sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Paixão


Falta-me paixão, sempre foi assim. No meu primeiro e úncio concurso de poesias na minha escola de ensino médio, ganhei o segundo lugar. A premiação, um troféu que hoje está todo despingolado e um relógio de pulso que não tenho mais. No dia seguinte, esperava ansiosamente minhas colegas perguntarem sobre o concurso, esperava ansiosamente por poder falar, mas jamais falaria sem "permissão", um adeixa de alguém. Ninguém perguntou... talvez não tivesse tanta importãncia assim, talvez fosse nada, talvez... e no meios desses meus devaneios, o entusiasmo pela coisa foi esmorecendo, meu coração foi batendo normalmente, me aquietei. Foi assim que uma das colegas, a Kátia, perguntou, espantada por eu não ter falado antes: "ei, e o concurso?" E eu falei que tinha ganhado segundo lugar, sem entusiasmo algum. E ela exclamou como eu não contara antes, e como podia dizer assim, sem nenhum entusiasmo, se fosse ela estaria dando pulos de alegria. E eu estava, mas nunca consegui demonstrar por parecer ridículo ou errado, creio. Até hoje é assim. Meu código de conduta está acima do riso espontâneo, do grito de felicidade, do abraço fora de hora e sobretudo de ligações telefônicas, por mais que eu morra de vonatde de falar com a pessoa. Detesto telefone, celular, enfim, tenho problemas pra me expressar verbalmente...

Aprendi assim. Com pai, mãe? Não. Irmãos, amigos? Não. Professores, alunos? Não. Sim, eles. os amores que não foram. Aprendi a controlar o eu te amo até o ponto de ter extrema dificuldade em dizê-lo ou demonstrá-lo. Aprendi a não ligar todo dia ou mesmo mandar mensagens, a não demonstrar interesse até o ponto de, quando realmente tenho interesse, me visto atriz: friamente digo não ter. Aprendi a ignorar ao passar por .. na rua e em qualquer lugar.

Em família, me visto de mim pré-Viçosa: rolo no chão com meus sobrinhos, digo que amo, beijo-os até não poder mais, mantenho distância necessária de pais e irmãos e afins, enfim, paz. Vim pra cá com a mente em paz e estou procurando mantê-la. Mantenho a boca fechada. Até pra isso falta-me paixão, o empurrão, a vida: ao ser confrontada, me calo. E penso, tempos depois, no que deveria ter dito. Conhecendo-me assim, estou procurando me conformar com a minha não-resposta, sem mais lamentações. A paixão pra mudar, pra responder e arriscar tomar tapa na cara me falta, falta muita. Mas sinto um fogo queimar dentro de mim, a vida, a paixão que sempre escondi e que direcionei a quem não deveria nunca. Mas a paixão que a gente lança, fica. Fica um pedaço da gente lá, no outro, ainda que o outro a recuse. E aí o outro se constrói com outra e pra gente é quase impossível se reerguer, somente com óleo de Lorenzo, com todo respeito. Estou testando um óleo há três meses. Acheio que o amor ia me salvar, promover aquela mágica que esperamos em viradas de ano e finais de novelas e filmes românticos. Mas como eu já disse amplamente aqui, essa mágica não se dá, assim, espontâneamente. Construamos, pois. (Me canso só de pensar...)

Queria um amor pronto, assim como quero um filho meu, mas que não saia de mim; um amor cheio de mimos, presentinhos, flores, mensagens, chocolates, e não sacrifícios. Depois dizem que dinheiro não traz felicidade...mas que proporciona coisas boas, ah isso faz! Não sou interesseira, em absoluto: já transitei por raças e alturas variadas, cores, papos, sei lá... Não sei o que conta pra mim: nas duas vezes anteriores que amei, simplesmente amei, e eram bastante diferentes. Simplesmente pareciam olhar pra mim, me dar atenção, me ver. Me alimentei por muito tempo disso, do olhar do outro sobre mim, ainda me alimento, mas tento mudar, tento agora me encarar no espelho, ver o meu olhar. O meu próprio olhar sobre mim mesma, o mais difícil. Como disse paulo Coelho numa entrevista à uma revista, "Se você sobrevive à sua própria autocrítica, consegue afrimar seu trabalho". Consegue se afirmar, eu diria. E ainda "O livvro é a descoberta que o autor faz de si mesmo, de aspectos sobre si que ele não conhece". Ah Paulo, queria viver também da minha arte... mas isso são outras lamentações. 

Enquanto isso, a vida e a morte promovem um equilíbrio da cadeia alimentar... ??? Bye.