Pular para o conteúdo principal

Sonhos... e mulheres loucas!!

venho sonhando com essa viagem que farei amanhã há alguns dias... e ontem, finalmente consegui falar com minha mãe, e ela disse que sonhou que falava comigo no telefone, mas não me ouvia, ou não consegui me entender, e tinha alguém brigando comigo, e... estranho.

No meu primeiro sonho, anteontem eu acho, eu perdia a hora e perdia o ônibus. O cara da bilheteria ria de mim, dizendo que o próximo só meio-dia! E o que eu tinha perdido era às 8h20 da manhã, cheguei lá uns minutos depois. No segundo sonho, ontem, eu pegava o ônibus, mas ficava zanzando por Juiz de Fora e esquecia de ir a Petrópolis, quando lembrava, já estava de noite...

Será que eu não vou chegar lá?? ...

Ultimamente sempre que eu vou viajar fico assim, nessa ansiedade ruim. Antes, quando criança, minha ansiedade era boa, adorava a hora de entrar no ônibus, a viagem em si era a grande diversão. E agora... Imagina quando eu for para os EUA, acho q eu tenho um piripaque. Falando nisso, ontem eu tava deitada e meu coração acelerou por uns minutos, depois voltou ao normal. Será que eu tenho arritimia?? Ave César!

Também sonhei agora de manhã que eu tinha um filho dele, uma filha aliás, como ele disse que queria. Mas foi mais um devaneio. Imaginei como seria: ele só estaria perto de mim por causa da criança. Imaginei também como seria se estivéssemos juntos: o paraíso...é, acho que só me vejo feliz com alguém; não sou auto-suficiente como gostaria.

Ontem entrei na livraria UFV e vi um livro que me pareceu interessante, e de fato, o é: "Doidas e Santas" de Martha Medeiros. Fala de nós, o sexo frágil. Realmente somos frágeis porque agimos mais com o coração. Isso é fragilidade? Não, isso é uma bruta coragem! Diz a contracapa do livro:

Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar the big one, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar louca e cafetina, ou sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha. Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos. Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra.

Haha, adorei isso. Somos todas loucas!! Algumas partes ai não estão na integra na contracapa, mas akilo de fugir num navio com o Jonny Depp, haha, não pude cortar. O texto na íntegra deve estar no livro mesmo, não cheguei a conferir. O livro parece ser baseado no poema de Adélia Prado:

A SERENATA - Adélia Prado


Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Falou e disse Adélia e Martha. Bye!

Comentários

Sofia de Buteco disse…
Amei o poema
Me reconheci nessa coisa de maníaca...hehe

Postagens mais visitadas deste blog

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

A solidão do professor

Pouco se fala sobre um sentimento que por certo atinge o professor: a solidão. Fala-se em valorizar o profissional, em melhorar salários, em aperfeiçoar a formação, capacitar sempre mais. Não se lembra que é uma profissão que precisa de cuidado psicológico. Você briga com e contra os alunos muitas vezes. Você tenta abrir suas mentes para o novo, o velho, fazer as conexões, entender, aprender. E tem hora que parece que a gente desiste. Que quando vem um comentário altamente crítico ao seu fazer, desmoronamos. Poxa, tanto esforço pra nada!? A falta de retorno positivo, de um elogio, um abono, uma promoção é deprimente. Desgastante. Falta retorno do aluno também. Pelas provas, nada sabemos. Não conseguimos tampouco estabelecer uma relação ais próxima com cada aluno. Nenhum deles vem e diz, "nossa professor, aprendi tanto na aula de hoje!" (pode ser que algum faça, na faculdade talvez). A gente tem que advinhar as dúvidas, o que poderia ser mais dificil ou não, e segue o ritmo …

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…