: Menininha rica passa férias com a família em resort de luxo e cai de amores por professor de dança pobre e sedutor. Deu certo no filme... quer dizer, nem lembro direito rs...

Amigos: amigos que combinam de dormir juntos eventualmente, sem nenhum compromisso, e acabam fisgados pela vontade de estar compromissados... bom, pelo menos foi isso que li, não assisti o filme. Deu certo no filme... deu?

O jeca e a letrada, professora e aluno, idade: Jeca começa a frequentar escola e cai de amores pela professora, anos mais nova e mais letrada, que a principio resiste, mas cede ao bronco por sua sensibilidade, simplicidade e doçura. Deu certo…

My life is brilliant, por Bruno HG

São Paulo

É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Sampa - Caetano Veloso
Mudei pra lá com 4 anos. Morávamos bem perto do Anhangabaú, passeávamos no viaduto Santa Efigênia, viaduto do Chá, íamos ao Municipal - infelizmente só do lado de fora - e ainda existia o Mapping... A cidade era minha, nossa, de meus irmãos, nosso parque tão particular e tão público. Gostávamos de pegar metrô, passar na catraca, tentar se equilibrar dentro dos vagões brincando de surfista, ir à Biblioteca nos fins de semana, passear no centro, visitar o Museu do Ipiranga, o Parque Dom Pedro, a Praça da Sé, ponto zero da cidade. No meio da praça tem uma espécie de mapa em pedra, no topo de uma pequena "construção", não sei o nome, mas que pra mim era gigante, nunca alcancei. Tenho uma cicatriz de quando me machuquei ali num momumento que tem ou tinha na Praça Clóvis. Pegar ônibus elétrico ou chifrudo era uma aventura e uma …

On the other side

Tenho tido problemas com sono, não falta de, muito pelo contrário, excesso. Na minha análise pseudo-psiquiátrica-psicológica quiçá pedagógica, parece que me ocorre uma sublimação da vida no seu todo: enquanto sou completamente morta e sem nenhum sinal de entusiasmo para absolutamente nada, por outro lado meu corpo reage me dando excessos de coisas ruins: medo, ansiedade, apego ao passado, lembranças que nunca se apagam, preguiça, sono, cansaço, alergia ao calor, erupções cutâneas por conta disso, dores, fome, esta última justamente quando je ne pais d'argent e ainda me proponho a emagrecer, me exercitar, blá-blá-blá... balela, nunca cumpro.
O que mais me está intrigando é o excesso de sono. Hoje mesmo estava lá na monitoria e ele veio e me pegou de jeito. Baixei a cabeça por sobre os braços na mesa e dormi, mesmo. Percebi uma movimentação do lado de fora da sala e despertei. Um pessoal usou a sala, com a minha permissão, ao contrário da professora que roubou a sala que estava res…

Pra você viver mais...

"Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar"

Canção Pra Você viver mais - Pato Fu
Escolhi um título que remete a uma música, pus o vídeo de outra, uma citação da do título, eu sei, mas é isso, confusão e medo, e sensação plena de ter alguém com quem contar, sempre, certeza. Hoje completam quatro meses de quero-que-vá-pra-frente. A gente pode errar, mas estaremos nas mais belas e melhores intenções, ainda que não cheguemos lá: sempre penso nos poréns... Pra não falar mais, deixo que ele viva mais, não ele, mas o nosso amor, sim, o nosso discutível e louco amor... deixo o Poema de 4:


Códigos

Há tempos penso em escrever sobre senhas, os códigos que aparecem antes de postarmos comentários em blogs e alguns sites. mas não sei o que escrever direito. Tenho lido, por conta da prova do master degree, que a palavra traz à existência o que não existe - dã, só agora o homem contemporâneo foi se dar conta de uma coisa que está escrita há séculos?? - e a iniciativa de quem a enuncia pode ser recebida na forma de estranhamento e rejeição, tal como Freud cunhou o termo inconsciente... E o que isso tem a ver com senhas, códigos de segurança? Não sei, mas me parece que não são coisas tão alheias assim porque têm o objetivo de provar que o ser que está na frente da tela é humano, homo sapiens. Sim, porque já me deparei com o seguinte: Prove que vc não é um robô. Digite o código abaixo. Ou ainda: prove que vc é real, prove que você é humano, etc etc.
Humano, real, robô. Essas coisas fazem sentido? Sim, no nosso contexto atual tem um determinado sentido aceito, não são palavras desconheci…

Invisibilidade da identidade

"No pain inside... nothing can touch me..." Pink - Sobber
Ainda tem a dor por dentro, mas vou levando... a dor é pior quando só se tem o apoio da solidão do próprio quarto, da cama, as lágrimas no travesseiro ou mesmo a máscara do eu-finjo-ser-forte...
Tem os gigantes. Domingo na igreja falou-se de gigantes... quanto maiores, melhores, maior a vitória; mas que dá medo, dá! Eu consigo rir do meu sofrimento e dos meus amorecos de adolescência hoje, mas na época achava que aquela dor nunca ia passar... era um sentimento autêntico, a dor; a ilusão do amor, nem tanto. Espero que na próxima década eu consiga rir também, porque por enquanto, não.
Tem os projetos. Vou subir de cargo, vou ter mais turmas, mais responsabilidade; vou ter possivelmente o mestrado, estudar mais a fundo coisas que nos inquietam a respeito da língua (estrangeira e materna) e seu processo de ensino e aprendizagem.  Identidades... me ocorreu hoje invisibilidade enquanto lia um texto para prova do mestrado. A …

Olha, não sou daqui...

Estou tentando não sofrer da minha ansiedade aguda.
- Eu sabia o nome do distúrbio... - disse meu namo - Que distúrbio? - perguntei enquanto catávamos o macarrão cru que ele derramou todo no chão da cozinha, ao abrir tão delicadamente o pacote. - Esse distúrbio que você tem... na mesma hora que vc tá feliz, vc tá triste, na mesma hora que está triste, tá brava, feliz... - É distimia, mô, é daquele livro que eu te mostrei! - hm.. é...
Eu sei o que tenho, como tenho, o que sinto, como sinto. Disse à ele que a música "Antes que seja tarde" do Patofú era pra mim, era minha, ele indagou por que, eu disse que explicava depois... e precisa?
Na verdade continuo sob a mesma condição
distraindo a verdade e enganando o coração...

Mas precisa explicar sim, porque ele é claro e objetivo, e eu sempre quero que as pessoas simplesmente me advinhem, mas não são capazes, nem eu sou, apesar de que na maior parte das vezes faço sempre uma boa leitura alheia.
Leio blogs de desconhecidas e desconh…

O Estilete - part II

"Assim diz o Senhor DEUS, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram." Isaías 56:8
ATO 2 CENA 1 Mozilla Doida Coro - o gato Lúcifer
Diálogo truncado entre os personagens. Ainda no ônibus, banhada de lágrimas, Doida Summer acaba de desligar o celular na cara de Mozilla. Uns minutos depois, ele lhe dá um toque, ela retorna: - Oi...
- Acalmou?
- .. sim.
- Então... pensa em tudo que eu te disse, tá?
-Tá.
- Bju, te amo.
- Bju. Tchau.

A pergunta "o que é mais importante pra vc agora" ecoa na cabeça de Doida. "Dinheiro" ela havia respondido. Mas não era. 
O gato Lúcifer -  Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro. (NVI) Mateus 6:24

CENA 2 - Em Viçosa Mozilla Doida Coro - a cidade personificada num mendigo
Doida cochila. Ao abrir os olhos, vê o trevo que levao ao espaço FAMA, reconhece a cidade pere…

O Estilete

"O coração de uma mulher é um oceano cheio de segredos" Rose, Titanic

O ESTILETE
Prólogo: Pensei que ontem usaria pela prima vez meu estilete em carne humana. Por um segundo não foi porque não lembrei-me dele.
ATO 1 CENA 1 - O devaneio que se torna real Personagens: O Duas Caras A Namovaca do Duas Caras Doida Summer Bus Driver Funcionário Conhecido O Coro - que podem ser um bando de Tirésias, o gato de botas ou preferencialmente o gato de Alice, Lúcifer. 
CENÁRIO Terminal Rodoviário Tietê. Doida Summer chega à Rodoviária, vai para sua plataforma e depara-se com Duas Caras e a Namovaca. Estão de costas. Doida Summer para bruscamente, suspira, segura firme a mala em riste e passa feito trator por eles. Ouve a Namovaca:
- Nossa! (voz estridente de loura-burra).
Doida segue para a fila de bagagens de baixo, pedindo desculpas às pessoas do outro lado em quem esbarrou. Olha furtivamente para trás, seu olhar se encontra com o da Namovaca-loura-burra. Doida entrega a mala ao funcio…

Picando a mula

Hoje foi aniversário dos babies gêmeos, Bryan Mateus e Ana Clara. Passei a manhã com o menino e não devo vê-los mais, já que volto pra Viçosa amanhã à noite. Tampouco fui à festinha que tiveram - coisas familiares... Saí, fui ao Shopping Metrô Tatuapé, comprei meu óculos escuro finalmente e recarreguei o celular. Estou com um Claro agora, além do Tim (quase aposentado) e o Vivo.
Meu irmão mais novo, o pai dos babies, me disse que pelo menos estou inteira, apesar da idade, que ele pasmou ao saber... Engraçado, não me pesa. Me sinto constrangida ao me pegar muitas vezes usando roupas que gostaria de usar quando era adolescente e não pude... Mas falo minha idade de boa, talvez porque tem sempre alguém que se surpreende dizendo, "Não...!" com aquela cara, não sei por quê. Isso está relacionado talvez a nossa visão ocidental da idade, em que, passando dos 25, já é muito, e se vc não tem casa, carro, pés de galinha e rugas, "Não parece!!". 
Não parece que Bryan tem 3 a…