sábado, 4 de maio de 2013

Sobre guerras - para mulheres


Perdas. Estupro. Desilusão, choro, dor. Parece que a vida das mulheres em geral está condicionada a isso. Liberdade total. Poder. Força. Ser "macho". Parece que a vida dos homens está condicionada a isso. O documentário "A guerra invisível", que pode ser visto pelo youtube, trata dessa guerra contra os homens que mulheres no exército americano travam. na verdade, não é guerra contra os homens, mas contra a cultura do estupro. 
Estou vendo agora a terceira parte do documentário onde uma investigadora diz que, em caso de denúncia, sempre perguntam à mulher o que ela estava vestindo, onde estava, se o cara era namorado ou não. na verdade, acho que isso vem no final da segunda parte. Anyway, o caso é que essas mulheres no exército geralmente estão em serviço quando são estupradas, ou seja, estão de farda, ou de algum jeito considerado mais "decente". Mas e se estivessem à vontade, de shortinho ou camiseta, sem sutiã, sei lá? Geralmente se anda assim dentro de casa ou quando você está num quarto sozinha, onde uma das entrevistadas foi abordada. Ela estava no espaço dela, no direito dela. Não importa a roupa, isso é absurdo. Não sou a favor de usar coisas super curtas e super decotadas, pessoalmente não gosto, mas isso NÃO é justificativa para, por exemplo, meter a mão debaixo do vestido de alguma mulher, como o fez Gerald Thomas com a Nicole Bahls, aquele retardado. E se o cara for namorado, tudo bem? De repente naquele dia, ela não estava a fim, ai ele simplesmente forçou e isso não é estupro, não é crime? De repente, a mulher entrou no quarto do cara e não teve nenhuma reação, retirou-se do próprio corpo, como muitas relatam em vários casos - não falo do  documentário em específico - e sequer conseguiu dizer não. Ou lutou, gritou, disse não e mesmo assim, o cara avançou. Estupro nos dois casos. 
O que mais choca é saber que no exército, parece que essa questão é tratada dentro do próprio exército, ou seja, não vai à justiça comum e muitas vezes é negligenciado, almost as a laughing matter, como diz a investigadora que aparece. Como pode ser motivo de riso, piada? Homem não sabe o impacto emocional disso. Aliás, sabe sim. Lendo aqui, eu soube que o exército usa o estupro como arma para desmoralizar o inimigo. Ridiculous, mas... Então se usa essa mesma "arma" para desmoralizar as mulheres pra que voltem pra casa e não se metam em lugar de homem, é isso? Parece que é o que está nas entrelinhas...
Uma das entrevistadas é casada, tem uma filha, e vive tomando remédios que combinados, podem matar, tudo porque o estuprador bateu no rosto dela e deslocou seu maxilar irremediavelmente. Ela não come coisas sólidas e ainda tem que se entupir de remédios. A lembrança do acontecido não sai da frente dela, todos os dias. 
Gosto muito do filme "Até o limite da honra" (G.I. Jane) com a Demi Moore. Não lembro bem o motivo, mas ela entra no exército e pede para ser tratada como soldado comum e sofre horrores. Não é estuprada, se bem me lembro, e consegue conquistar seu lugar. Precisamos de filmes inspiradores, mas precisamos de realidade também. O documentário é tenso, triste, mas necessário. 
E eu que só ia falar da feijoada de hoje que comi na casa do sogro, apesar de não gostar muito, e estava muito boa. Ia falar de perdas quando comecei a assistir o documentário. Preferi não falar de mim, mas os depoimentos falam de mim também. É clichê, mas é verdade: essas coisas doem, mas nos tornam fortes. Se a gente, todo ser humano, pensar no que já passou nessa vida e ver que está vivo, constituiu família, trabalha... veremos que é porque existe uma força divina dentro de nós que faz a gente seguir, apesar de tudo: a força chama-se vida. Bye.