sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

(Im) possibilidades


Conheço a desventura, só. Quando vem a coisa boa, a ponta do iceberg da felicidade - sim, porque todo mundo quer, mas ela pode fazer um estrago inicial na rotina sistemática de cada um - recua-se. Recuo. recuamos, acostumados que não estamos a receber o bem, as coisas boas, a recompensa. Bom, deixe-me voltar à primeira pessoa mesmo, porque falo por mim. Recuo. Será que é porque não me acostumo à felicidade ou será porque gosto de sofrer? Freud, please...

Sei lá... o passado é a nossa história, mas tem pequeninos detalhes que nunca, never, ever, vamos entender. Eu, pelo menos, nunca entenderei a recusa, o não, o sim à noite e o sai pra lá no dia seguinte. Sim, essas questões nunca saem da minha cabeça, não importa o quão em outra eu esteja. Mas estou seguindo a filosofia da Britney: keep on dancing until the world ends... 21 de dezembro aí está.

Penso no efeito borboleta: o que eu fiz láaaaaaaaaaaaaa atrás que me causou tanto tumulto, sobretudo nos dois útlimos anos? Talvez tenha sido Viçosa. Talvez, bem antes, tenha sido a escolha de meus pais de mudar para São Paulo... talvez tenha sido a minha escolha de não chorar quando nasci, naquele momento mais verdadeiro de nossa vida, em que o choro expressa o "eu nunca quis vir pra cá"... talvez eu, com toda minha preguiça, sequer tenha "pensando" nisso. Meu tico e teco andam falhando, como naquele momento natalino. Corrijo provas e não anoto as notas; esqueço de devolver exercícios, pronuncio palavras em inglês errado... é o fim... do ano. 

Penso no meu filho (futuro e próximo). Se for como eu, há de ter tanta preguiça da vida que com nada se preocupará. Se sair ao pai, há de chorar desepradamente ao ser separado do seio materno. Seu intestino também há de ser preguiçoso, sua pele um tanto áspera, o andar torto, a cara séria... Um príncipe, acima de tudo, apesar de tudo. Acho crueldade ter um filho sabendo que os problemas que temos serão misturados em seu DNA, sem que ele tenha escolha... Penso na minha enorme barriga e quase desmaio de angústia... não sei como vai ser... penso na cor dele. Me chamem do que quiser, mas sempre imaginei uma criança naquele estereótipo de anjo: loirinha de cachinhos e olhos azuis. Impossível.

Conheço as impossibilidades, só. Quando a possibilidade se me apresenta, recuo. Mas não estou mais nessa: vou dançando, me chegando devagar, encaro, sinto. 

Bye.