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Acordando no inferno em um 12 de junho

O que quer que aquele dois de copas tenha me predito de bom, o oposto ocorreu: tudo foi mal nesse sábado. Claro, não foi bem assim, já que me coroaram a rainha do exagero: algumas escolhas e decisões erradas me levaram a acordar no inferno neste domingo. O diabo passou a noite a meu aldo, aproveitando-se ao máximo de minhas volúpias. Ao amanhecer do dia, ele não pode esconder sua face, reconheci-o. Fechei a cara, nada de palavra, não conseguia falar. Ele mora ao lado, ao lado do bailão ocê ki sabe, sô!. A rua que dá em sua casa engana que é céu: sobe em morro, para no meio. O esconderijo, parecendo abrigo, também não pode esconder sua face ao raiar do dia: eu estava em meio ao caos de um quarto-cozinha-banheiro. A cama, quase caindo; o colchão, ou o que restou dele, espumava-se pelo chão e tinha intima relação com o estrado da cama, tanto que deixava que as costas desavisadas de alguém o sentisse inteiro. As minhas costas. Sinto dores terriveis agora. Dores do estrado da cama e dores por um corpo que insistia em pesar sobre o meu sem nenhum carinho ou cuidado. Um corpo tatooado: Gabrielle. Perguntei: filha. Outra tatoo no braço, o nome da mãe, mãe dele. 

Na festa, bebi um quentão. Dois quentões, três quentões, quatro quentões... parei em que número? Não sei. Mais três ices, das quais só me lembro de ter bebido duas, e eu o encontrei. Tudo rápido, sem rodeios e eu, exaltada e excitada pela bebida - ela sempre me desperta o lado lascivo - fui para o cafofo do Osama, digamos.

Acordo agora em um 12 de junho extremamente estranho. Não ligo que hoje seja hoje, minhas dores me consomem. Tudo porque o meu programa extra de ontem foi adiado. E eu corri com tantos preparativos para nada. De certa forma, não queria perder a noite e dei à mão para me conduzirem ao inferno-céu do meu corpo. Ele me manda, eu me entrego, e depois ele me entrega à violentas dores físicas e à minha consciência que já não existe. Então, eu entro numa espécie de sonambulismo, vazio consciente de mim. Limbo? Viva? Sim, no limbo, porque já não sou digna do céu e não chego a ser totalmente corrompida para que o inferno me receba. Mas estive lá. Sim, eu estava lá neste domingo de manhã.

no despertar de hoje, ele me perguntou o nome: nao acreditou que eu me chamasse Isabel, mas também não quis saber. Cismou com Roberta, nome q odeio. Passei-lhe meu número, com muito custo. Ele gravou lá no celular: Isabeu. Estudante? depois dessa, duvidei. Falei q o nome tinha "L" no final - ah, mas  nem eh seu nome mesmo, ele falou. 

Outro inferno quando voltei à casa grande: o casal aqui estava, dormia ao menos. Acordaram, fizeram almoço, dormem novamente agora. Eu ouço Zélia Duncan: "hoje eu quero o açoite das palavras rudes... quero sentir a altura do abismo, pra eu poder subir depois do perigo...". Fiz um macarrão, mal pude levantar da cama, as dores realmente violentas. Queijo, ovo, combiron antes de almoçar: estou anêmica. E ainda tem o presente de hoje: lavar o banheiro. Hoje é dia. Não importa que hoje seja hoje, nem me lembro mais. Eu só queria não ter ido ao inferno porque no inicio tinha um gosto, mas depois tudo secou e fica difícil continuar. Acordei no inferno, lado pobre e nativo de Viçosa, dor de dente, dor no corpo, unhas perfeitamente feitas, vermelhas e agora lascadas, dor de parecer voltar as origens. Acordei corpo, mas minha mente inda não está desperta. Sonambulismo. Melhor assim. 

Ah, o 2 de copas? puro misticismo. bom domingo!

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