sábado, 1 de junho de 2013

Traditore

Tão bonito e seguindo uma religião tão estranha. Famosos e seu mundo...

"Gosto de adiar meus prazeres", disse Tom Cruise em algum filme. Esqueci o nome do filme e o do personagem, o que é estranho, mas lembro da frase e do sorriso de contentamento na cara de Tom, prestes a saborear mais uma mulher. Pensei, estranhamente naquele momento e até hoje, que sou também assim: adio prazeres, nem sempre estando no controle deles. É como gostar de sofrer, ainda que não se tenha o controle da dor. A imaginação entra como doadora do poder de que se necessita. Finge-se estar no controle da situação para não se ferir mais ainda. Voltei a pensar nesse assunto hoje por uma bobagem: eu terminava de conferir um texto que traduzi, estava agora prestes a terminá-lo, o que me dá uma certa adrenalina, e então desviei a atenção para um jogo de Paciência. Adiei o término, o prazer do trabalho pronto. tenho me revelado versátil ultimamente: professora, revisora, tradutora, tudo com muito esmero. Na verdade, não posso dizer que dou aulas com muito esmero, tem se tornado um trabalho mecânico e sei que isso não é bom. Estou focando mais na área de revisão e tradução, pretendendo aí um concurso... 2014 querendo o Senhor, estarei lá. Estou até criando um blog de revisão e umas ideias borbulham... a tarefa da revisão é técnica, mas altamente subjetiva, creio. Voltando ao texto que eu traduzi, havia uma frase em inglês que ficou difícil de indicar referente. Fiz uma escolha lógica baseada no todo do texto. Traduttore, traditore, frase que ouvi em 2006 de um professor e jamais esqueci. Fate. 
Fate, fate... como tenho pensado nisso ultimamente: destino, sina, estava escrito. Que estava escrito eu sei, mas não determinado, acho que já escrevi sobre isso. Parece que tudo caminha para a fechada de um círculo em nossas vidas, está tudo ligado, tipo malhação conectados. Só que não rs...

De repente me dá vontade louca de mudar de parágrafo,
virar a página,
por ponto final em certos períodos, vírgula em outros
e deixar mesoclisar, sei lá...

Dá medo da página em branco, mas ela lá está
como ano novo ou virada radical
como abrir mão de coisas e doer
dói mesmo...
mas a mesmice machuca o presente
e a mancha de café na página que já foi é dose...
a página que foi é conhecida
o que dizer da que virá?

Medo...
mas, mudemos, enfim, de parágrafo... ou página.


É, adiar prazeres em função de algo maior. A palavra de ordem de hoje é seja feliz, não importa como, busque sua própria vontade, seus prazeres, sua liberdade, que se dane o outro, opa, não respeitando o outro. Mas como respeitar o outro se o que busco pode ferir o outro? Vi num blog feminista um aconselhamento para uma adepta do poliamor: que ela não está fazendo nada de errado! está sim, porque está casada e querendo outros, está ferindo o marido! Acho estranho essa concepção de liberdade do mundo de hoje, que parece mais libertinagem. Acho que tudo precisa de regras e ordem, senão não funciona. Adiar prazeres e esperar a hora de poder aproveitá-los, eis a chave e a dificuldade de todos nós. Esperar. Amém, bye.