quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A estrada não percorrida

Escrevi as três últimas linhas desse poema no quadro, em uma
das turmas... did they understand?
THE ROAD NOT TAKEN

by Robert Frost
TWO roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;        5
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,        10
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.        15
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

Hoje faz um mês que completei 31 anos e foi meu último dia de substituta em uma escola pública. Normal a escola, nada do que eu já não esperava: professores cumprindo sua carga horário com certo desânimo, uns cansados, outros conformados, outros nem aí, assim como os alunos, mas esses me deram certa tristeza. Um dos meninos do terceiro ano me chamou a atenção pelo sobrenome: Machado de Assis. Fui especular, era simples junção do sobrenome da mãe com o do pai. Ele pareceu nem saber por que eu estava perguntando sobre o sobrenome dele. Disse que não gostava de ler. Grande parte dos colegas dele também não gostam, viram-se de costas para aula - isso me aconteceu inúmeras vezes - e papeiam alto, sem se importar com nada, ouvem música, riem estridentemente. Dia desses me deu vontade de chorar lá. Meu marido diz que eu me preocupo demais, mas como não se preocupar? Não sei, não consigo ser alheia a isso. Me custou hoje sair das salas, como se eu estivesse virando as costas para algo que, na verdade não é responsabilidade minha. Ou é? Não é? De quem é, dos pais? Já nem sei mais... Sempre estudei em escola pública, mas estar à frente da sala de aula me deixa com mais poder e mais vulnerável ainda; é diferente.

Professores:

Não vou deixar ninguém de recuperação!

Vou ar bomba em todo mundo!

Ah, eu era a professorinha alegre, mas agora...

- E a fulana quer fazer licenciatura!
- É, mas pior que tem gente que gosta mesmo! Eu hein, eu vou é fazer um mestrado, quero ir lá dar aula no ensino superior!

Alunos:

- Ah fessora, me dá dois pontos aí!

- Fessora, mas se todo mundo tirou nota baixa é por que tem alguma coisa errada né... (com ar de que a culpa é minha).

- Fessora, que que é regência? ( no dia da prova... :(

- Fessora, mas as provas são diferentes, são sim! ( e eu tentando explicar que tive que formatar algumas pra sair em duas páginas e outras ficaram com três, mas o conteúdo é o mesmo, G-zuz!)

Não condeno os professores, mas o sistema todo, do qual fazemos parte. Tem que mudar. Tem algumas coisas erradas em relação à tomada de decisão da escola quanto a brigas entre alunos, preenchimento de questionários, aplicação de provas, etc... parece que tudo visa a quantidade e não a qualidade (clichê, mas é isso mesmo). Lamento, temo e ao mesmo tempo quero estar lá... foi apenas um mês, mas muitas dores até mesmo físicas ficaram. Eu disse boa sorte em um turma hoje, último dia. Terceiro ano, fico pensando o que vão fazer depois... Penso na minha filha, vejo meninas grávidas, meninos brincando, passeando pela escola, saindo sem saber nada de nada. Tem muitas questões aí, e nesse barco, ninguém está errado por ser egoísta ou altruísta demais.