sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ars


Sinto que amo
sem vírgula nem aposto
aposto no futuro
do pretérito,
subjuntivo
tão subjetivo é
esse amor

Rebeca Melo, eu :)

Somos completamente antisociais. Ficamos perdidinhos, não sabemos se um, dois ou três beijos, se abraça, se só aperta a mão. Etiqueta, nos interessamos, mas só como arte a estudar, não como prática a exercitar. Moda, conceitos, decoração, poesia, literatura, pinturas, desenhos, quadros, entendemos de tudo um pouco. Altamente sensíveis, sabemos ouvir muito mais do que falar, porque nos falta a habilidade de boa comunicação oral, apesar da nossa ânsia por essa comunicação, que acaba saindo em forma de arte, das mais variadas, desde grafite ao ballet. Nossa arte é nossa fala. 

Mas tem as crises: de identidade, de nervoso, estresse, esquizofrenia, bipolaridade, distimia, depressão, tão comum a nós. Alguns tem pouco ou nenhum controle sobre isso. Se matam. Cortam a própria orelha. Tomam veneno. Apunhalam o próprio peito. Ou até mesmo continuam (sobre)vivendo. Sinistro...

Acreditamos em silêncio em Deus porque só sabemos explicá-lo para nós mesmos, no silêncio de uma tarde chuvosa, produzindo. Sempre produzindo. 

De repente hoje, cansada, subindo meu morro antes de chegar ao apê, como de costume, percebi que estou desse lado de cá: não vou receber flores ou ser musa inspiradora de poemas; não inspirarei músicos ou grandes feitos heróicos. Eu que farei tudo pela outra parte... mas sou mulher e quero esses mimos; sou também o que somos: artista(s). 

Boa noite.

Das coisas que sei - ou um pouco da minha Saga, part I


Eu que tinha tudo, hoje estou mudo, estou mudado, à meia noite, à meia luz, pensando, daria tudo por um modo de esquecer...
 
Tem hora que dá um nó, uma saudade de coisa que só nos fez mal, tipo no meu caso cair na gandaia, sair. Não posso. Tenho a doença da falta de domínio próprio: minha vontade está à mercê do outro, o que disserem, assim será. 

Na minha primeira década de vida meu mundo e tudo o mais foi regulado por meus pais e a Igreja (evangélica). Eu estava bem, estabilizada, descobrindo o mundo em que vivia e absorvendo-o. Fui a criança bicho do mato. Fiz xixi na calça na escola por vergonha de pedir à professora para ir ao banheiro, já que ela negava tal pedido aos meninos bagunceiros, fato que eu não captei na época. Fugia das aulas de educação física por pura falta de interesse nelas e posteriormente por vergonha de minhas pernas foliculosas e finas. Meus irmãos eram os meus amigos. Tudo estava bem porque meus pais é que eram os adultos que cuidavam de tudo, eram os poderosos. Me tornei uma adolescente completamente encimesmada, chorava por tudo, romantica ao extremo e peguei em Leonardo DiCaprio para direcionar minha paixão ou frustração.

Hoje, ah, hoje! Quanta coisa! Duas músicas me resumem nesse momento: "Coisas que eu sei" da Danni Carlos, e "Meu mundo e nada mais" do maravilhoso Guilherme Arantes. A música do Guilherem narra o que me houve antes; depois vem o aceitar, o conhecer-se e dizer: "Agora eu sei!" como na música da Danni. Mas que adianta agora saber se quando eu precisava, não sabia e metia os pés pelas mãos? Agora tem a serenidade de aceitar que foi assim e o orgulho de finalmente saber, ainda que tarde, ainda que tenha aquela coisa de ficar pensando.. "ah se eu tivesse feito isso, dito isso, talvez..." só que não, girl.

Eu sei que tudo, ao menos na minha vida, se ligou de alguma forma... as malditas aulas de educação física ecoando no meu futuro, trazendo sempre sofrimento... o meu romantismo e repressão exacerbados que culminaram numa busca incessante de festas e braços alheios, bares, gandaia, gandaia, gandaia... o meu desejo de casamento antes dos trinta que não será atendido e o meu fechamento pro mundo quando disse Enough! e ai coisas começaram a acontecer. Comecei a ser adulta, acho. Ainda gosto de música nos ouvidos e dar uma dançadinha quando ninguém olha. Ainda ouço Backstreet Boys, *NSync e Hanson. Ouço agora também Thalles Roberto, Aline Barros... vejo videos de pastores e comentários jogando pedra porque as pessoas acham tudo que está na Bíblia absurdo. Absurdo mesmo é esse afastamento de Deus, a ponto de se criar a máxima, a verdade que é veículada de que Deus é invenção da psiquê humana e a Bíblia mero livro literário. Ora pois, me poupe. vejo também vídeo de igrejas americanas que mandam ajuda para Uganda e financiam o crime contra homossexuais. Sim, a Bíblia, mero livro literário, condena tal comportamento, mas não manda ninguém matar por essa escolha. Isso não é Deus, isso é envergonhar e torcer o que diz a Bíblia, agir por conta própria. Isso sempre é bastante divulgado exatamente pra que nossa palavra, a dos cristãos, seja ridicularizada e nos apontem; pra que todos os ateus e simpatizantes tenham base pra dizer que um Deus que manda fazer isso não existe ou então desculpa pra não crer nEle, porque como crer num Deus sangunário? Atitudes humanas distorcidas dão nisso... Ele não mandou nada disso, Jesus veio e pregou tolerância e amor, ele estava sempre no meio de pescadores, publicanos, pecadores, gente que queria condená-lo, matá-lo, e ele não matou ninguém por sua conduta, apensa por sua palavra e exemplo, as pessoas mudavam, ou não, porque cada um faz a sua escolha.

Li hoje Rachel de Queiroz na sua crônica Talvez o Último Desejo. Queria dizer também dana-te (hoje seria dane-se ou f0d@-se) pra muita gente mesquinha que não vê que a essência do mundo é Deus. Gente que vai à igreja pra zombar e nem se presta a ouvir primeiro e sai julgando. Gente que não acredita em maldição hereditária, o que está diretamente relacionado ao poder da palavra, desde que o Senhor criou tudo através dela, de encunciados imperativos. Dana-te tudo, as pessoas que não aceitam seu próprio corpo e se mutilam - tatoos exageradas, piercings, alargadores, cirurgias radicais, inclusive de troca de sexo. Ah, cansei... e minhas escolhas ou natureza ou sei-lá-o-quê me fazem reviver a adolescência: estou me reservando cada vez mais, vivo, trabalho, como, durmo, vou ao banheiro, mas... acho que não terei convidados para o festejo dos 30. Ou sim. Só sinto falta, ainda, agora, do já-vivido. Do que já sei, mas reformulado. Sair, talvez. beber, não. Ir aqui ou ali com não-sei-quem, não. Escolhas implicam perdas e eu sei. "Agora eu sei!". Que seja.

Tenho medo do futuro e não quero ir. A vida empurra e parece que a minha realmente é brilliant nisso, graças à Ele, amém.