quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O parto é punk :)

A palavra punk sempre me remete à rebeldia, coisas e pessoas fora do convencional, com aparência ... punk mesmo. Me lembro de um seriado/desenho em que a protagonista chamava-se exatamente Punk, a levada da breca - era o título. E no dia 12 desse mês não consegui achar palavra melhor para descrever meu parto: foi punk, ponto.
Apesar de tudo que passei, continuo defendendo o parto dito normal, ou vaginal. Eu até partiria para um parto humanizado se tivesse me preparado desde o início, mas não deu. Tive o que ouso chamar de parto semi-humanizado: todo o corpo médico me tratou com profissionalismo típico, aquela coisa meio distante, mas apropriada. Enfim, fui bem tratada no geral. O que vou relatar talvez tenha meu típico tom pessimista, mas sem intenção de assustar. A gente sobrevive e depois se sente preparada pra qualquer coisa na vida.
No dia 11 acordei sentindo umas dores. Como tinha consulta marcada, fui tranquilamente até o posto. Após ser examinada, voltei pra casa sabendo estar em trabalho de parto, com 1cm de dilatação. A médica não viu necessidade d'eu ir pro hospital e me falou pra observar. Passei o dia normalmente, sentindo dores leves. A noite tomei banho e comecei a perder muita "gosma", o tal do tampão que saía. As dores continuavam de leve.  Falei sobre a gosminha com meu namorido e minha mãe. Meu sogro já estava de sobreaviso com o carro. Minha ideia era ir pro hospital quando a bebê já estivesse quase nascendo, porque eu estava sempre ouvindo histórias dos médicos que faziam sempre cesárea e isso eu não queria. Mas logo após o banho comecei a me sentir febril, deitei e pedi um cobertor. Meu namorido se preocupou e resolvemos partir pro hospital. O médico de plantão era um dos adeptos da faca, me examinou e viu que ainda estava com 1cm de dilatação, mesmo assim mandou me internar em observação e caso a dilatação não evoluísse até de manhã, faria cesárea. Gelei na hora, o dia inteiro eu não tinha evoluído, como iria em uma noite? Além disso não queria cesárea de jeito nenhum. Fui para o quarto indicado por uma enfermeira, acompanhada por minha mãe. Quando me vi naquele quarto sem meu namor, à mercê dos médicos, desatei a chorar. Logo veio uma enfermeira e me deu uma camisola e um pano para as partes baixas. Enrolei um pouco, mas finalmente me troquei e colocaram uma daquelas "torneirinhas" no braço. Recebi uma medicação - não sei o que - e fui deixada lá. Minha mãe e eu nos ajeitamos e fomos tentar dormir. Todos se assustavam quando sabiam da minha decisão pelo PN, mas eu estava irredutível. Orei a madrugada inteira pedindo a Deus pra que meu quadro evoluísse e que cesárea não fosse feita. Fui atendida, logo comecei a sentir dores fortes e vomitar um líquido verde, devia ser a medicação, imagino. Uma enfermeira foi ver como eu estava e avisou o médico. Como eu não conseguia deitar, sentar ou dormir, fiquei andando, tentando suportar as dores.  Devo dizer que as dores eram bem terríveis e mal sabia eu que estavam apenas começando... O médico apareceu um tempo depois, me deu uma olhada e mandou subir pra sala de pré-parto. Fui levada numa cadeira de rodas e foi bem difícil sentar nela. Chegando na sala, ainda madrugada, as dores iam piorando e eu sangrando em pequenas quantidades. Me preocupei, pedi minha mãe pra falar com a enfermeira, que informou estar tudo dentro do normal. Tomei um banho quente, eu tremia inteira e não conseguia relaxar. Minha mãe dizia pra eu fazer força quando viessem as dores - vinham uma atrás da outra - mas eu estava exausta, sempre em pé, não conseguia deitar ou sentar apesar de ter tentado a pedido das enfermeiras, que já eram outras na troca de plantão. Tentei até usar a bola, em vão. Achei que o médico também seria trocado, mas ele permaneceu. Quando estava amanhecendo, minha bolsa finalmente rompeu - junto com sangue, uma quantidade considerável de líquido - e passei a fazer força involuntariamente. Meu instinto natural foi ir pro banheiro e sentar no vaso. Logo a enfermeira me alertou pra não fazer força ali; voltei a ficar em pé. Nisso, já tinha praticamente expulsado minha mãe do quarto. Como já era hora, ela desceu e trocou de lugar com meu namorido, que se assustou ao me ver naquele estado e sem poder fazer nada, saiu da sala. Logo o médico veio me olhar, tive que deitar, e ele chamou uma outra médica pra olhar, dizendo que a cabeça da minha baby já era visível. Aí uma das enfermeiras me levou pra sala de parto, fui andando apoiada nela e as dores já beiravam o insuportável. Lá dentro uma cama daquelas de exame ginecológico me esperava e tive que fazer um esforço sobrehumano pra deitar nela. Fui orientada a segurar nos ferrinhos da cama e fazer força. Desde a sala de pré-parto eu estava grunhindo, agora passei a gritar mesmo, estava me segurando porque não sou disso, mas nessa hora não teve jeito, soltei os bichos, ainda mais quando  o médico disse que ia me dar uma ajudinha e empurrou minha barriga. Fiz uma última força de expulsão e disseram: nasceu! e pareceu que tinham arrancado todos os meus órgãos, me senti oca. Logo colocaram a minha bebe perto de mim, depois levaram-na pra vestir. Lídia nasceu às 7h36 da manhã com 2,910kg e 49,5cm. Enquanto a doutora me limpava e costurava, uma das enfermeiras me perguntou se tinha valido a pena... minha garganta estava seca, mas ainda assim eu confirmei. Valeu!