segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal


Olho neste momento para meu sobrinho de quase 3 anos; ele dorme. Vejo um filme na TV, "O dia em que a terra parou" - ETs e fim do mundo e blá-blá-blá (mas nem é tanto blá-blá-blá assim, afinal) - e penso. Família. Natal. Heal the world, Michael Jackson. Lembro de Cristo, procuro tê-lo em mente, porque a gente se perde em presentes e brigas e reconciliações familiares inúteis muitas vezes... porque o Natal é todo dia... ah sim... mas não.

Todos os dias pessoas nascem e morrem. Todo dia tem alguém que não come, que não toma banho, que grita de dor física e emocional. Eu só não grito. Todos os dias a gente sofre, sofre muito tentando matar as dores do passado, da fome, nossa fome, dos filhos, do cônjuge. Todos os dias ouvimos músicas e, como em filmes, nos transportamos para um momento que não volta mais, somente na nossa cabeça, e essa é toda maravilha da coisa. Todo dia tem alguém que se apaixona por alguém que se apaixona por outro alguém e não dá a mínima pra sua dor, porque a sua dor não é a dela, simplesmente isso. Todo dia (bom, acho que não, mas...) tem alguém que casa obrigado; que casa por querer; por conveniência; por estar passando da idade; por amor e até por ódio. Todos os dias a sede de vingança cresce em nós, só porque queremos matar uma dor interna que não passa. É por isso que criamos filmes em que existem pessoas (ou pseudo-pessoas, ETs, etc..) que não têm sentimentos, que agem por ordens superiores ou por instinto, ou pelo que é certo ou errado, ou... não sei. Sem sentimentos, talvez tudo fosse mais fácil. Mas realmente há gente que age como se não os tivesse, passando por cima dos outros e de si mesmo. Sem remorso, sem desculpas, sem trégua. Até o fim. estamos sempre na iminência do fim. 

Mas é natal, nos alienamos e fingimos que está tudo bem. Por um momento, fica; eu também gosto de esquecer. E voltar pra Viçosa é a viagem ao passado que não quero. Não há mágica de fim de ano que nos faça esquecer; não há artefato de filme (MIB) que nos faça esquecer; há, portanto, a vontade de mudar, que parece muito maior que a gente, não podendo nós alcançar. Mas é possível, ainbda que trabalhosa e demorada. Disso eu sei, falta convencer o meu pessimismo e a minha vivência prévia.

Criamos leis e burocracias que nos sufocam, que nos fazem sofrer infinitamente. Oremos (de verdade). Feliz natal e ótimas reflexões fimdeanistas, para aqueles que têm coragem o suficiente pra pensar sobre tudo isso. Bye.