quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A troca de solidões

encontro das águas - Rio negro e Solimões - cq.ufam.edu.br

porque o que há não é o encontro

é a troca de duas solidões

espaços vazios pelo caminho

uma elipse

sempre coisa subentendida

em que há

um não haver de hiatos

e encontros vocálicos que não se entendem.

assim eu

assim, você.

...

Dossiê das minhas dores - segundo round

creationtips.com
 Mais uma noite em claro porque as dores dentais não me deixam. Pois bem, amanhã tenho que dar aula as 8h para as crianças, as 12h para universitárias, as 18h universitários, 19h30, outros universitários. Minha vida se resume a internet, aulas, casa, gastos com dentista, aluguel e comida. O que fugir disso vai além do que eu posso. Preciso de dinheiro.

E preciso parar de me torturar, mas não sei se preciso porque a dor que uma música traz é tão doce, me faz sentir eu mesma, me faz ser eu em mim mesma. Ao contrário dessa dor de dente, que me faz ... sei lá, me faz mal, só mal.

A música que ouço agora é Starway to heaven. triste, o iníco sempre me faz chorar. makes me wonder... As músicas em inglês sempre made me wonder, eu sempre quis saber o que estavam dizendo, por isso fui atrás do inglês. Droga, fui atrás de uma satisfação pessoal, e não de aprender uma lingua pra depois tentar ensinar pra um bando de engenheiros que mal ouvem o que estou dizendo, e ainda vão ganhar muito mais do que eu quando se formarem, sem mesmo precisar de inglês. pra um bando de adolescentes que mal sabem pra que ou por que está lá, perdendo tempo e me fazendo perder o meu - na verdade, não perco porque sou paga, mas me sinto inútil. Me sinto tão inútil, muitas vezes tenho a impressão de que meus alunos saem da sala sem aprender nada, sem entender uma palavra do que eu disse, sei lá. Impotência.

e lateja a dor de dente...

música que me tortura também é Eye in the sky cantada por Noa; I belong to you, Eros Ramazotti e Anastácia; e tantas outras. Acho que eu devia mudar de ramo, ir pra música, cantar, tocar, compor, sei lá, qualquer coisa. Minha vida é música; uma música baixa e triste, a minha música.

Quando eu não sabia inglês, lá com meus seis anos, imitava Elton John, a música Sacrifice, especialmente. Meus pais sempre ouviam a Alfa FM ou Antena 1, rádios que tocam essas músicas boas. E lá ia eu, nos passos deles. Eu andava pelos passos deles. Ultimamente, tenho pensado em trazè-los pra cá, já que não terei mesmo minha própria família. Me sinto tão só que às vezes dá vontade de voltar. Nada me preenche. Só o Pão da Vida.

Ouço a música da Noa agora. mais triste não há. Outra "boa" é Rolling in the deep, da Adele. A letra dela eu dedico a duas pessoas, dois amores que poderiam ter sido tanto, mas quase nada foram, como dá a entender a letra. Sempre vivo nessa do que poderia ter sido e não foi. E pensar que nunca vai ser piora minha dor de dente, piora as lágrimas, me fecha mais ainda quando eu devia - devia? - me abrir. É como eu disse antes, sinto que já vivi a minha vida toda, mas sei que não. Tem muita dor ainda pela frente...me abrir pra que, pra quem?

e lateja a dor de dente, sempre mais...

Fields of Gold, Sting agora. Essa foi pra arrematar e não dizer mais nada. Silence forever, and No more I love yous, Annie Lennox. bye!
Fields of gold by ~ahalyaa on deviantART
ahalyaa.deviantart.com