Pular para o conteúdo principal

injustiça

meu mundo está assim, injusto. Aliás, não é o meu mundo, é o de lá de fora. droga, tudo tão injusto, tão frio, quem se importa com o que sinto?...amigos falam, eu ouço, mas raramente me ouvem, tudo tão injusto...e a universidade só me sugando, me sinto tão improdutiva, não tenho trabalhos suficientes para apresentar aqui, acolá...não quero isso, só quero me graduar, não achei que fosse tão complicado. Não quero a vida acadêmica, mas me sinto quase que obrigada a fazer mestrado...também, o meio acadêmico foi o jeito mais "fácil" que achei pra melhorar essa droga de vida. só quero viver, não quero prêmios, quero meus livros publicados, não quero destaque, nem ser melhor que ninguém porque não sou. Igualdade, não oportunidade. Não aceito detenção de poder tal que me seja "permitido" pedir oportunidade, não, quero igualdade, King, oh King, you were right, so right, your words so beautiful and clear and so smart...
eu sou pobre, quase negra, a pobreza que clamo aos quatro ventos incomoda e por isso todos preferem ignorar, fingir que sou igual as pattis que recebem uma grana gorda dos pais todo mês. Não recebo nada dos meus pais, nem tenho tempo pra mim direito, só pensando em produzir, produzir, produção acadêmica...nem posso sonhar coma viagem aos EUA...ganho bolsa-extensão, mas a universidade é perversa, pega metade do que ganho de volta pelo RU, não posso ter bolsa atividade porque bolsa-extensão não é cumulativa...diabo de universidade...dão com uma mão e tiram com a outra...
oh, céus, tudo tão injusto...eu e minhas lamentações...
o saco maior é que ninguém siquer lê essa birosca...
eu sou só eu e vou morrer um dia e aí, acabou...já não sou mais tão nova, quero amor, quero amar, sei amar como poucos...não falo de sexo, falo de carinho e cuidado, atenção, afeto, paixão, amor...ah, se todos eles soubessem o que perderam ao me deixar...
oh mundo, continua teu mergulho na lama da injustiça...eu sigo para o alto, para o alvo, e é tudo que importa, dane-se o mundo aqui, o que interessa é o outro mundo, o depois do fim desta vida...
todo esse sacrifício e depois, pensar que eu ainda terei que pagar o diploma...devia ter realmente comprado um nas ruas úteis de são paulo...pelo menos não me mataria tanto, não mataria meus sonhos, teria tempo pra eles. E agora é como se eles não existissem mais, eu não sou eu, sou produto do meio acadêmico. Eu só quero viver e me dedicar ao amor, ao meu amor, ao meu futuro amor...minhas letras estão ficando realmente letais...não, não preciso maneirar, não quero, não quero seguir normas, as normas da ABNT, as normas da apresentação oral da apresentação de painel, nossa, droga, chega, isso não é humano, isso é mau, é cruel, eu...eu só quero viver, cara, porra, eu só quero viver em paz. Tenho direito. Igualdade...pensar que minha familia se sentiria tentada a me eliminar se eu tivesse um seguro de vida...não os culpária pelo crime, é o que a sociedade burguesa e burrocrática produz...é isso aí, eu quero falar, quero escrever um artigo deste jeito e publicar, sco, que que tem demais? isso é que é produção de verdade, cara, isso é que é produção acadêmica. O resto é conversa, papo da elite dominante. Não quero ser parte desta elite, somente quero viver em igualdade. Não quero mandar em ninguém nem ser mandada também. Saco, quero só escrever meus poemas, minhas coisas, quero que os outros leiam e saibam e partilhem de minhas idéias e produzam igualdade e não produzam nada obrigados...tema livre numa disciplina obrigatória...o professor te dá diretrizes, te molda e vc produz o que na verdade ele quer e não vc, mas aí ce já incorporou tudo cara, que merda, é assim mesmo, desse jeito. Mas esse assim mesmo não implica comodidade, pelo contrário. Palestra de ontem> a thing stable is dangerous, so, don't be stable, move, change, make conflits, scream and save your soul, man, yeah, save your soul. Não consigo parar, sou eu, agora sim sou eu fluindo na rede, na web, sem grito, sem agressão, no silêncio, só o pequeno barulho das teclas. cara, eu sei que tô depressiva, com frio n'alma, mas é isso aí, é como disse uma colega, não teríamos poesia sem o frio nas almas...é, orra meu, sim, eu tenho que sofrer pra ficar lúcida e ser eu mesma neste mundo injusto de alienados, neste mundo alienado de imjustos e blá-blá-blá...nú, o trem tá feio, como dizem meus hermanos mineiros...e eu sem naturalidade, sou urbana, sou moderna, sou eu, nasci lá, vivi ali e tô aqui, estudando...estudando não é a palavra certa, mas tudo bem. A universidade quer meu cérebro, minha mão de obra, quer me invadir e parasitar, se não puder, vai me jogar fora, vai me jogar fora mesmo, bunitu...ora que se dane, quem é a universidade pra mandar em mim, vai se f...forgive me Lord...tudo é tão ridículo e absurdo...a terra é de todos, como que eu me aproprio dela e não deixo ninguém entra no meu país, na minha casa, na minha vida? As relações humanas dóem, ninguém passa pela sua vida sem deixar marcas...mas isso é que é estudar, isso é o aprendizado da vida, na vida...nossa, eu tô f. hj, tô lúcida, tô com raiva e por isso escrevo, escrevo pra viver...não posso parar, esse é meu papel, essa é minha missão, escrever. E se não escrevo nada de bom...que parâmetros vc tá usando pra dizer que o que escrevo não é bom? tudo é relativo, sacado de gênio essa lei...e tudo é reativo também...gosto de saber, de escrever direito de acordo com certas normas, ...mas não na vida...deixa a vida fluir, correr...deixa a vida ser e só. É o que tento fazer, viver...mas tá sufocante a injustiça, tá me quebrando, me matando, mas não vou sucumbir...Vim pegar o maldito diploma e sem ele não saio daqui. Não sei se vou dizer que valeu a pena um dia, por enquanto tô mais é querendo chutar o balde, mas ufa, respiro e sigo, engulo sapos, lagartos, cobras, e tudo que vier...não sei se vale mesmo a pena - e que pena! - mas é o que eu escolhi e vou pegar o maldito diploma, todod marcado pelo meu suor, noites mal dormidas, lágrimas e lágrimas na madrugada, sozinha, corridas atrás de terminar trabalhos, mudar tudo na última hora por causa de professor insatisfeito com a própria vida...é isso que o meio acadêmico produz: insatisfação. Injustiça.

Comentários

Como assim "ninguém siquer lê essa birosca"? Eu li, porra! E pra provar, resalto aqui as melhores partes:

"E agora é como se eles [meus sonhos] não existissem mais, eu não sou eu, sou produto do meio acadêmico."

"A universidade quer meu cérebro, minha mão de obra, quer me invadir e parasitar, se não puder, vai me jogar fora"

"quem é a universidade pra mandar em mim?"

"escrevo pra viver...não posso parar, esse é meu papel, essa é minha missão: escrever"

"tá sufocante a injustiça, tá me quebrando, me matando, mas não vou sucumbir...Vim pegar o maldito diploma e sem ele não saio daqui."

"não sei se vale mesmo a pena - e que pena! - mas é o que eu escolhi e vou pegar o maldito diploma, todo marcado pelo meu suor, noites mal dormidas, lágrimas e lágrimas na madrugada, sozinha"

"E se não escrevo nada de bom...que parâmetros vc tá usando pra dizer que o que escrevo não é bom?"

Viu? Eu realmente li. Tudo. E digo, Rebeca, que sinto a mesma coisa em relação à Academia. Ela não está nos formando, mas deformando. E eu não sei se vou querer esse maldito diploma. O que farei então? Vou abrir um restaurante ou coisa parecida. Quer ser minha sócia?
Parabens.. está no caminho certo para entrar no CA de Letras...

agora, se o Vinícius fizer um restaurante ele vai morrer de fome.. entra em outra furada não! hahahaha

^^

Postagens mais visitadas deste blog

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

A solidão do professor

Pouco se fala sobre um sentimento que por certo atinge o professor: a solidão. Fala-se em valorizar o profissional, em melhorar salários, em aperfeiçoar a formação, capacitar sempre mais. Não se lembra que é uma profissão que precisa de cuidado psicológico. Você briga com e contra os alunos muitas vezes. Você tenta abrir suas mentes para o novo, o velho, fazer as conexões, entender, aprender. E tem hora que parece que a gente desiste. Que quando vem um comentário altamente crítico ao seu fazer, desmoronamos. Poxa, tanto esforço pra nada!? A falta de retorno positivo, de um elogio, um abono, uma promoção é deprimente. Desgastante. Falta retorno do aluno também. Pelas provas, nada sabemos. Não conseguimos tampouco estabelecer uma relação ais próxima com cada aluno. Nenhum deles vem e diz, "nossa professor, aprendi tanto na aula de hoje!" (pode ser que algum faça, na faculdade talvez). A gente tem que advinhar as dúvidas, o que poderia ser mais dificil ou não, e segue o ritmo …

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…