domingo, 23 de junho de 2013

Maktub

Estrela de Davi

Acordei mals hoje. E como todo bom homem que se preze, Bruno enraiveceu-se comigo, ao invés de me dar um tempo. Mas agora à noite tudo ficou bem, sobretudo porque íamos à Igreja. Tenho muitas preocupações e a maior delas, financeira, torna-se cada vez mesmo maior. Nem lembrei do baby e não comi de 3h em 3h. Porque antes eu podia ficar horas sem comer, ou comer qualquer porcaria, eu aguentava, mas agora não dá. As preocupações são muitas, muita coisa pra resolver e eu não tenho a complacência tipicamente Brunesca. Quando vejo que só me restam alguns trocados na carteira, meu humor piora drasticamente, e olha que já não é dos melhores. O que tem me salvado é a companhia dupla, Bruno e baby. Meu namor é dessas pessoas fáceis de decifrar, sem grandes problemas emocionais, mas com grande tendência ao que chamo falta de decoro no trato cotidiano: bagunceiro, esquecido e relax demais. É roupa daqui, cuecas dali, "já vou, já to indo, já vou fazer" ... e nada! televisão o tempo todo, falta de atenção, dentre outras coisas... o amor é cego? Não o meu, não o nosso. Ele deve bem enumerar as minhas falahas, apesar de fazer esforços para se concentrar no meu - pequeno - lado bom. Nosso encontro e relacionamento foi e é, no mínimo, incomum, mas maktub. Fizemos 9 meses no último dia 21. 

Uma das manifestações pacíficas que deu início a essa onda, ou ao menos acabou fazendo parte, foi a manifestação em Brasília no dia 5 de junho, encabeçada por líderes evangélicos. Nossas bandeiras - digo nossas porque faço parte desse povo - vão bem contra o pensamento contemporâneo, sobretudo a preservação da família tradicional e pela vida. São questões polêmicas, por certo, mas temos que nos posicionar. Sou contra o aborto. Descriminalizar seria um caminho humanista desejado, mas o risco é virar mania, já que tanto se prega a liberdade sexual e, um bebê inesperado em meio a um encontro casual, uma orgia ou qualquer tipo de relação não comprometida, seria um empecilho. Abortá-lo, pois. No caso dos estupros, ainda pondero, mas e as mulheres que já são casadas ou mesmo mães e simplesmente não desejam aquele filho? As que estão lá usufruindo de sua liberdade sexual e se deparam com uma gravidez indesejada? Abortar assim, sem culpa, sem dó nem piedade? Acho isso estranho, muito estranho, no mínimo cruel. 

Sobre a família tradicional, contra a união homoafetiva, também me posiciono contra. na verdade acho que sou mais contra a obrigatoriedade de as igrejas e instituições religiosas serem obrigadas a realizar casamentos. Creio que não é isso - ainda - que está em pauta, mas sim a legalização do casamento homoafetivo civil. Contudo, qualquer um que se posicionar contra é taxado de homofóbico, mas vejamos bem, os ensinamentos de qualquer doutrina religiosa, ou pelo menos da grande parte, vai contra o relacionamento afetivo entre pessoas do mesmo sexo; portanto dois homens ou duas mulheres se casarem na igreja é, no mínimo, contraditório, o que não tira a liberdade das pessoas em escolher o/a parceiro/a que bem entender. Adoção de crianças por parte desses casais também é polêmico. Barriga de aluguel, acho ridículo, em qualquer caso, homo ou hetero, porque envolve questões emocionais entre mãe biológica e feto, o bound que se cria... só uma mulher extremamente fria daria um filho gerado em seu ventre sem sofrimento algum. 

Tudo isso me lembra Davi. Ou Lídia, meu ou minha baby. Na situação em que estou, estivesse até morando na rua, jamais pensaria em aborto ou dar para adoção, jamais. Seres humanos podem ser bem cruéis em certas situações e creio que eu poderia também ser, mas contra um ser indefeso que mal se formou eu não teria coragem de fazer algo. Nunca. Que Deus nos abençoe, a nós três, para vivermos da melhor maneira possível essa situação, amém.