sexta-feira, 4 de março de 2011

Menina de Ouro


Eu só queria isso mesmo, sabe?
a lembrança boa,
a saudade
não aquela saudade que aperta e dói
mas a saudade-esperança
que sabe que um dia eu volto
visito, lembro
revejo
e tudo fica assim...

eu preciso de Viçosa-lembrança,
Viçosa-saudade-de-um-tempo-bom
e não essa Viçosa que se impõe, implacável, sobre mim
que me mostra você
e não comigo,
não comigo...

você não comigo e com...
é demais pra mim
é gota d'água que pinga insistente
martelando minha mente
e meu coração
flagelo...

não é amiga
não é só um recado
pode ser nada, passageiro feito eu
pode ser tudo...
não quero pensar

eu só quero me distanciar e ficar
na lembrança boa de tudo
voltar de cinco em cinco anos
e preservar o que foi bom.

calar-me e seguir em frente
porque é preciso que eu aprenda algo disso tudo
é preciso que eu cresça, me levante da lona
e não jogue a toalha, jamais.
big girls don't cry,
menina de ouro.

SONETO DE SEPARAÇÃO

Vinícius de Morais

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

para ele. 

Sonhos... e mulheres loucas!!

venho sonhando com essa viagem que farei amanhã há alguns dias... e ontem, finalmente consegui falar com minha mãe, e ela disse que sonhou que falava comigo no telefone, mas não me ouvia, ou não consegui me entender, e tinha alguém brigando comigo, e... estranho.

No meu primeiro sonho, anteontem eu acho, eu perdia a hora e perdia o ônibus. O cara da bilheteria ria de mim, dizendo que o próximo só meio-dia! E o que eu tinha perdido era às 8h20 da manhã, cheguei lá uns minutos depois. No segundo sonho, ontem, eu pegava o ônibus, mas ficava zanzando por Juiz de Fora e esquecia de ir a Petrópolis, quando lembrava, já estava de noite...

Será que eu não vou chegar lá?? ...

Ultimamente sempre que eu vou viajar fico assim, nessa ansiedade ruim. Antes, quando criança, minha ansiedade era boa, adorava a hora de entrar no ônibus, a viagem em si era a grande diversão. E agora... Imagina quando eu for para os EUA, acho q eu tenho um piripaque. Falando nisso, ontem eu tava deitada e meu coração acelerou por uns minutos, depois voltou ao normal. Será que eu tenho arritimia?? Ave César!

Também sonhei agora de manhã que eu tinha um filho dele, uma filha aliás, como ele disse que queria. Mas foi mais um devaneio. Imaginei como seria: ele só estaria perto de mim por causa da criança. Imaginei também como seria se estivéssemos juntos: o paraíso...é, acho que só me vejo feliz com alguém; não sou auto-suficiente como gostaria.

Ontem entrei na livraria UFV e vi um livro que me pareceu interessante, e de fato, o é: "Doidas e Santas" de Martha Medeiros. Fala de nós, o sexo frágil. Realmente somos frágeis porque agimos mais com o coração. Isso é fragilidade? Não, isso é uma bruta coragem! Diz a contracapa do livro:

Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar the big one, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar louca e cafetina, ou sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha. Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos. Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra.

Haha, adorei isso. Somos todas loucas!! Algumas partes ai não estão na integra na contracapa, mas akilo de fugir num navio com o Jonny Depp, haha, não pude cortar. O texto na íntegra deve estar no livro mesmo, não cheguei a conferir. O livro parece ser baseado no poema de Adélia Prado:

A SERENATA - Adélia Prado


Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Falou e disse Adélia e Martha. Bye!