sábado, 31 de março de 2012

É hora


I reckon it's again my turn
to win some or learn some...
(I'm yours - Jason Mraz)

É hora das botas, li em algum lugar. E acho que em algum lugar dentro de mim, concordei que é hora. Das botas? Bom, porque não? Mas é hora de algo que me aqueça não só os pés, mas também a alma, o coração. Hoje eu não quis ir assistir o amor na obra de Chico. Sim, eu não quero falar ou pensar em amor, mas amo. Me ajoelhei hoje diante dEle e percebi que estou viva, bem, agradeci a Ele...

A vida é tão simples...
Um dia feliz às vezes é muito raro...

Cantam os vizinhos desde as 19h, acho. Hoje é sábado e não descansei, mas descansei a alma nas tarefas domésticas: arrumar o quarto, as coisas, lavar roupa, fazer unhas, preparar aulas. Trabalhei, dei as minhas aulas pela manhã. Amigo choco por causa da páscoa com uma das minhas turmas. Revisão para prova no próximo sábado - de aleluia - com outra turma. Amo muito tudo isso, percebi. 

Percebi também que é hora. É hora de alguma coisa que não sei definir. É hora de eu acreditar mais em mim e nas pessoas, enterrar ou jogar fora o que não presta mais, roupas que não servem, pessoas que não querem, simplesmente não querem, assim como eu não quis muitas que me passaram a vida. É assim que é, é hora.

Será que todo dia vai ser sempre assim?...
Que bom que todo dia vai ser sempre assim...

Continua a cantoria da vizinhança. E eu sinto uma pré-euforia que me assusta, porque geralmente é promessa de felicidade que não se cumpre. Mas tenho tido pequenas felicidades: comprei uma rede. É hora de relaxar de verdade, por uma música, deitar na rede e cantar com a minha voz mesmo que detesto ouvir gravada. Hora de olhar pro céu e ver além. Hora de saber me cuidar e saber esperar, hora de... de espera. De esperar por algo bom que virá, esperar pelo que não tem nome, mas que me chama, me atrai. estou esperando, não saio, não bebo, não vivo, diriam alguns. Vivo sim, intensamente dentro de mim mesma. Sim, é verdade que estou fechada, que não quero tocar no meu próprio coração. Olho todos os dias o poster de formatura que mandei emoldurar e me lembro do quanto estava feliz na época, do quanto abstraí todas as dificuldades, chateções, dores emocionais, e sorri, curti todos os momentos, pulei, dancei, chorei de emoção. estou em busca dessa sensação de novo, dessa abstração, dessa felicidade gratuita que se sente quando se cumpre bem cumprida uma etapa da vida. 

Cumpro bem meu papel como profissional, devo dizer. Não esqueço o resto, mas me concentro no que tenho, isto é, tenho procurado me concentrar no que tenho e não no que já foi. Dúvidas e falta de esclarecimentos sempre existirão... Eu gosto de me explicar, mas não posso fazer nada se não gostam de se explicar pra mim. Claro que não gosto da atitude do "deixa pra lá", mas estou procurando racionalizar as coisas, isto é, viver o que tenho sem dar tanta importância ao que pra mim, na verdade, é crucial. Estranho? Muito.  Sei o que quero da vida nesse momento, mas o que sempre esquentou minha cabeça nunca aconteceu, nunca se deu, e talvez nunca se deu, devo dizer, ainda que me custe e me doa (de doer) admitir. Então, vou meio que deixar de lado, vai ficar ali latente, me lembrando dos momentos bons e dos ruins, mas vai ficar ali, latente, até que algo aconteça. Tenho medo de tomar atitudes, mas a própria falta dela é uma atitude, uma escolha. Um começo. É hora e ponto, não sei de que, do inominável, mas é hora.