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Lembranças de São Paulo

Hoje São Paulo faz 458 anos. Foi fundada quando os Padres Manuel da Nóbrega e Padre Anchieta construíram o Colégio Jesuíta (segundo o yahoo hehehe). Lembro-me de São paulo como uma cidade grande, gigante, e barulhenta. Logo que eu e minha família nos mudamos de Petrópolis-RJ para lá, fomos morar bem no centro, perto do Viaduto do Chá. Passeamos muito por lá e eu não tinha medo daquela altura toda, os carros passando lá embaixo. Acho que hoje tenho mais receio. Lembro também de irmos à catedral da Sé, não para a missa, mas para vê-la de fora, linda e imponente. Na praça que tem na frente, tem uma espécie de mapa encrustado em pedra, no alto de um pequeno "poste", mas que eu não conseguia alcançar de jeito algum, e pensava que um dia teria altura suficiente. lembro-me de quando finalmente voltamos lá e consegui olhar de cima, muito bom.
Viaduto do Chá. by: Marco Pajola.

Já me machuquei na praça clóvis, que fica ali do lado da catedral. Tem um monumento giratório ali, uma vez eu o girei, mas ao invés de sair logo dali, permaneci em pé e uma das pontas dele bateu no meu calcanhar, ainda tenho a marca. 

Ao entrar pra escolinha, participei de muitos passeios ao zoológico, em que a "tia" colocava a gente em pares, de mãozinhas dadas. Uma vez fiquei de mãozinhas com um menino e a gente não parava de olhar um para o outro, rindo. Acho que a gente se gostava de alguma maneira, se é que isso já é possível em tão tenra idade, rs. Se bem me lembro, o nome dele era Guilherme. Guardo nomes com facilidade. 

Minha família se mudava constantemente e eu, por isso e por ser extremamente tímida, não fazia muitos amigos. Em uma ocasião, morávamos numa pensão, um quarto só, tudo muito apertado, meu irmão menor era um bebê ainda, e eu tinha uma colega que não falava com ninguém, exceto comigo e a mãe dela. O nome da minha amiguinha semi-muda era Anita, só sei isso. Tenho ainda aquela foto que a gente tira com todo mundo da turma, onde ela aparece. Onde será que ela anda? Tem a minha idade agora. Uma vez ela foi em casa e eu morri de vergonha, já que ela tinha uma situação  bem melhor que a minha. Ela acabou indo brincar com a filha da dona da pensão, que tinha brinquedos melhores do que os meus. Mas depois elas saíram no tapa, nem lembro direito por que e Anita aprendeu que nem tudo na vida são brinquedos caros. Haha, teve uma situação inusitada entre nós uma vez, e acho que foi a primeira vez que eu fui firme e disse não pra alguém. Nós havíamos combinado que a cor rosa era dela e que a vermelha era minha. Na verdade, eu também gostava de rosa, mas Anita meio que impôs isso  e eu concordei. Mas no fim do ano, a nossa "tia" da escola nos deu brinquedos de presente e corremos para casa de Anita para abrir. Abri o meu, q era um conjuntinho de coisinhas de cabelo, todo rosa. Anita a briu o dela e era amarelo. Obviamente ela quis trocar, mas eu não quis. Ela fez um escândalo e acho que só não me bateu porque nossas mães estavam ali presenciando tudo. tentaram me convencer, mas eu disse não e fiquei com o rosa. Lembro de muita coisa, Anita!! espero que você esteja bem!!

Tive um noivo também, nós dois com menos de 10 anos de idade. Minha mãe era amiga de uma mulher que tinha 3 meninos, e íamos na casa dela constantemente. Simplesmente acordaram entre si que o filho mais velho, Élder, se casaria comigo mais tarde. Fizeram um casamento de brincadeira em casa e minha irmã que ainda morava com a gente, me empurrou pra cima do menino, forçando um beijo que não aconteceu. Anos depois, nos reencontramos e ele se tornou um rapaz até bonito, mas muito na dele, com uma namorada à distância. É, não era pra ser. 

Nos mudamos uma vez para uma casa bem velha, cedida por uma senhora da igreja em que estávamos. Nessa época, eu passei a frequentar a EEF Deputado Flores da Cunha, onde cursei todo o fundamental. Lembro-me que ao terminar a oitava série, eu não queria sair da escola, e senti muita falta, sobretudo do meu professor de matemática, Edson, hehehe... Fui para uma escola mais perto de casa, nessa época tínhamos nos mudado de novo, e passei três bons anos nela, vivendo as primeiras paixões e desilusões amorosas, além de afirmar sempre e categoricamente que nunca seria professora. Que coisa, não?

Depois disso, fui trabalhar e estava nessa de horror até que a vida deu uma reviravolta e vim parar em Viçosa. Mas São Paulo num sai da lembrança, e quantas lembranças. Uma vida. Voltar é algo que ainda habita nos meus pensamentos. Se estivesse lá hoje, ia na Galeria do rock, no Museu da Lingua Portuguesa, no cinemark, Burguer King, shoppings, ônibus e poluição, minha São Paulo, que conheço mal e tão bem. parabéns!

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