quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Eu tô nakelas...

Eu tô nakelas, nakele nervosismo todo que precede uma colação de grau, a minha!!!
É, eu tô nakela...de repente caiu a ficha, vou formar, já tô nakelas...lágrimas...
É, eu não vou embora não... mas de repente parece que tudo acabou e eu senti um vazio... isso dói. Toda transição de fase, mudança de vida, o que quer que seja dói um bocado. 2011 começou agora...31 de dezembro de 2010 eu nem tinha sentido, senti nada...e preciso sempre sentir a passagem do ano, preciso sentir que o outro acabou, uma parte ou fase do passado acabou. Estou começando a sentir...é, eu tô nakelas: começando a sentir. 
Eu fui levada pelas letras: desde o início estágios dentro e fora da universidade, sempre procurando fontes de renda para (sobre)viver aki. Parecia que tinha tanto tempo e, ao mesmo tempo, tão pouco tempo, tanta ideia e coisa pra fazer, tanta ideia inovadora com as quais nao pude proceder, mas eu ainda as tenho, tenho os meios, tenho eu mesma e vontade. Mudar o mundo sim, mudar o mundo que me cerca, o meu mundo. Mudar o que vejo: crianças alienadas, jovens alienados, jovens gravidas axando tudo muito bom e natural, jovens se drogando não como nós, universitários, mas axando na droga o prazer que não têm na vida. Jovens excluidos que mal sabem falar ou escrever o próprio nome, mal percebendo suas vagas por direito sendo tomadas pelos mais abastados nas universidades públicas. Jovens não tão jovens, que terminaram há muito a escola, mal se lembram das conjugações dos verbos em português, que dirá em inglês... as minhas lágrimas agora são por eles também, porque o pouco que pude fazer, eu fiz. E as palmas que recebi pelo dia do professor sinceramente me envergonharam...estou apenas começando uma árdua caminhada pelo direito à educação. Sim, eu digo direito! Odeio a palavra oportunidade, detesto. Eu quero o direito de que fala Martin Luther King: é direito, é direito! Oportunidade pressupõe alguém acima de vc q te abre as portas. Não!! Todos iguais, igualdade, direito!! Não odeio a palavra oportunidade em si, mas ela é muito mal usada. Gosto dos dizeres que ficaram pós revolução francesa: Liberté, Egalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade, Fraternidade). Gosto do "I have a dream" e nem tanto do American Dream; apesar de estar baseado nele, o discurso de Luther King o ultrapassa e consolida.
É isso...estou nakela de choro, de trabalho árduo pela frente, de sonho de igualdade, direito, democracia verdadeira. Estou nakela de quem está a espera de algo mais...de poder fazer muito mais por esses meus alunos que me dizem que não gostam de inglês, que não conseguem aprender, que o outro professor era melhor, que ir pro exterior é essencial, que eu devia ter escolhido outra profissão, que eu sou idosa, que tenho q fazer isso e isso e akilo...alunos que me olham e nao entendem o que falo, por que estou ali, por que escolhi inglês, por que escolhi eles... amo todos, mas sobretudo os alunos do cursinho, no qual pretendo continuar esse ano, sem eskecer do mestrado. É...
estou nakelas de pensar que o mestrado me afastará do campo, do contato verdadeiro com eles, com os alunos. Alunos universitários? Não... eu quero os alunos mais reais... os excluidos, os marginalizados de uma cidade que abriga uma grande universidade, e que no entanto, a universidade não abriga... Mestrado eu farei, aliás, eu tentarei, mas se não fizer muito bem, se fizer, muito bem também. Eu não quero virar estrelinha de algum curso de letras, eu nao quero ser a professora fodona, a que não tem fim de semana, a que dorme escrevendo artigos, a que não teve filhos em nome da carreira acadêmica... eu quero ser daki de fora, eu quero estar aki, eu quero olhar de perto os alunos de cursinhos e de escolas públicas, eu quero ver o meio de onde eu vim mudar...e eu quero lembrar do que eu fiz pra ensinar o caminho também, e não ficar competindo com meus alunos...sim, certas coisas eles devem descobrir por si sós... mas se eu sei algumas respostas - porque nunca se sabe todas - por que não compartilhá-las? por  que manter o conhecimento só pra mim? IGUALDADE!! Partir o pão...comunidade: 

"E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns" (Atos 4:32)

Acho que é esse meu ideal cristão de comunidade, a igreja dos primórdios, tudo de todos, compartilhar. Escola e academia devem também ser assim, lugar de troca, de compartilhamento.


E, pra terminar por hj, pois preciso dormir pra colação amanhã, um videozinho q pode conter mensagens clichês, mas conforta as nossas almas docentes sofredoras. bye.