sábado, 10 de dezembro de 2011

Sonhos


Quando penso em comprar coisas, nunca me vêem à cabeça livros, embora os adore, mas sim roupas: parece que sempre mudo de estilo, ainda que sutilmente, nada à la camaleão; estou mais pra mimetismo de cobra, me escondendo daqui e dali. O exterior é o que posso, o que alcanço. E o que alcanço, nesse momento de vício de internet e sem ela boa em casa, é a lan house: espaço dos faces, orkuts, espaço de conversar com a pessoa do lado através do msn.

Não quero me alienar. Gosto da dor da vida. Absurdo? Pois é, sempre fui assim e isso me dá um certo orgulho retardado de ser eu, ainda que na dor. Acostumei? Provavelmente. Pior de tudo é que sinto a dor dos outros, sem brincadeira, apesar da minha inércia: recentemente fui assistir a defesa de monografia de uma amiga e acordei antes das 7, sendo q a defesa seria às 8. Acordei nervosa, como se fosse minha a defesa. Meu coração palpitava pelo caminho, e encontrei minha amiga tão plácida que me enervei mais ainda. Desse jeito.

Ontem minha amiga-irmã me avisou da internação de sua mãe e eu comecei já a me desesperar (sim, eu não devia dizer isso...) pensando no pior e também pensando na minha mãezinha... Chorei e ate sonhei, um sonho-pesadelo, mas de superação: Estávamos eu, minha amiga, minha mãe e a mãe dela no que parecia um quarto de hospital. Mas ai apareceu algo como uma tempestade maritima, minha mãe ficava de um lado, eu corria pro outro onde estavam minha amiga e sua mãe, as abraçava e a tempestade passava por nós, nos molhava, enchente, e tudo mais, e todas sobreviviamos, mas eu não via mais minha mãe... estranho. Tenho medo das perdas, do que posso me tornar depois delas, ou do que posso regredir com elas. Sinto tudo como meu e não aceito perder. Quando quebro um copo que seja, que é meu, que eu comprei, sinto como se tivesse perdido o controle de algo, perdido uma parte de mim, sei lá. É comum que eu chore quando quebro algo. Mas quebro promessas sem muita dor.

Eu orei muito e, como estava orando por pessoas, acho que Ele me ouviu. Porque sinto-me culpada por orar por coisas pra mim mesma posto que não tenho andado assim tão na linha. Nunca mais andei na linha depois de 2007, sobretudo depois de março de 2008. Arrependimentos e aprendizados importantes.

Não quero perder nada, ninguém. Talvez seja por isso que eu me contente com momentos e restos de coisas e pessoas. Guardo papéis de prensetes, marcadores de livros, caixas de bombom vazias. Lembranças. Boa noite, porque o dia foi cheio e eu conheci sonhso adormecidos em pessoas que também sofreram muito, talvez até mais do que eu. Mas isso fica pra depois. Bju, bye.

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