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Owl II


Olha não sou daqui
diga onde estou
não há tempo, não há nada
que me faça ser quem sou
mas sem parar pra pensar
sigo estradas, sigo pistas pra me achar...    (Pato Fu - Antes que seja tarde)

Estou acordada feito coruja, mas morrendo de sono. Tem um pessoal aqui atrás de casa que toca e canta moda de viola. E eu tenho saudade de um tempo que não volta. Saudade de quando eu não errava. Ou ao menos só errava em pensamento. Passava horas a fio mergulhada na minha própria imaginação e era um saco aquilo, apesar de ter me rendido tantos poemas. Saudade mesmo de quando eu não bebia, não saía, não.. fazia coisas que agora faço, mas que ainda acho condenáveis. Saudade de não estar em cima do muro, de ter a plena certeza de estar no caminho certo... saudade de só ter a vontade normal de experimentar o mundo, mas não ousar pôr o pé fora da linha. Faltava-me oportunidade de ser o que agora sou, vivida. Em termos. Não sei o por que de muita coisa ter acontecido, mas sei que há um propósito maior. E não sei por que também não consigo voltar a mim, é como se eu tivesse desmaiado, morrido mesmo, e a alma já acordou em outro corpo, outra vida, enquanto parte do meu espírito continua lá, inutilmente dando tapinhas no meu rosto de 22 anos;;; foi quando desmaiei em São Paulo e acordei em Viçosa. Mas ainda não havia morrido até que os acontecimentos me atropelaram e as decisões erradas me obstacularam. E agora me sin to jogada num canto meio sem saber que rumo tomar porque tudo que faço me parece errado, duvidoso, pecado.

Não consigo dizer não à nada; a libertinagem, a bebida, a igreja, a Deus... será? Não há meio-termo, somente dois caminhos. E vivo sob o peso de ter que escolher, escolher de verdade agora que conheço os dois lados. Já escolhi, mas não sigo do jeito que gostaria, do jeito mais correto, mais próximo de Deus, mais certo mesmo. 

E a minha vida espiritual me dá asas pra voar sob os cuidados dEle, mas ainda me iludo com os banquetes infernais. Agnus Dei, valha-me. Amém.

...

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nem juntaria dinheiro
um amor em cada porto

Ah se eu fosse marinheiro..
não pensaria em dinheiro
um amor em cada porto..
Ah se eu fosse marinheiro..

O meu amor me deixou,
levou minha identidade
nao sei mais bem onde estou
nem onde ha realidade

Ah, se eu fosse marinheiro
era eu quem tinha partido
mas meu coração ligeiro
nao se teria partido
ou se partisse colava
com cola de maresia

Homens são marinheiros, trabalhadores de um dia que vêm ,aportam, conquistam, usam, amam por uma noite e se vão…