terça-feira, 21 de maio de 2013

Destino


Já o tens ouvido; olha bem para tudo isto; porventura não o anunciareis? Desde agora te faço ouvir coisas novas e ocultas, e que nunca conheceste. 
Isaías 48:6

Eu não poderia ser de outra cor. Não poderia ter outro cabelo, de outra cor, de outra textura, de outro tipo. Não poderia escrever algo que não fosse poesia e prosa boba de blog. Não poderia ter outra profissão, não poderia ter nascido em outro ano, em outro dia, outro século, de outro sexo. Não. Não poderia ter outra altura, outro rosto, a combinação de DNA foi única. Não poderia ter outro nome nem outro pet que não fosse uma linda gata :)

Destino? Não sei. Sei que desde nosso nascimento somos levados, por conspiração do universo ou, na minha opinião, por Deus, a um determinado "destino", a um determinado futuro, e não temos como fugir muito disso. A gente acha que vai se construindo ao longo da vida, mas tudo estava já previsto. Não digo pré-determinado porque imagino que Deus prepara uma gama de caminhos que possamos seguir, de acordo com nossa predisposição. Tipo, eu poderia ser pianista se tivesse tido aulas, mas nunca as tive; no entanto, o som do piano "me toca" de alguma forma. Tudo nos leva a um determinado plano, e ele no entanto, não é assim determinado. Creio que  Deus determina onde eu deveria estar hoje, 21 de maio de 2013. Claro que eu poderia ter ido a milhões de lugares que não fui, ter conhecido coisas e pessoas que não conheci; perdi inúmeras oportunidades, mas nisso os planos alternativos, o que poderia ser entra em ação. E o que não foi, não foi. Mas somos livres, temos o livre-arbítrio, o que não tira a previsão divina de que uma decisão totalmente nada a ver possa acontecer. Tipo eu largar tudo e ir para Marraquechi (nem sei se escreve assim), ou me matar, ou entrar para um convento, enfim, Deus sabe de tudo, tudo. Ele determinou sim alguns caminhos, mas podemos nos desviar deles pelo livre-arbítrio. Ainda assim, Ele sabia. Isso é difícil de entender e explicar, mas é assim que é. 

Olho para trás e vejo como tudo contribuiu para que eu estivesse exatamente aqui hoje, onde estou, como estou, bem ou mal.  Nasci no ano do porco no horóscopo chinês, sou Palmeirense. Nasci no dia do poeta ou da poesia, escrevo poemas desde os 12 ou menos. Nasci as duas da madrugada exatamente, está lá na minha certidão. Primeira filha do meu pai, segunda da minha mãe, sou semi-primogênita. meu nome já estava escolhido, como se eu já existisse, ao menos no coração do meu pai. Fui uma criança alegre, acho, inocente, feliz, uma das melhores fases da vida. Adultescer é uma ruptura muito grande e dolorosa com a zona de conforto, mas é quebra necessária. Adultesci tardiamente, ainda estou no processo. tenho a vida marcada por um certo ar de atraso, mas acho que tudo aconteceu quando deveria ter acontecido, exceto aquele momento em 2008 que poderia ter sido adiado por mais uns 5 anos, no mínimo. Ainda assim, creio que eu tive que passar por aquilo e por tudo que veio depois, isso porque meu livre-arbítrio estava on, eu, tentando fugir dEle. As decisões que tomei de voltar ao caminho, de me subjugar a Ele estão sendo difíceis, mas nesse caso minha preguiça de sair e o frio ajudam. Acabaram as festas e baladas, lugares onde sempre enfiei o pé na jaca, mas sim, porque quis na época. Acabaram as bebidas mesmo porque ainda que Ele permitisse, eu não poderia, dado o problema no estômago. de certa forma, acabaram os amigos, a relação mais próxima. Entendo. Eu sei que temos mais a oferecer uns aos outros do que simples baladas, bebidas e bizarrices, mas se os encontros só ocorrem nesses ambientes, game over

Estou indo à igreja e à psicóloga, apesar de que não acho que ajude muito. Às vezes acho que tenho um problema muito grave de relacionamentos em geral, não só amoroso, e que preciso "me curar". Toda vez sou confrontada com uma coisa ou outra, me tocam na ferida sem dó nem piedade. Estou seguindo, estou tentando, ainda que a passo de tartaruga, um dos animais que mais gosto depois dos gatos, é claro. Gato, cachorro, coelho e tartaruga marinha. É, eu não poderia ser mais estranha, mais do contra: não gosto de panetone, não quero alisar o cabelo nem usar salto, nem decote nem minissaia. Detesto azeitona. É, eu não poderia ser anybody else. E nem poderia estar com outra pessoa fazendo hoje exatos 8 meses de convivência um tanto tórrida. Te amo. Bye.