domingo, 14 de agosto de 2011

Pai e mudança não-ocorrida


Meu pai é esse aí, esse sujeito de poucas e nem sempre boas palavras. A palavra que ele me ensinou, a Bíblia, o inglês, tudo foi ele, culpa dele eu ser o que sou. As letras, o nosso sempre elo. Mandei um cartão pra ele pelo dia de hoje, mas não sei se já chegou, só sei que vai chegar. Cartões pros pais são sempre meio bobos: pai vc é dez, meu campeão, etc, etc, coisas relacionadas a  futebol e vitórias, não aos pais reais. Meu pai é São paulino, tem camisa e tudo. Não deixa de fazer nada por jogo, não toma cerveja gritando na frente da TV, apenas torce, é apenas São Paulino, assim como eu, vendo meu Palmeiras agora.

De malas prontas, eu pretendia me mudar hoje, mas uma série de contratempos - meu oráculo interior estava certo - me impediu de estabelecer-me de vez no lugar novo de morada, portanto cá estou ainda uma ultima noite neste alojamento infernal. Tenho ódio, e se ele matasse, eu já tinha fulminado todo mundo a minha volta hoje.

Sinto muito pela pessoa que tentou me ajudar, que tem me ajudado ultimamente, mas suas constantes ausências e chás de cadeira que me dá tornam nosso potencial relacionamento impossivel, mal consigo suportar-lhe a presença. Adormeço e sei que amanheço amanhã no mais completo ódio, só me restabelecendo á noite, depois de minhas aulas e de um encontro com aquele que, apesar de seu hiperativismo, me acalma. Bom resto de noite para quem não teve um dia de cão, ou um dia de fúria.