quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Tempo?

 Et mois j'ai pris
ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré
(Jacques Prevért)

E eu coloquei 
minha cabeça entre as mãos
e chorei
(tradução livre)

Fico pensando se há tempo. Se há tempo pra que eu mude totalmente os rumos e o tema do meu projeto de mestrado; se há tempo para um café com leite com a pessoa amada, mesmo sem palavras, mas com o olhar, porque olhar ao menos diz que você percebe o outro; se há tempo para que pequenos gestos sejam consertados, pequenas coisas perdoadas, mesmo que não haja a vontade de perdão de ambas as partes; se há tempo para que meu sobrinho cresça, fale e prove à mãe desequilibrada que ele não é altista, é apenas tímido; se há tempo para que meu outro sobrinho, que realmente é altista, se desenvolva, fale, e mostre que também é normal; se há tempo para que eu mude e seja mais acessível; que meu humor mude e seja mais estável; se há tempo para que eu consiga regastar relações e engatar novas; se há tempo e vontade para o cultivo das atuais; se haverá, não se há, na verdade. se haverá tempo para que eu publique meu(s) livro(s), seja mãe e mostre aos pequenos o que mamãe já fez nessa vida; se haverá tempo para que paremos de ser tão maus, tão mesquinhos, e amemos mais, amar incluindo fazer o bem, informar-se, formar-se... se haverá tempo do despertar de meu irmão para a função de pai, verdadeiramente...

Não sei se é a palavra tempo que quero usar, talvez seja chance, lugar, oportunidade das coisas tomarem lugar, como se diz em inglês, a língua que tem melhor traduzido as coisas pra mim ultimamente. Take place. Happen. Be held. Pensando nisso, vejo que o medo me paraliza e é com cuidado que vou caminhando, tomando decisões, quando tudo pede rapidez e instantaneidade. Medo e cansaço da loucura que é a vida hoje: Instagram, smartphone, MP0912407656723...., Ipod, Inumpod, blog, notícias instantâneas, yahoo, gmail, hotmail, coldmail, msn, facebook, orkut (ainda), enfim... Quase não vejo televisão mas estou sempre on. Parei de postar coisas, só quando não resisto mesmo. A vida está online, mas ficar postando fotos de tudo e de todos e compartilhar coisas com frase escrita errada não dá não.

Não haver tempo - ou chance, sorte, oportunidade - assusta. Amedronta. Não sei, somos frágeis assim. Eu pelo menos tenho tendência de ficar paralisada em alguma situação que me cause medo, mas tenho procurado mudar isso. Medo mais ainda de estar fazendo algo ou tudo errado e ir para o lugar errado no pós-mortem... por isso quero viver bastante, porque percebo que ganha-se sabedoria pela experiência, e ainda preciso de muita sabedoria, muita vida portanto. Muito tempo. 

Espero que, ao tomar café, possamos olhar um pro outro, mesmo sem nada dizer, ou mesmo falar do tempo, se é o assunto necessário. Sempre há tempo pra recomeçar, assim quero crer, porque assim está sendo comigo. Hoje eu folheava cadernos para passar poemas a limpo e vi tanta coisa que escrevi antes, tanto erro de inglês e erro de visão de mundo. Erro por excesso de ingenuidade e por acreditar nas pessoas. Não creio, na verdade, que seja um erro, mas uma falha que pode tornar-se qualidade se moldada. É nisso que estou trabalhando e querendo deixar que Ele trabalhe, sempre em mim, vaso eternamente moldado e remoldado pelo oleiro. Amém.