Pular para o conteúdo principal

Aceito tudo - ou sobre a adrenalina e o tempo


"Ah eu pensei que é indo, caminhando, mas não fui 
para um sonho diferente que se realiza e reproduz
e pensando fui seguindo num caminho estreito cheio de tombo..."

(Di Melo - "Aceito tudo")

Quando eu tinha 15 anos, por aí, parecia que o tempo não passava, que ficaria eternamente na escola, estudando, estudando e não indo a lugar algum, Mas descobri que isso de estudar a vida inteira existe e leva a muitos lugares, depende-se dos rumos e decisões  serem tomados. Eu nunca fui de tomar decisões. Ia pra escola meio sem saber por que; tinha que ir. Tinha que assistir tv, brincar com o bichinho virtual e com os cães e gatos que tinha na época, tinha que brigar com meus irmãos, tinha que ficar olhando pro horizonte á noite, horizonte esse que eu não via. Tudo que via da minha janela - quarto meu e dos irmãos - eram os barracos de madeira construídos sobre o lixão. Eventualmente via ratos passeando pelos telhados, gatos também. Não via futuro. Não sabia o que viria pela frente mas acreditava piamente que Deus ia mudar tudo, dar um jeito em tudo. E assim foi. Pra meu bem ou mal.

Agora parece que o tempo se acelera - acelera-se? - mas sinto que passa no seu normal. Que quando eu me der conta, vou ver a minha pele toda enrugada e não fiz muita coisa. Mas terei feito o que foi possível, o que me foi possível. Não goston de pensar que vou me arrepender por ter feito isso ou aquilo ou por não ter feito. Não vou. Já estou aceitando que sou assim e talvez minha vida não seja pontuada por grandes realizações, não aquelas que saem nos jornais ou no guiness book, mas grandes realizações pessoais, isso tenho certeza que vai ter. Um passo rápido para uma tartaruga é um grande feito. 

Estou no automático, acho. Isto é, estou procurando estar, porque o meu lado emocional é forte e dramático. Ontem estive em um churrasco com pessoas do mestrado de linguística e foi bom, não me senti menos que ninguém, isso porque conhecia a maioria ali, veteranos, calouros e pessoas da minha turma também. Tiramos fotos bobas, falamos bobeiras, rimos. Foi bom. Depois voltei pra casa e no meio do caminho havia uma pedra. Aliás, havia um Camelo e uma Vaca, cruzamento estranho. Foi difícil não olhar e não se importar... havia também um cachorro que me seguia sentindo o cheiro das minhas carnes, isto é, das carnes que eu trazia, sobras do churrasco. Dei-lhe um pedaço que ficou passado demais na esperança de que ele se fosse, mas ele queria mais, o pobre. Duas vezes corri feito louca dele, mas estava mesmo precisando sentir meu coração bater. Depois ainda estiquei a noite nas baladas da vida. Estava elétrica e ainda estou, apesar do cansaço de uma jornada de trabalho de dez horas nesse último sábado. Acho bom às vezes quando tenho muito trabalho porque aí não dá tempo mesmo de pensar muita na minha própria vida. Automático mode on. 

That's all, folks. Bye.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A fase do não

Lídia tem me dito muito não ultimamente. E haja paciência para lidar com isso! Uma mulher que trabalha, tem casa, marido e uma filhinha pequena realmente tem problemas com ser paciente. Tudo que envolve ser uma boa mãe fica ameaçado quando não se pode dedicar-se à criança integralmente. E toda mãe tem, de dois, um dos sonhos: poder dedicar-se integralmente ao seu rebento ou sair para trabalhar sem sentir-se culpada. O primeiro ainda é possível de conseguir para algumas afortunadas; já o segundo... Bem vinda ao mundo da maternidade!

Bom, os nãos da Lídia só não são mais problemáticos porque sua alegria impera e nos contagia. Ainda bem que já estou de "férias" (duas semaninhas de julho) e posso acompanhar melhor a pequena com toda sua cantoria, obra da escolinha e dos videos da galinha pintadinha. Além da galinácea, no menu temos Peppa Pig, O show da Luna, Mundo Disney e por aí vai. Na festa da família na escolinha, a professora bem que tentou fazer os pequenos falarem os ver…

Personas

O top virou peça de dormir. O shortinho de academia, bem, uso em casa mesmo. A disposição pra levantar de manhã cedo e ir caminhar depois de colocar a filhotinha na van se foi, preciso dormir mais, obra do cansaço. Qualquer roupa tá bom. Me arrumar? Quando dá. Se der, deu, se não der, paciência.

Em pleno dia do rock, o dia foi pauleira mesmo. Muita prova de recuperação, aluno enchendo por causa de pontos, ter que manter a todo custo o aluno em sala de aula fazendo alguma coisa, ufs! Conselho de classe e entrega de notas foram pra agosto, thanks God! Mas o dia deixou suas marcas. Uma forte dor de cabeça me tomou desde cedo, tomei um remédio - sim, automediquei-me - e passou, mas me deixou um tanto ligada o comprimido marrom que contém cafeína.

Não tenho tempo para mim, mas tento. Estou fazendo um curso online de musicoterapia e a música é minha melhor terapia. canto mal, mas espanta mesmo os males! Não é fácil conciliar todas as personas: mulher, mãe, professora, esposa, dona de casa,…

Primeira postagem 2016

Nem me dei conta de que hoje foi sábado. Os dias aqui, para mim, passam como se fosse uma coisa só: todo dia, "nada" pra fazer - ócio criativo, talvez, apesar de que não tenho criado nada. Mas tenho visto e lido de um tudo: muitos filmes (Império, Transcendence, Mad Max, etc) e alguns livros (Conto de Natal, de Charles Dickens e sobretudo a Bíblia). Ganhei a Bíblia da Mulher e tenho me alimentado bem dela.
esqueci de pegar foto no face
Viajar pra casa dos pais é voltar ao passado infantil. É bom e mau ao mesmo tempo, nos deparamos sempre com algumas mágoas, algumas falhas, alguns concertos. Certas relações a gente não entende porque é do outro; briga, chora, grita, se enraivece e, por fim - maturidade! - aceita e toca o barco.
Tem chovido bem em Sampa. Hoje a água caiu mesmo. Minha mãe e irmã viajaram pra Goiás. E eu cá estou com a minha moreninha, esperando a boa vontade do governo estadual pra voltar pra Bh. Na verdade faremos uma ponte Viçosa-BH. É bom viajar a sós, só co…