quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Dia dos solteiros - falo por mim

"Nobody said it was easy
no one ever said it would be so hard...
I'm going back to the start"

(The Scientist - Coldplay)


Dia dos solteiros. Imagino todos os solteiros saindo pelas ruas, indo tomar um café. Sozinhos. Cada qual senta em uma mesa e nenhum lugar dá conta de tanta gente... sozinha. Porque cada qual quer uma mesa pra si, já que é seu dia. 

Há aqueles que vão inventar de reunir os amigos pra comemorar o dia. Mentira. Na verdade esperam que os amigos convidem amigos que convidem mais amigos e aí, quem sabe ali no meio, alguém...

Há os corajosos que encaram o dia sozinhos mesmo. Mentira. Na verdade não restou mesmo o que fazer, quem chamar, e são forçados a isso. 

Há os que são solteirões convictos. Mentira. Estão sempre com alguém, mesmo que seja um(a) por dia, disfarçando seu medo da solidão real ou o medo de se entregar e se ferir. 

Há os casados que gostariam de ser solteiros. Mentira. Dependendo de quanto tempo de casados, já se tornaram dependentes do outro. Hábito, costume, companheirismo, whatever

Há os que dizem sempre que vão terminar e estão sempre namorando. Dizem que "acontece". Mentira. Coisas assim não "acontecem" simplesmente. 

Há os que se consideram eternamente fracassados e escrevem em blogs.

Só sei que há um sei-lá-o-quê tão difícil, tão montanhoso que impede essa parte da vida adulta de fluir natural e totalmente - falo por mim. Não sei, parece que tudo se complica a cada olhar, a cada sorriso, a cada lugar que se vai, beijo que se dá, despedida que se tem, lágrima que cai. Parece que a gente cata os caquinhos depois de uma decepção, mas ai como não dá pra colar do jeito que era antes, ficamos diferentes. Nem melhores nem piores, só diferentes, mais fortes ou até mesmo mais vulneráveis, e acho que ambos. 

Cada vez mais suportamos menos o outro; quanto mais tempo de solteirisse, mais tempo de solidão - falo por mim. As pessoas me irritam extremamente mas tolero mais mulheres do que homens, talvez por ser uma. Homens são invasivos e se mostram sempre auto-suficientes, controladores. Quando acham que já deu, tchau procê - falo por mim, dos que me apareceram.

Há os homens solteiros que, por não terem o mínimo tino social, enfiam os pés pelas mãos: ora são frios feito iceberg, ora morrem de amor. Nascem desprovidos da capacidade e benção do equilíbrio.

Há as mulheres solteiras que geralmente são desprovidas da capacidade do auto-controle - falo por mim - ora ligam 24 horas, ora dizem não estar nem aí e comem as unhas todas. 

Há esse vácuo e essa lei idiota que impera determinando que não devemos falar de nossos sentimentos nem demonstrá-los. É um tal de cedo demais, tarde demais, falta de afinidade, mas pra cama todo mundo serve, não é mesmo?

É, é sim. Falo por mim. 

Bye.

Yasa'i


Penso nele enquanto fumo um palito de fósforo, velha mania. Penso nele pela falta incrível que me faz. Talvez porque não teve tempo de se revelar um babaca, feito os outros, ou talvez realmente não o seja. Não foi comigo, pelo contrário.

Penso nele enquanto assisto um clip da Rihanna. Vi esse clip enquanto tomávamos açaí na nossa despedida. O açaí marcou dois momentos cruciais e especiais na minha vida: a minha formatura e a despedida dele. Açaí não é algo que eu possa consumir assim, aleatoriamente. Tem que ter motivo.

Etimologia: "Açaí" e "uaçaí" são oriundos do tupi yasa'i, "fruta que chora", numa alusão ao sumo desprendido pelo seu fruto. "Juçara" provém do tupi yu'sara. "Palmiteiro" e "palmito" são alusões ao seu uso na alimentação humana sob a forma de palmito. "Açaí-do-pará" é uma referência ao estado do Pará, no Brasil. Atualmente, o Pará é o estado que lidera a produção do fruto, com quase 90% do mercado.

Tem que ter motivo pra fruta que chora. Tem que ter motivo pra moça que chora. Tem que ter explicação pra essa crise que não passa. Passei numa vivenda de produtos naturais e comprei extrato de própolis, um sabonete de glicerina com amêndoa e um shampoo natural anti caspa. As compras de mais tarde devem me animar. Está frio e já fui à Igreja hoje de manhã. Precisava. Tudo me irrita e não é TPM. Eu estou branca e com o olhar morto. Como se tivesse morrido em vida, frase de Jaqueline Saburido, cujo video assisti no youtube. Graças a Deus eu estou inteira, fisicamente. Passar pelo que ela passou, eu preferia morrer. Chorei por ela, dei graças por minha vida, ainda que sofrendo as dores emocionais que eu sofro. 

Penso nele enquanto aquela tristezinha lá no fundo começa a se ampliar. Penso nele enquanto o frio na minha pele parece aumentar. Penso nele como escape pra tudo que me irrita. Penso nele porque me faz bem e mal, penso nele porque quero. Penso nele porque o amo. Penso porque não tenho em quem pensar e não posso com isso. Penso porque não lido bem comigo mesma, mas me conheço bem. Não pise no meu calo nem no meu asfalto. Não ouse mudar meus móveis nem meu vestido. Não tente me mudar, me perderá. Não mude minha roupa, meu cabelo, a tela do meu computador, as minhas coisas. Elas são eu. Respeito é tudo que quero e preciso. Aí penso nele, tão diferente, tão educadamente diferente. Tão na dele, tão ... perfeito. Sim, óbvio que de longe eu o idealizo, mas fazer é a sina, é o fino, é o tino do destino. 

Aí penso, repenso, e me pergunto quando será o próximo açaí. Bye.