terça-feira, 5 de novembro de 2013

Da impossibilidade de sermos românticos



Não tem amor
só o cotidiano que massacra
você entrou na minha vida,
ela junto
to curtindo a ideia
só não deu tempo de respirar

Não tem mais o nosso tempo
tem que fazer a comida, lavar a roupa,
isto é, eu tenho que,
ainda tenho que trazê-la ao mundo
e alimentar

Desvio um pouco o olhar
e presto atenção nos pássaros
que cumprem suas obrigações sem reclamar
então me vejo em desanimo
e presa na impossibilidade de romance
retirado cuidadosamente do cotidiano
de cada mortal


Achei mesmo que ia escapar dessa vidinha normal de todo mundo. Escapei dela por cinco anos e eis que ela me bate a porta, já que não enriqueci nem saí do país, nem fiz mestrado... virei simples dona de casa entediada, esperando uma filha e esquecida pelos seus. Sim porque aquela lista das coisas que me aconteceram esse ano e me chatearam, tanto quanto outras que me alegraram, não terminou. Tem dia que acordo amarga e isso tem sido frequente. "por que vc reclama de tudo?" diz o namorido. Porque a vida me cansa, talvez eu pudesse dizer, mas não respondi. Essa vidinha normal me cansa. Não afirmo, porém, que se eu fosse o rei do camarote tal vida cansar-me-ia menos. 
Eu me achava gato, mas a cada dia me vejo mais cachorro, totalmente submissa e adaptada às coisas, à vida. Cachorro parece sempre feliz, mas não tem altivez, não tem ambição, restringe-se. Nisso ainda sou gato.
Tantos parentes se manifestaram em relação a minha gravidez, mas bem poucos efetivamente ajudaram. Isso me chateia e a situação de ser a eterna prima pobre me chateia ainda mais. Li em alguma postagem de ace que uma flecha pra ser lançada deve ser impulsionada para trás primeiro; então se a vida está te lançando pra trás é porque vc terá um futuro grandioso, ou algo parecido, dizia a mensagem. Detesto essas frases feitas, de impacto, mas ultimamente estou fazendo o enorme esforço de ter pensamentos otimistas, eca. Mas vamos em frente. Um dos parentes que está relativamente perto curte e comenta fotos e coisas de parentes distantes, enquanto eu sou relegada ao esquecimento e ignorância. Tudo me chateia ultimamente num grau bem alto. Eu só queria dizer que não estava preparada pra tudo isso, que nunca foi um sonho ser mãe, sem sofrer olhares e comentários de reprovação. Que sim, as coisas "aconteceram" sem que eu pudesse entender e foram se desenrolando assim até agora. Vai ver que tudo isso é obra da reta final, do meu nervosismo, que seja mesmo. Graças dou ao menos por não ser mãe solteira, isso seria quase insuportável pra mim. 
Que mais? me sinto só, muito e cada vez mais. Me sinto um et por gostar de ler, achar que escola é legal e não querer só essa vidinha. Fico na minha, não digo nada. Ninguém tem saco pra ouvir meus reclames. O único romance possível é o byroniano. Amém