domingo, 10 de março de 2013

Amici


"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos"
Mateus 5:6

É estranho começar a planejar a própria festa de aniversário e se perceber que não há convidados, só o que chamaria de convidaddos "técnicos": pessoas do trabalho, conhecidos, gente com quem se mora... Se não tenho amigos, ou se sou tão egoísta/egocêntrica a ponto de não considerar alguém como amigo, a culpa é minha. Ou da distimia. Minha falta de comunicação ou omissão sempre parece aos outros descaso, desprezo, orgulho. Queria me explicar, me fazer entender de alguma forma. Falho sempre. E não falo sempre o que deveria dizer. 

Bom, amigos. Ter ou não ter, tenho ou não tenho? desde criança nunca soube me enturmar, ficava lá no canto e, as criancinhas mais ousadas vinham, mechiam, se tornavam coleguinhas ou eu me tornava alvo de bullying. Será que isso me traumatizou? Será que tudo que já me aconteceu tem a ver com essa sempiterna dificuldade? Óbvio que sim, mas em que medida? Até que ponto conheço minha psiquê e até que ponto o psicólogo ou psiquiatra me ajudará/ia?? Não quero tomar remédios, temo-os. Sim, a verdade é que eu acabo me assentando na minha suposta patologia e não quero mudar, sair dali. Sabe quando a gente senta num sofá macio, confortável, mas aí tem uma coisinha ali te incomodando, você nem sabe o que é, mas é tão ínfimo aos seus olhos que vc se ajeita daqui e dali e vai ficando, mesmo com aquele incômodo ali, o tempo todo. É assim que vivo, mas quando penso que estou me ajeitando bem, vem sempre alguém pra dizer que não, pra me fazer pular desse sofá. isso é bom, mas isso denuncia que eu nunca saio dele por mim mesma, que por razões desconhecidas - ou nem tanto - não consigo pular dele por mim mesma, porque quero, porque tenho a necessidade e o desejo de mudança. Conto como vantagem o fato de ao menos conseguir ver isso, essa dificuldade. Gostaria que outros a vissem, mas ninguém é advinho, ninguém tem obrigação de saber como sou, como estou me sentindo e nem se condoer, fato.

Leonardo Santiago, antigo amigo correspondente, me entendeu por um certo tempo. Leo, onde estiver, ainda guardo suas cartas, apesar de que vc deixou claro que foi "bobagem adolescente", mas pra mim não foi. Obrigada por tudo ainda assim. 

Quando a gente é criança parece tudo tão melhor ou, ao menos, depois de crescer, sentimos saudade da época de ingenuidade. Hoje, crescida e com tantas dívidas, contando centavos pra sobreviver ao dia-a-dia, sinto falta de ter o dia todo pra ver televisão: desenhos, filmes da sessão da tarde, castelo rá-tim-bum, novelas, imaginar como seria quando adulta. Ah, porque a vida é tão difícil? Ou, antes, porque será que vejo a vida tão difícil?

No próximo sábado, penso em protestar, silenciosamente. Uma máscara, uma camiseta com o versículo aí de cima, uma marcha. No mais, só Ele fará justiça. Andemos. "Vem vamos embora que esperar não é saber/viver". Bye.