sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Crise

 ...The day that the music died
Don McLean - American Pie
 
As derrotas tem um estranho sabor adjetivado com propriedade pelo inglês: bittersweet. Nenhuma palavra traduziria melhor o que estou sentindo, ou como estou me sentindo. 
Vejamos... sempre penso pelo lado ruim das coisas, que não vai dar certo, que isso, que aquilo, olhos pequenos sempre desconfiados. Mas ainda assim, algumas vezes, tento; entro na luta, vou em frente. Fui em frente nessa questão de mestrado, que pra mim é altamente delicada. Relaciona-se à ideia de pesquisar ou dar pitaco sobre escola pública e nunca ter dado aulas lá, ou falar que se aprende sim inglês no Brasil e não é necessário ir pra fora, mas viver viajando para os EUA... posturas incoerentes a meu ver, e temo me tornar uma pessoa assim, porque nunca dei aulas na escola pública, apesar de que sempre fui aluna dela, mas gostaria de trabalhar/pesquisar esse grupo, não especificamente de escola pública, mas pessoas da classe dita C: suas dificuldades com o inglês, com a vida, os por quês, se é que estas coisas podem ser explicadas, senão exploradas pelas pesquisas, que não mudam em nada a vida dessas pessoas. A meu ver, elas precisam de ajuda na questão, por exemplo, de conhecimento prévio, de mundo, para que se adequem à proposta do que seja aprender uma língua estrangeira. Não precisam de ajuda pra mudar de vida, serem "melhores", salvo queiram. É como o movimento gringo que visita a favela. Ele passa por ali considerando o lugar mera atração turística. Duvido que durma ou consuma o que a favela lhe oferece e, se o fizer, vai ser pela "aventura" da coisa. Ainda vo comprar o livro, aqui mais informações sobre ele. 
Pois bem, com todas essas ideias, meu medo maior em mestrar seria o de ser mera espectadora da vida alheia, de ir lá, falar, pesquisar, e não tocar o coração de ninguém, não ajudar em nada, simplesmente traçar um panorama geral do quadro... balela. Acho que, já que a gente somos elitizados, a parcela privilegiada da sociedade, devemos como dever cívico estar abertos aos outros para mudar, transformar, atuar de forma eficaz nas várias camadas da sociedade, porque nem só de pobres da escola pública vivem as pesquisas. Tem problemas para todos os lados que precisam ser repensados, talvez nem resolvidos, mas ao menos tratados, não apenas observados. Temos que intervir, mostrar serviço. Pensando assim, mestrar ajuda, porque nos dá base e nivel para tal, só que a maioria vai mestrando, doutorando e ficando na universidade... aquém da "realidade". Enfim, são muitas questões paradoxais, mas entrei na briga. Tinha uma ideia, um ideal, escrevi um projetinho, mas de cara encontrei uns problemas: tinha que indicar três possíveis orientadores, mas somente uma era da área de inglês. Acaba que fiz algumas adaptações no projeto, o que pode ter sido um erro, além de declarações facebookianas tabém hehehe, que coisa, não? 
Enfim, me inscrevi, fiz a prova, mas não fui chamada para a segunda etapa. Problemas com a prova, o CV ou o projeto? não sei dizer... Só sei que não ver meu nome na lista de ocnvocados para entrevista me baqueou de um jeito sem precedentes, isso aliado à TPM iminente e à minha vontade, desde sempre, de ir embora para Pasárgada, de Viçosa. A distimia atacou. Primeiro foi a tristeza profunda no dia seguinte. Depois, o péssimo humor, a tristeza, que acabou abalando meu relacionamento. Aí teve o choro descontrolado que culminou em reconciliação. Preciso me cercar dos que me amam, dos que me precisam, dos que acreditam em mim e, sobretudo, dos que acreditam em nós. 

Eu decidi ir embora, comuniquei-lhe isso, ele não gostou, nos afastamos por pouco tempo. No meio do choro descontrolado, eu decidira ir embora no dia seguinte, na semana seguinte, no mês seguinte ou, no máximo, até Abril. A decisão mantenho de pé, mas pode demorar, e sei. Sei que esse ano é o da mudança. 

Bittersweet. Rejeição foi o que senti, o que ainda ecoa na minha alma. E essa é a maior dor da minha vida, a que comecei a viver quando dos primeiros pseudo-relacionamentos, dor que suporto e não supero. Rejeição de uma Instituição foi o ápice de tudo. Ainda tenho lembranças de rejeição que dóem, coisas que jamais foram e jamais serão explicadas ou por mim entendidas. Dentro de uma cidade tão pequena, torna-se difícil não passar por lugares que outrora foram positivamente significativos, e esbarrar em desafetos a quem anteriormente se dedicou tanto amor e paixão. Sim, é por isso, e sobretudo por isso e idiotamente por isso que quero e vou embora. 

Mas divagava eu sobre não querer mestrar. Bom, então, eu deveria me sentir aliviada por não ter passado na cidade em que não quero ficar. Senti um certo alívia, maior agora que a crise vai passando. Mas na hora foi o sentimento de derrota. por mais que eu não quisesse, no momento em que encabeço uma empreitada, quero vencer, acho que com todo mundo é assim. Então doeu essa derrota, que me lembrou tantas rejeições anteriores. Como se eu tivesse nascido errado, desde a hora em que, parida, não chorei. Me recuei ante à vida, nem chorar pude. Sim, é minha velha mania de dar significados ao meu não-choro no nascimento. Porque aquele não-choro pressagiou os muitíssimos que eu teria pela vida.

Bom, passada essa fase - que durou dois dias - , vejo novos rumos. Meu trabalho está me valorizando, e estou tomando mais responsabilidades, apesar da minha decisão de partir, ainda estou me envolvendo mais. Os planos conjuntos me dão mais clareza, mais conforto e segurança, me põe os pés no chão e ao mesmo tempo, dá asas pra voar. Estou bem, agora. E feliz por acreditar em tudo que acredito, doa a quem doer, e olha que dói até em mim mesma. Bye.