terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Past Perfect


Esse mundo dá raiva, dá medo, revolta. esse mundo chamado Brasil. Por essas e outras - sinalizadores no estádio, mortes, Santa Maria - que a gente se aliena; se pega em deus, e assim deve ser; se apega ao time de futebol, a uma causa, ao feminismo, ao social, ao acadêmico, aos esportes, aos livros. Todas essas são atividades boas e saudáveis, mas muitas vezes parece que nos escondemos detrás de algumas coisas; desenvolvemos patologias, medos; recuamos e morremos, ou lutamos e também morremos. Morrer é o detsino, sempre, qualquer que seja o caminho. E a vida se justifica por alguns momentos felizes e pela vontade dEle, ponto. porque lutar contra isso não tem como, mas lutar contra um atendimento de bosta no SUS, contra impunidade, preconceito, etc, podemos e devemos. E a luta não acaba nunca, senhor, nos cansamos, mas estamos criando brecedentes, bases para as outras gerações, se é que esse mundo ainda vai durar muito.

Não sei, tenho sentimentos dúbios. Estou mais calma e mais consciente das coisas, parece que meu solhos vão se abrindo cada vez mais, e esse processo parece que é pela vida toda, cada vez mais abrimos os olhos, por isso na Bíblia os idosos são/devem ser tão valorizados: apesar da pele desgastada e da beleza juvenil que se foi, ganhamos em compensação uma sabedoria e calma infinitas diante da vida e da possibilidade da morte. Encaramos tudo e só temos a dor de não ter sabido de tudo antes, pois como aproveitaríamos! Esse mundo do tudo pronto não nos permite saborear a sabedoria que vem do fazer, do viver... fazer uma comida no forno de lenha, cozinhar um feijão por horas, com calma, não é a mesma coisa dessa vida moderna em que o arroz vai pro microondas. Tudo pronto, o que nos priva da vivência da própria vida, de desfrutar das coisas com mais sabor. A roupa pronta não é a mesma coisa do pano na mão da costureira e do alfaiate; andar por horas até a casa de um amigo e permanecer lá por dias não é mais lógico com um carro, um computador e internet em mãos. Ir ao cinema nem tem mais graça se posso baixar filmes, enquanto que bem antigamente tinha até orquestra ao vivo pro cinema mudo. Fotos são coisas banais, todo mundo tira, e não é mais necessário esperar o lambe-lambe passar de tempos em tempos pra poder juntar a família toda numa ocasião especial e tirar uma foto, talvez a única de toda vida. Ah, tenho saudades de um tempo que não vivi... de saborear a vida mais de perto. Mas isso também é alienação, apego ao passado porque o presente envergonha... o país envergonha...

Vivi nos anos 80, calça na cintura, coisas coloridas e espalhafatosas, as melhores músicas... É, devo estar ficando velha mesmo, já estou exaltando o meu passado, que a meus olhos parece melhor comparado ao presente. Nosso olhar muda, o mundo parece mudar também mas pra pior. Não sei, só sei que com o tempo saberei. Ponto.