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Boca

"Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho". Cantares de salomão 1:1
eu, descabelada e deslabiada.

Beijaria os dois se possível fora, ou fosse; doce seria. Ao mesmo tempo? quem diria... não... os dois lábios tem as suas peculiaridades e seus jeitos, seus próprios beijos. cederia os meus a eles sem hesitar, no mesmo dia, quem sabe, um após o outro, que há em amar?? Quem me há de condenar? sacia meus desejos através do pensamento e as palavras no msn não dão conta; quero-os. 


Ouvi de um, certo dia, que sei bem usar meus lábios... jogava-me ele num patamar rebaixado, mero objeto... os lábios meus em que tantas vezes ele brincara, se divertira, agora não emitem som se de longe percebo sua figura na rua; escondo-me. O outro não lembra das nossas vezes de amor. Era amor sim, tudo era amor, e eu, ah! como eu era pura naquele ato impuro porque tnha o mais devotado amor!


Tudo isso durará até o fim, mas fim não há pra mim, nada basta, nem ser largada no meio do caminho, nem ser trocada por jogos ou outras amantes que se tornam mais públicas, mais aceitas, melhores que eu, melhores que os lábios meus. Mas melhores beijos não provarão, por certo. Porque nos meus há e havia e haverá o amor. 


Canto agora, nada me resta mais. Canto tentando espantar os males, dirá a música. Estou entretida nas malhas de outros lençóis, nas voltas de outras pernas, na força de outros braços, sem que ainda assim traia o que sinto; carne e espírito lutam sempre, e cada qual vence uma batalha numa guerra sem fim. 


Meus lábios, parte corporal voluptuosa e desejosa, são de outro, mas não o desejo do beijo de amor, permanecem estes neles, os dois amores da minha vida. E parece que esta entra em nova etapa porque, amores, sinto, dói, mas terei que deixá-los. Porque já há muito me deixaram sem também hesitar. Sem hesitar por um sequer segundo.


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