quinta-feira, 6 de junho de 2013

Das ilogicidades da vida


Pensava sempre, ao digitar aquelas letras embaralhadas de código pra fazer comentários em blogs, qual era a lógica daquilo. Alguns sites que também pediam até diziam: prove que você não é um robô, ou que você é humano. No último, uma palavra em inglês se formou: both. Teria lógica, seria aleatório? O que é aleatório na vida?

Ontem andava pela rua e observava as pessoas, como sempre fizera. Mas agora era diferente. parecia estar de certa forma protegida e podia olhar e pensar coisas livremente. Como por exemplo, que aquele carinha ali, se não fosse sua decisão tomada, pegava fácil. Tinha plena segurança de que poderia ficar com qualquer um que quisesse, a não ser que o cara realmente não quisesse. Conquistar eram outros quinhentos, coisas que nunca soube fazer. Que adiantava essa segurança de "pegadora" se não sabia como manter. E, se não tivesse tomado a tal decisão, sabia que ia ficar nisso eternamente, pega, fica, morde, beija, transa, um após o outro. O sabor disso não lhe parecia tão mal, mas tinha também segurança o suficiente agora pra dizer que havia feito a melhor escolha. Viver vida dupla não dá. Igreja e balada não dá. Ser gay e disfarçar não dá. Ser poliamor e namorar um/a só não dá. Preencher a necessidade de Deus com qualquer outra coisa não dá. Saber da verdade e não seguí-la não dá, ponto. Foi por isso que de repente, um dia voltando de um evento qualquer com dois amigos, desviou do caminho e foi pra casa quando os dois seguiram para uma noitada num barzinho qualquer. Naquela hora, os três perceberam que agora a p. ficou séria rsrsrs... uma sensação de alívio, orgulho e felicidade a invadiu quando ia pra casa. Tinha medo também da eterna solidão, mas foi quando logo depois da decisão ele apareceu. Aleatoriamente? Não. 

Ele também não gostava das baladas, estava longe disso por igual decisão tomada há algum tempo. Juntos tinham suas dificuldades: um interesse no início, paixão, depois a rotina e as brigas. Não tinham feito tatoo, nem aliança, nem declarações ou poemas, mas estavam lá, marcados um no outro. Agora que ele voltara a estudar, ela retomou vida de gata: caseira, só, silenciosa. Não que não sentisse falta: poderia ir ao cinema, a uma lanchonete, à opera, ao teatro, etc... o impedimento agora, além da falta de convites - os mundos das pessoas se separam - era financeiro. Trabalhava unicamente para pagar as contas e comer. As roupas todas velhas, sapatos idem, comida a de sempre, modestamente. Queria chorar e fazer seu drama típico mas agora nem tinha mais ninguém pra ouvir. Era o preço da decisão. Melhor do que ficar se enganando-se a si mesmo...

Pensou no dia, na tarde, quando vislumbrava a possibilidade de receber algum por um trabalho extra feito. Cobrara menos e se arrependia, mas ainda assim seria boa a quantia. terminou de pensamentar e foi se arrumar. Agora só tomava banho quando voltava do trabalho. Sei lá. Ilogicidades da vida. 

Bye.