Pular para o conteúdo principal

É hora


I reckon it's again my turn
to win some or learn some...
(I'm yours - Jason Mraz)

É hora das botas, li em algum lugar. E acho que em algum lugar dentro de mim, concordei que é hora. Das botas? Bom, porque não? Mas é hora de algo que me aqueça não só os pés, mas também a alma, o coração. Hoje eu não quis ir assistir o amor na obra de Chico. Sim, eu não quero falar ou pensar em amor, mas amo. Me ajoelhei hoje diante dEle e percebi que estou viva, bem, agradeci a Ele...

A vida é tão simples...
Um dia feliz às vezes é muito raro...

Cantam os vizinhos desde as 19h, acho. Hoje é sábado e não descansei, mas descansei a alma nas tarefas domésticas: arrumar o quarto, as coisas, lavar roupa, fazer unhas, preparar aulas. Trabalhei, dei as minhas aulas pela manhã. Amigo choco por causa da páscoa com uma das minhas turmas. Revisão para prova no próximo sábado - de aleluia - com outra turma. Amo muito tudo isso, percebi. 

Percebi também que é hora. É hora de alguma coisa que não sei definir. É hora de eu acreditar mais em mim e nas pessoas, enterrar ou jogar fora o que não presta mais, roupas que não servem, pessoas que não querem, simplesmente não querem, assim como eu não quis muitas que me passaram a vida. É assim que é, é hora.

Será que todo dia vai ser sempre assim?...
Que bom que todo dia vai ser sempre assim...

Continua a cantoria da vizinhança. E eu sinto uma pré-euforia que me assusta, porque geralmente é promessa de felicidade que não se cumpre. Mas tenho tido pequenas felicidades: comprei uma rede. É hora de relaxar de verdade, por uma música, deitar na rede e cantar com a minha voz mesmo que detesto ouvir gravada. Hora de olhar pro céu e ver além. Hora de saber me cuidar e saber esperar, hora de... de espera. De esperar por algo bom que virá, esperar pelo que não tem nome, mas que me chama, me atrai. estou esperando, não saio, não bebo, não vivo, diriam alguns. Vivo sim, intensamente dentro de mim mesma. Sim, é verdade que estou fechada, que não quero tocar no meu próprio coração. Olho todos os dias o poster de formatura que mandei emoldurar e me lembro do quanto estava feliz na época, do quanto abstraí todas as dificuldades, chateções, dores emocionais, e sorri, curti todos os momentos, pulei, dancei, chorei de emoção. estou em busca dessa sensação de novo, dessa abstração, dessa felicidade gratuita que se sente quando se cumpre bem cumprida uma etapa da vida. 

Cumpro bem meu papel como profissional, devo dizer. Não esqueço o resto, mas me concentro no que tenho, isto é, tenho procurado me concentrar no que tenho e não no que já foi. Dúvidas e falta de esclarecimentos sempre existirão... Eu gosto de me explicar, mas não posso fazer nada se não gostam de se explicar pra mim. Claro que não gosto da atitude do "deixa pra lá", mas estou procurando racionalizar as coisas, isto é, viver o que tenho sem dar tanta importância ao que pra mim, na verdade, é crucial. Estranho? Muito.  Sei o que quero da vida nesse momento, mas o que sempre esquentou minha cabeça nunca aconteceu, nunca se deu, e talvez nunca se deu, devo dizer, ainda que me custe e me doa (de doer) admitir. Então, vou meio que deixar de lado, vai ficar ali latente, me lembrando dos momentos bons e dos ruins, mas vai ficar ali, latente, até que algo aconteça. Tenho medo de tomar atitudes, mas a própria falta dela é uma atitude, uma escolha. Um começo. É hora e ponto, não sei de que, do inominável, mas é hora. 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A fase do não

Lídia tem me dito muito não ultimamente. E haja paciência para lidar com isso! Uma mulher que trabalha, tem casa, marido e uma filhinha pequena realmente tem problemas com ser paciente. Tudo que envolve ser uma boa mãe fica ameaçado quando não se pode dedicar-se à criança integralmente. E toda mãe tem, de dois, um dos sonhos: poder dedicar-se integralmente ao seu rebento ou sair para trabalhar sem sentir-se culpada. O primeiro ainda é possível de conseguir para algumas afortunadas; já o segundo... Bem vinda ao mundo da maternidade!

Bom, os nãos da Lídia só não são mais problemáticos porque sua alegria impera e nos contagia. Ainda bem que já estou de "férias" (duas semaninhas de julho) e posso acompanhar melhor a pequena com toda sua cantoria, obra da escolinha e dos videos da galinha pintadinha. Além da galinácea, no menu temos Peppa Pig, O show da Luna, Mundo Disney e por aí vai. Na festa da família na escolinha, a professora bem que tentou fazer os pequenos falarem os ver…

Personas

O top virou peça de dormir. O shortinho de academia, bem, uso em casa mesmo. A disposição pra levantar de manhã cedo e ir caminhar depois de colocar a filhotinha na van se foi, preciso dormir mais, obra do cansaço. Qualquer roupa tá bom. Me arrumar? Quando dá. Se der, deu, se não der, paciência.

Em pleno dia do rock, o dia foi pauleira mesmo. Muita prova de recuperação, aluno enchendo por causa de pontos, ter que manter a todo custo o aluno em sala de aula fazendo alguma coisa, ufs! Conselho de classe e entrega de notas foram pra agosto, thanks God! Mas o dia deixou suas marcas. Uma forte dor de cabeça me tomou desde cedo, tomei um remédio - sim, automediquei-me - e passou, mas me deixou um tanto ligada o comprimido marrom que contém cafeína.

Não tenho tempo para mim, mas tento. Estou fazendo um curso online de musicoterapia e a música é minha melhor terapia. canto mal, mas espanta mesmo os males! Não é fácil conciliar todas as personas: mulher, mãe, professora, esposa, dona de casa,…

Primeira postagem 2016

Nem me dei conta de que hoje foi sábado. Os dias aqui, para mim, passam como se fosse uma coisa só: todo dia, "nada" pra fazer - ócio criativo, talvez, apesar de que não tenho criado nada. Mas tenho visto e lido de um tudo: muitos filmes (Império, Transcendence, Mad Max, etc) e alguns livros (Conto de Natal, de Charles Dickens e sobretudo a Bíblia). Ganhei a Bíblia da Mulher e tenho me alimentado bem dela.
esqueci de pegar foto no face
Viajar pra casa dos pais é voltar ao passado infantil. É bom e mau ao mesmo tempo, nos deparamos sempre com algumas mágoas, algumas falhas, alguns concertos. Certas relações a gente não entende porque é do outro; briga, chora, grita, se enraivece e, por fim - maturidade! - aceita e toca o barco.
Tem chovido bem em Sampa. Hoje a água caiu mesmo. Minha mãe e irmã viajaram pra Goiás. E eu cá estou com a minha moreninha, esperando a boa vontade do governo estadual pra voltar pra Bh. Na verdade faremos uma ponte Viçosa-BH. É bom viajar a sós, só co…