domingo, 30 de outubro de 2011

Esclarecimentos

sad lion.

Noites leoninas nem sempre trazem boas lembranças, ainda que estejamos com os amigos .... triste... mas deixemos as lamúrias para outras lamúrias:

Voltei hoje de OP, fiz a prova, mas fui por ir, por já ter pago, e não achei a prova difícil, mas tenho certeza que errei algumas bobeiras: eram 10 questões de português, 5 de conhecimentos gerais, 5 sobre o estatuto do servidor e mais 20 de conhecimentos específicos. No meu caso, a ultima parte era toda em inglês, mas estava bem fácil. Tinha um ex meu na van, ele passou mal e disse que vai parar de beber - hahaha... minha prima também foi, e até que foi bom dar uma escapada nesse domingo, ainda que eu tenha atrasado a minha vida toda e ainda tenha tido uma crise na ida: cheguei a chorar ao som de Paula Fernandes. Esse mal estar adveio da noite de ontem e também de fome: logo depois que tomei uma H2O e almocei, fiquei bem melhor. E também, o mal estar, da minha sensação eterna de solidão: fiquei pensando na vida da minha prima, cuja pai a levaria a OP se ela quisesse, mas ela preferiu ir de excursão na van; cujo namorado a levou de manhã cedo até a van. E eu estava lá, sem nem conhecer ninguém além dela e do ex meu, sem que meus pais me liguem pra saber como estou e o que estou fazendo, sem que alguém me desse um abraço antes de eu entrar na van, me desejando sorte. A vida toda tive essa sensação de solidão, de que ninguém se importa realmente com o que sinto ou penso, ou comigo num todo, não sei.  Tenho essa vontade de ser cuidada, ser amada, querida, precisada. Que alguém me ligue por que quer ouvir minha voz, saber como estou; que alguém me visite sem avisar, assim, de repente, preenchendo uma tarde ou uma noite vazia.

Estou cansada demais do vazio, cansada de ser boa e não expressar minhas opiniões verdadeiras, cansada de ter medo do que irão pensar a meu respeito se eu fizer oou disser isso ou aquilo, cansada do julgamento idiota e hipócrita das pessoas e do julgamento a que me submeto sempre, me condenando sempre, estou cansada de ser tão calada, de ser tão passiva, de ser eu, enfim!

Quase dormi nos primeiros minutos de prova: ontem fui dormir lá pelas 3 e pouca da manhã, acordei às 6h30, antes do despertador, tudo porque minha ansiedade não tem cura. Tanto não tem cura que estou aqui escrevendo, ao invés de deixar meu corpo dolorido descansar, pensando já no que tenho que fazer amanhã, e depois, e depois... a vida não me dá descanso, e tudo que eu queria era me enfiar numa daquelas casinhas no meio do mato que vi pela estrada. Só ficar lá, pensar, esperar um milagre, uma mudança de vida, uma felicidade repentina. Estou extremamente irritada. Não terei férias, e não tomo decisões que deveria tomar, não vivo, e o que me faz viver é tão pouco, simples, tão fácil e tão não-acessível: amor. Pq? I wonder...

Me dá agonia ser independente, gerenciar minha vida, ao mesmo tempo, fico satisfeita, sinto orgulho. Mas não sei, algo ainda me incomoda, e é a solidão. Sempre isso, uma sensação de insuficiência quase sufocante, um delírio que se torna raiva de mim mesma e trsiteza, principalmente quando ninguém em ouve e só me para na rua pra me perguntar de outra pessoa, como está fulana/o? E eu, não importa como estou?

A rotina me massacra, mas me disfarça, é melhor assim, que eu mesma esqueça quem sou, me ignore e continue a ser uma mola no sistema, trabalho, trabalho, trabalho pra cumprir carga horária minha e de aluno, cumprir conteúdo do livro, cumprir compromissos. Estou farta. Estou em agonia e luto contra mim mesma, quero ir pra frente, mas o corpo quer parar e descansar, a mente não quer trabalhar. Sou homo. Homo Sapiens, que fique claro!

Que fique claro que acredito piamente na Bíblia. Que fique claro que sei dos meus pecados e falhas. Que fique claro que não estou salva, e que luto pela salvação todos os dias e lutarei até o fim dos meus dias. Que fique claro que criarei meus filhos nisso também (se os tiver). Que fique claro que essa sensação de solidão me é bem real, e que choro quase todas as noites por conta dela, ouvindo músicas estimulantes, claro. Que fique claro que não quero só ser professora por toda vida. Que fique claro que eu amo inglês e não sei se volto para São Paulo, fico em Viçosa, compro uma bicicleta ou encho a casa de gatos. Que fique claro que sou indecisa e preciso dos outros pra me ajudar a decidir, ou mesmo me dar um empurrão. Que fique claro que eu sou poeta e escrevo com dor e êxtase no coração, almejando um dia ter meu livro. Que fique claro que eu tenho consciência de que posso mais, mas que também fique claro que a preguiça muitas vezes me vence e meu tempo se chama tarde, não hoje.

The lion sleeps tonight. Gudi náiti.


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