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Pai e mudança não-ocorrida


Meu pai é esse aí, esse sujeito de poucas e nem sempre boas palavras. A palavra que ele me ensinou, a Bíblia, o inglês, tudo foi ele, culpa dele eu ser o que sou. As letras, o nosso sempre elo. Mandei um cartão pra ele pelo dia de hoje, mas não sei se já chegou, só sei que vai chegar. Cartões pros pais são sempre meio bobos: pai vc é dez, meu campeão, etc, etc, coisas relacionadas a  futebol e vitórias, não aos pais reais. Meu pai é São paulino, tem camisa e tudo. Não deixa de fazer nada por jogo, não toma cerveja gritando na frente da TV, apenas torce, é apenas São Paulino, assim como eu, vendo meu Palmeiras agora.

De malas prontas, eu pretendia me mudar hoje, mas uma série de contratempos - meu oráculo interior estava certo - me impediu de estabelecer-me de vez no lugar novo de morada, portanto cá estou ainda uma ultima noite neste alojamento infernal. Tenho ódio, e se ele matasse, eu já tinha fulminado todo mundo a minha volta hoje.

Sinto muito pela pessoa que tentou me ajudar, que tem me ajudado ultimamente, mas suas constantes ausências e chás de cadeira que me dá tornam nosso potencial relacionamento impossivel, mal consigo suportar-lhe a presença. Adormeço e sei que amanheço amanhã no mais completo ódio, só me restabelecendo á noite, depois de minhas aulas e de um encontro com aquele que, apesar de seu hiperativismo, me acalma. Bom resto de noite para quem não teve um dia de cão, ou um dia de fúria.


Comentários

Rodolfo Xavier disse…
ai, um dia desses é de matar, realmente.
mas relaxa, depois passa! [com muita fé!] haha

abraço!

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