Pular para o conteúdo principal

Das ilogicidades da vida


Pensava sempre, ao digitar aquelas letras embaralhadas de código pra fazer comentários em blogs, qual era a lógica daquilo. Alguns sites que também pediam até diziam: prove que você não é um robô, ou que você é humano. No último, uma palavra em inglês se formou: both. Teria lógica, seria aleatório? O que é aleatório na vida?

Ontem andava pela rua e observava as pessoas, como sempre fizera. Mas agora era diferente. parecia estar de certa forma protegida e podia olhar e pensar coisas livremente. Como por exemplo, que aquele carinha ali, se não fosse sua decisão tomada, pegava fácil. Tinha plena segurança de que poderia ficar com qualquer um que quisesse, a não ser que o cara realmente não quisesse. Conquistar eram outros quinhentos, coisas que nunca soube fazer. Que adiantava essa segurança de "pegadora" se não sabia como manter. E, se não tivesse tomado a tal decisão, sabia que ia ficar nisso eternamente, pega, fica, morde, beija, transa, um após o outro. O sabor disso não lhe parecia tão mal, mas tinha também segurança o suficiente agora pra dizer que havia feito a melhor escolha. Viver vida dupla não dá. Igreja e balada não dá. Ser gay e disfarçar não dá. Ser poliamor e namorar um/a só não dá. Preencher a necessidade de Deus com qualquer outra coisa não dá. Saber da verdade e não seguí-la não dá, ponto. Foi por isso que de repente, um dia voltando de um evento qualquer com dois amigos, desviou do caminho e foi pra casa quando os dois seguiram para uma noitada num barzinho qualquer. Naquela hora, os três perceberam que agora a p. ficou séria rsrsrs... uma sensação de alívio, orgulho e felicidade a invadiu quando ia pra casa. Tinha medo também da eterna solidão, mas foi quando logo depois da decisão ele apareceu. Aleatoriamente? Não. 

Ele também não gostava das baladas, estava longe disso por igual decisão tomada há algum tempo. Juntos tinham suas dificuldades: um interesse no início, paixão, depois a rotina e as brigas. Não tinham feito tatoo, nem aliança, nem declarações ou poemas, mas estavam lá, marcados um no outro. Agora que ele voltara a estudar, ela retomou vida de gata: caseira, só, silenciosa. Não que não sentisse falta: poderia ir ao cinema, a uma lanchonete, à opera, ao teatro, etc... o impedimento agora, além da falta de convites - os mundos das pessoas se separam - era financeiro. Trabalhava unicamente para pagar as contas e comer. As roupas todas velhas, sapatos idem, comida a de sempre, modestamente. Queria chorar e fazer seu drama típico mas agora nem tinha mais ninguém pra ouvir. Era o preço da decisão. Melhor do que ficar se enganando-se a si mesmo...

Pensou no dia, na tarde, quando vislumbrava a possibilidade de receber algum por um trabalho extra feito. Cobrara menos e se arrependia, mas ainda assim seria boa a quantia. terminou de pensamentar e foi se arrumar. Agora só tomava banho quando voltava do trabalho. Sei lá. Ilogicidades da vida. 

Bye. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

A solidão do professor

Pouco se fala sobre um sentimento que por certo atinge o professor: a solidão. Fala-se em valorizar o profissional, em melhorar salários, em aperfeiçoar a formação, capacitar sempre mais. Não se lembra que é uma profissão que precisa de cuidado psicológico. Você briga com e contra os alunos muitas vezes. Você tenta abrir suas mentes para o novo, o velho, fazer as conexões, entender, aprender. E tem hora que parece que a gente desiste. Que quando vem um comentário altamente crítico ao seu fazer, desmoronamos. Poxa, tanto esforço pra nada!? A falta de retorno positivo, de um elogio, um abono, uma promoção é deprimente. Desgastante. Falta retorno do aluno também. Pelas provas, nada sabemos. Não conseguimos tampouco estabelecer uma relação ais próxima com cada aluno. Nenhum deles vem e diz, "nossa professor, aprendi tanto na aula de hoje!" (pode ser que algum faça, na faculdade talvez). A gente tem que advinhar as dúvidas, o que poderia ser mais dificil ou não, e segue o ritmo …

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…