sábado, 15 de janeiro de 2011

Malvados devaneios

yunphoto.net - "um gramado espaço aberto"

É, eu ainda passo ali e olho aquele campo de futebol... bem, não é um campo de futebol, é só o gramado ao lado do itaú... e pesno que, nesse inicio de noite de sábado, em que minha mochila pesa uma tonelada, estou quase alcançando o chão, penso que ele podia me ligar:

- amor, vem pra cá!
- ah amor, to tao cansada... deixa eu só deixar minha mochila em casa, tá?
- tá bom, mas não demora, tá?
- demoro não, bju tchau
- bju, te amo, tchau..

ah, malvados devaneios... queria ir pra casa do meu namorado agora - se tivesse um - e passar o resto desse sábado chuvoso com ele, assistir TV, jogar os games dele, o que fosse, fazer amor e amor e amor a noite toda, dormir até tarde amanhã... ah, malvados devaneios!

Mas eu tbm passo a reta e olho o outro lado: as tendinhas brancas já estão montadas, todo o esqueleto da grande estrutura para a colação de grau e principalmente o baile, ah, o baile!! Agora eu vou poder fazer 15 e 18 anos, com um certo atraso... eu estou me formando, mas meu Deus, como foi isso? Eu não decidi me formar, simplesmente entrei na comissão, imaginando que iria me formar, e fiz as matérias que me faltavam fazer, além da famigerada monografia. E, ao fazer tudo que devia, automaticamente me tornei formanda. Formada em Letras, licenciada em letras, professora, teacher! E sim, mon Dieu, sim eu queria ele ao meu lado pra compartilhar esse momento, eu ainda queria e ele não merece isso, inclusive me arrependi de ter lhe dado um "santinho" meu... ele só falou "ficou massa!". E foi só. E eu mereço mais, mon Dieu, eu mereço mais!

E a cada dia que passa, eu me sdinto menos dessa geração, menos parte da vida dele, de todo mundo, menos em tudo e mais velha, tão velha, cada vez mais velha...duas alunas minhas fazem aniversário hoje, 16 e 17 anos, meninas ainda, tão meninas. Estou com tanto medo e tão nervosa, mas minha voz interna, ao contra´rio de mim, tem se mostrado cada vez mais amadurecida e me acalma, me conforta, é sábia como nunca fui, mas ela sou eu também. Eu só não quero me conformar com pouco, com tão pouco que tenho deles, eu só não quero migalhas, eu só quero um lugar na vida de alguém, um lugar especial, um lugar que signifique algo, um lugar a ser lembrado.

E pra que foram os bombons, pra que os beijos, pra que os telefonemas? para que eu passasse os fins de sabado aki sozinha vendo a chuva cair e exausta, tão exausta que parece que carrego o peso do mundo? o peso do mundo sim, porque quando a gente é a gente e se submete como deve ser, a gente suporta o peso do mundo. Eu suporto o peso de tudo. Depois de um longo sábado de aulas o dia todo e ainda reclamações de alunos, em nada penso... eu só olho aquele campo vazio, o meu coração solitário, as tendinhas brancas; um frio na barriga... semana que vem me espera... ah! malvados devaneios reais!...

bye.