quarta-feira, 30 de março de 2011

Cansaço


Apesar do cansaço, escrevo. Vida pós-graduação não é fácil, apesar de que fui sortuda: saí da graduação já trabalhando. Problema que estão aumentando o número de turmas, mais gente, mais trabalho, mais cansaço. Não sinto vontade de vida lá fora, esqueci as dores do coração, nem tenho tempo pra me lembrar delas, apesar do buraco que ainda (e sempre) sinto. Quando começo a pensar nisso, nisso que sou eu, os pensamentos de que tenho q preparar aulas, tirar cópia disso ou daquilo logo me tomam o pensamento. E assim eu sigo, não sendo muito gente, acordando cedo e dormindo tarde, sempre. Um hábito que criei, pra não cansar ainda mais, é dormir depois do almoço. Ajuda.

vida de professor não é ruim, é extremamente trabalhosa, sobretudo se você se preocupa com suas aulas, o conteúdo, se os alunos estão aprendendo. Volta e meio me vejo fazendo revisões, tirando dúvidas de coisas que não me perguntaram, mas sei que querem saber. Bom é isso, a gente olha o aluno e consegue saber muita coisa dele. Bom é isso também, fazer tanta coisa ao mesmo tempo, ser capaz de fazer. Mas daí, entram alunos novos, turmas novas, e eu fico me sentindo extremamente compromissada com eles. Essa é uma das razões pela qual estou pensando se realmente tento ou não o intercâmbio: troca de professor é ruim pra aluno, sempre é, a não ser que seja de tempos em tempos, e que ele já saiba dessa mudança. Mas eu sei que tenho q pensar em mim, na minha formação. Acontece que estou cheia de medos, medo de chegar lá e ficar perdida, não conseguir me manter, não conseguir me comunicar, não me fazer entender nem entender os outros. Muito medo, medo por estar indo sozinha - olha só, a solidão me metendo medo!! São muitos medos, e eu sei que vou chorar de alegria e temor caso consiga a bolsa, ainda que parcial.

O medo da solidão não mais me aflige; essa solidão de que falei acima é só pelo fato de ir sozinha para um país estranho, mas ao menos cuja língua eu estudei por nove anos, e continuo amando. Mas estudar a língua, falar com amigos é uma coisa; falar com um nativo me dá grande tensão, medo mesmo. O medo da solidão acho que assentei em mim, eu olho os casais e, infelizmente, ainda me pergunto porque não tenho isso, porque nunca tive... e, ao mesmo tempo, sinto que simplesmente não é pra mim. Não sei se estou pensando assim pra um dia ter a grata surpresa de um amor verdadeiro, ou se realmente me tornei toda fatalista. Fato é que simplesmente, até hoje, não aconteceu. Duvido até mesmo que eu tenha amado as duas vezes que afirmo ter amado: se não tinha a mesma sintonia, era mesmo amor? Não sei. Sei que dei o meu melhor, todas as vezes, todos os momentos; talvez tenha sido esse o erro, se é que há erros e acertos nisso.

Estou cansada e acho que por isso me agarro ao meu trabalho, à turma de universitários, às crianças que já me chamam de tia e me abraçam ao chegar e ao sair da aula, aos mais velhos, aos que não entendem nada e aos que sempre sabem tudo. Alunos... é, agora eu tô do outro lado. Boa noite.

Hoje é dia..

Hoje é dia de fazer 25,
hoje isso aqui é pra ele, mi hermano.

Estava eu com meus 2 anos e cinco meses quando ele chegou, chorão, cabeludo, fofo, gorduchinho. Meu irmão, o primeiro. Nos demos bem, razoavelmente bem nesse início de relação. Aos poucos, algo se perdeu... eu me achei no mundo (mesmo?), ele nem tanto. Ele brincava comigo. Vestiamos as roupas de nossa mãe, os sapatos, ele junto. Brincava de boneca, ele junto. Na verdade, nunca brinquei de boneca mesmo: tinhamos uns bichinhos aos quais demos uns nomes engraçados: tinha a ovelhinha, a bundinha-de-fora, e outros que nem mais me lembro. Aí veio o kinder ovo, as nossas coleções de miniaturas; brincávamos de "coisinha pequena". Aí vieram as brigas, veio o outro irmão, veio a paixão de todos, sobretudo a minha, pelo outro irmão, ele de lado, era o único menino, de repente mais um... e as coisas ruins, o ciúme, o distanciamento foram só acumulando.

Muita água rolou debaixo dessa ponte que hoje tem 25 anos, 1/4 de século. Eu queria escrever melhor pra dizer que te amo, do meu jeito torto. Pedir perdão, do meu jeito grosso. Dizer se liga! do meu jeito chato. Dizer, ei, vamos lá, a vida aí está, você tem que se achar. Larga do pé da mãe, deixa o pai pra lá, esquece o Isaque (o outro irmão), seja você. Você não é o rock, não é o anime, não é o Kurt, não é o Green Day, não é um nerd, um expert de rock... você não é esse personagem que criou. Algo se perdeu em, você há muito tempo. Você precisa achar pra se equilibrar, ser você. Ser você.

Na história bíblica, Rebeca casa-se com Isaque e tem filhos gêmeos, Esaú e Jacó. Ela tinha predileção por Jacó, enquanto "amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó". (Gn 25:28). Mais tarde, Deus muda o nome de Jacó para Israel, ele conhece Raquel e casa-se com ela, gerando as famosas doze tribos, das quais veio todo o povo de Israel, os judeus, o próprio Jesus. Lá em casa, somos os quatro, na ordem de nascimento: Raquel, Rebeca, Israel e Isaque. E por isso, mi hermano, você é Israel, aquele que luta com Deus, príncipe de Deus, e não mais Jacó, suplantador, o que nasceu agarrado ao calcanhar de seu irmão. Ao contrário da história bíblica, você nasceu antes de seu irmão. Portanto, tem maior poder do que ele, hierarquicamente. Cada um na sua.

Bom, chega de blá-blá-blá e lições de moral. Fica aqui o meu abraço, a minha lembrança, o meu desejo de que tudo corra bem, porque tudo sempre coopera para o bem dakeles que amam a Deus. E, reiterando, você também não é Lacan nem Freud nem ninguém. Você é você. Be yourself and do your best in life. Trust Him and take care! bye!!